Quem é adepto dos Aquários densamente plantados, sabe bem o quanto se faz necessária a manutenção de uma reserva estratégica de plantas, caso alguma coisa “crítica” venha a acontecer com um dos nossos aquários. Dentre essas coisas críticas, podemos citar :
1 - surtos absurdos de algas,
2 - doenças ou parasitas no aquário, onde seja necessária a aplicação de remédios dentro do mesmo (argulose, por exemplo) ;
3 - algum “acidente” que infelizmente venha a acontecer com nossos aquários, entre outras coisas...
Vista geral do meu cultivo caseiro de plantas aquáticas Já pensou ter que procurar e comprar tooodas aquelas plantas tão duramente obtidas de novo ? Lembramos ainda que o Aquarista que gosta de aquários plantados, assim como os que apreciam outras modalidades de aquarismo, dificilmente contentam-se em possuir um único aquário, ao contrário, estão sempre ousando, experimentando e tentando novas montagens que desafiam sua capacidade de evolução no hobby...enfim, tornam-se verdadeiros Alquimistas do Aquário (esse título daria um bom artigo, hein?).
O legal de tudo isso, é que os próprios métodos de cultivo de plantas aquáticas para uso posterior, acabam se tornando uma outra modalidade de Aquarismo e proporcionam imenso prazer para quem se aventura em tentar...algo como manter um bonsai ou descobrir um novo hobby dentro do próprio hobby.
Esse artigo portanto, não tem a ambição de ser um tutorial ultra, mega detalhado sobre formas de cultivo de plantas, ao contrário, afinal cada um tem a sua opinião a respeito e algumas vezes um método que dá certo para um não é o melhor para o outro...mostrarei apenas, através de fotos, às diversas formas possíveis (que eu conheço) de cultivo de plantas aquáticas em casa, utilizando-se processos hidropônicos, mini estufas de vidro, vasos, enfim, tudo aquilo que a criatividade permitir lançar mão para a manutenção de nossas plantas, entre outras “tralhas” que só quem é Aquarista, conhece bem ...
Outra vista geral - reparem que utilizo a lateral de um corredor que mede cerca de 15 metros de comprimento por apenas 40 centimetros de largura, totalizando uma área de apenas 6 metros quadrados . Nesse pequeno espaço produzo centenas de plantas todos os meses de diversas espécies diferentes .
Esclareço uma vez mais que não comercializo, faço doação para particulares ou troco plantas . Esse não é meu objetivo. Não tenho tempo, interesse ou disposição para isso . Trabalho no mercado aquarístico já há alguns anos como Consultor Técnico e Comercial, esse é meu ganha pão e acabo doando quase todas essas plantas para os meus clientes (lojistas), a fim de que eles possam montar aquários plantados que estimulem o hobbista a adquirir essas plantas e montar seu próprio plantado. Dessa forma, acredito estar contribuindo um pouquinho para o crescimento do hobby...enfim, acredito que estou fazendo a minha parte .
Para quem deseja adquirir plantas que nem sempre chegam às suas cidades, aconselho a procurar seu lojista de confiança e solicitar-lhe que faça contato direto com criadores de plantas competetentes, tais como o meu amigo Roberto Takeyoshi (http://www.chacaratakeyoshi.com/), ou o Sr. Wagner de Ribeirão Preto, entre outros ...aliás, acredito que toda boa loja de Aquários deva ter sua própria bateria de plantas....não aqueles aquarinhos perto do chão, mal iluminados e sujