terça-feira, 12 de agosto de 2008

III - A Feira de Peixes Ornamentais de Guarulhos

Os produtores vêm de diversos estados do País, principalmente SP, RJ, PR e MG . Para se ter uma idéia, segundo a Prefeitura, o volume de negócios da feira já ultrapassa a cifra de R$ 1milhão de reais por mês. O Brasil tem cerca 4 mil criadores, conforme a revista Panorama da Aqüicultura, movimentando US$ 4 milhões com a venda para países como Japão, EUA, Alemanha e Holanda. Do total exportado, apenas 20% são cultivados, sendo o restante peixes capturados em rios, sobretudo da Amazônia, onde estima-se que haja de 1.500 a 6 mil espécies de peixes nativos, além de mais de 260 no Pantanal. Isso não ocorre na Feira, onde mais de 70% dos peixes comercializados são criados e não capturados.
A grande demanda interna e o potencial de exportação de peixes ornamentais têm estimulado o surgimento de pólos produtores no Brasil, o maior deles na região de Muriaé (MG), onde são gerados mais de 15 mil empregos diretos nessa atividade. Embora em escala menor, o Vale do Paraíba paulista, sobretudo os municípios de Jacareí, Guararema e Igaratá, já pode ser considerado um novo pólo, concentrando cerca de 30 criadores, que ocupam uma boa fatia do mercado. 'Temos água e clima ideais para a criação, principalmente de kinguio e carpa', diz o produtor Wilson Morio Suzuky, de Jacareí. Ele tem 30 tanques de criação, em 7 mil metros quadrados, somando cerca de 300 mil peixes.
A criadora Maria Luiza Girodetti, de Guararema-SP, conta que a sua criação começou quando ganhou de presente um casal de peixes. 'Comecei brincando', diz ela. A 'brincadeira' transformou-se num negócio rentável, com a venda média de 10 mil unidades por semana, que abastecem atacadistas de São Paulo e de outros Estados, sobretudo do Sul. A atividade é desenvolvida em dois sítios: em Guararema -SP, com 50 tanques, onde são criados 150 mil kinguios e em Santa Isabel-SP, também com 50 tanques, com produção anual de 250 mil carpas nishikigoi, em parceria com outro criador. Maria Luiza está iniciando a produção do oscar, uma espécie amazônica melhorada geneticamente nos Estados Unidos.
Com cerca de 30 centímetros, o peixe é carnívoro e, segundo ela, comporta-se como um cachorro, sendo capaz de reconhecer o dono.
Os irmãos Isaac e Daniel Dias, do município vizinho de Igaratá, são especializados na criação de carpas e não têm do que reclamar, pois a demanda por esses peixes está bastante favorável. Há 20 anos eles instalaram o criatório em 8 hectares, somando 40 tanques e produção anual de 300 mil peixes. O mercado continua bom, apesar de ter aumentado o número de criadores', diz Daniel Dias. Ele explica que há no Brasil dois principais tipos de carpa: a nishikigoi, as primeiras a chegar ao País e as mais exibidas em exposições, e a véu, diferenciada pelas nadadeiras maiores e o rabo mais comprido, ambas com padrão de cores do vermelho ao dourado. Os irmãos utilizam a superpopulação dos tanques como estratégia para atender a certos clientes que exigem fornecimento o ano inteiro. 'A superpopulação e a falta de espaço não deixam que o peixe cresça mais que o tamanho aceito pelo mercado', afirma Dias.

O MAIOR PÓLO Em Muriaé (MG), 'peixe é uma beleza que dá lucro', conforme afirma o produtor Francisco Eustáquio Andrade Cavalhier, que faz parte de um grupo informal de produtores, que atua na venda de peixes, inclusive para venda ao mercado externo. A região, localizada na Zona da Mata mineira, produz cerca de 10 milhões de peixes por ano, de 70 a 80 espécies, destacando-se o beta, o guppy e o kinguio. Só em Muriaé são mais de 500 produtores. A atividade envolve pequenos criatórios, com média de 2 a 3 hectares. O maior volume é vendido para São Paulo, que também comercializa com outros Estados e exporta grande quantidade de peixes ornamentais para a América do Sul, América do Norte e União Européia. Outra região importante produtora de peixes ornamentais fica entre Mangaratiba e Rio Bonito (RJ), reunindo cerca de 30 criadores. Destaca-se o município de Magé, no qual 18 produtores, a maior parte de guppy e beta, criam cerca de 900 mil peixes, vendidos principalmente em São Paulo. Além de clima tropical e disponibilidade de água, a criação de ornamentais tem a vantagem de ser mais barata do que outras similares . O Brasil, segundo o professor Jener Zanon, da Universidade Federal de Viçosa, dispõe de grande número de espécies ornamentais - cerca de 250 constam numa lista com comercialização permitida -, clima tropical adequado, grande disponibilidade de água e topografia para piscicultura. 'Mas ainda faltam pesquisas sobre as técnicas de criação das espécies ornamentais brasileiras, técnicos capacitados, rações balanceadas produzidas em larga escala e incentivos para o definitivo estabelecimento do setor produtivo', diz o professor. Em relação à criação convencional, a piscicultura ornamental, conforme Zanon, utiliza áreas menores, tem custo de instalação mais baixo, menos gastos com ração e menor tempo para os peixes atingirem o tamanho comercial. 'A piscicultura ornamental necessita de mais mão-de-obra.'


EXPORTAÇÃO Os exportadores paulistas Fernando Bononi e Geraldo Poeta enviam, mensalmente, cerca de 50 caixas de peixes - onde podem ser colocadas de 12 unidades, caso do acará-disco, a até 500 unidades, como o cardinal. Bononi afirma que as espécies ornamentais escolhidas para a exportação, como o acará-disco, o acará-bandeira e o cardinal, são supervisionadas pelo Ibama. Um dos mais caros é o acará, que pode custar US$ 25 a unidade. O Brasil está quase se igualando a outros países em termos de desenvolvimento genético de peixes ornamentais', diz. Mesmo assim ele afirma que os japoneses já entendem mais de peixes ornamentais da Amazônia do que os próprios brasileiros. No mundo todo são muitas as espécies de peixes criados ou capturados, com porte e cores diferenciadas, sendo difícil quantificá-las, existindo poucas estatísticas sobre a atividade. Em termos globais, segundo a revista Panorama da Aqüicultura, o comércio mundial de peixes ornamentais excede US$ 1 bilhão. O produtor Leandro Pereira Ferreira Filho sai de Muriaé, no Rio de Janeiro, todos os domingos às 19 h e chega a São Paulo, mais especificamente ao município de Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã de segunda-feira, trazendo cerca de 500 mil peixes de mais de 100 espécies, do kinguio comum, que custa em média R$ 0,15 a unidade, ao kinguio red cap, que custa R$ 12 a unidade, mas cuja matriz pode custar até R$ 50. Assim como Ferreira, o produtor Rodrigo Gato também vem de longe. Ele é de Magé (RJ), onde cria kinguio pérola, peixe jóia e cruzeiro-do-sul, entre outros, em 60 tanques de onde tira cerca de 4 mil peixes por semana para trazer para Guarulhos. O mais difícil é no período do inverno, quando diminui a criação e aumenta a mortalidade', afirma o piscicultor.
Fonte : Parte do texto foi extraído de Reportagem do Jornal - O Estado de São Paulo - edição de 27/02/2008 - Rodrigo de Faria
Espero que tenham gostado .

12 comentários:

Anônimo disse...

Amigos,

Gostaria de saber se há previsão de alguma feira acontecer aqui no Rio de Janeiro....
Abraços...
Nelson... n.degou@ig.com.br

capiau disse...

Queria fazer um comentário sobre a nova feira de peixes ornamentais que abriu recentemente no mercado municipal de Mogi das Cruzes com cerca de 75 expositores e que funciona de sexta,das 2às 4 horas da tarde.Gostaria de sugerir que vocês fizessem uma reportagem sobre ela.

capoeiramissao.blogspot.com disse...

Bom dia,

Sou promotor de exportação e importação, gostaria de cotar para sua empresa, trabalho em parceria com algumas agencias em vários Estados e Países.

Garanto um excelente serviço com qualidade e segurança de acordo com suas exigencias e necessidades.

Se possível farei uma visita oferecendo mais confiabilidade.


Rodrigo Teixeira
Promotor executivo
Exportação e Importação

Tel.21-8242-5847
21-7883-0242
ID: 12*83091

fellipe disse...

Ola... quais os dias que acontecem a feira e qual o endereço?
Gostaria de visitar.
Sabe de algum criador de nishikigoi que envia por sedex para interior de são Paulo?
Parabéns pelo blog.
Agurado
fellipebocio@hotmail.com

Anônimo disse...

Boa tarde gostaria de saber em que epoca acontece esta feira e outra coisa pretendo construir um laguinho em meu sitio usando agua de um riacho que corre dentro do sitio e gostaria de saber que especies de plantas (arbustos) posso colocar ao redor do mesmo, que não traga perigo aos moradores do laguinho.
Grato.

Anônimo disse...

Amigos, estive nessa feira é muito boa bons preços, fui atraz de Acará discos, porem as informações que tive é que a feira é no periodo da Tarde, mas os produtores chegam apartir das 08:00h, então cheguem cedo e esperem eles chegarem para comprar bons peixes e baratos... abraços

Anônimo disse...

Gostaria de saber se há previsão de alguma feira acontecer aqui no Rio de Janeiro, E SE ACONTECER SERÁ EM QUAL LOCAL.....

José Dailson disse...

Gostaria de saber se a feira qe acontece em Guarulhos, ( Cecap) continua neste ano de 2012 ? Muito obrigado pela oportunidade de poder tirar minhas duvidas.

Anônimo disse...

gostaria de saber se tem chance de ter uma feira dessas em Mossoró no Rio Grande do Norte tenho uma criação.

DOCTOR DISCUS disse...

Meu nome é Marcelo Fernandes, sou aquicultor criador de acará disco no Rio de Janeiro. Quero organizar uma feira desta aqui no Rio e os criadores, lojistas, fabricantes, distribuidores e atacadistas que tiverm interesse em participar é só fazer contato pelo email cellovete@ig.com.br.

Unknown disse...

Boa Tarde!

Sou iniciante e queria saber onde posso comprar 1 casal de betta de qualidade para tentar reproduzir apenas por hobby em casa!!!

email: heitor@metalurgicams.com.br
Nextel: 107*15873

obrigado

Unknown disse...

Boa Tarde!

Sou iniciante e queria saber onde posso comprar 1 casal de betta de qualidade para tentar reproduzir apenas por hobby em casa!!!

email: heitor@metalurgicams.com.br
Nextel: 107*15873

obrigado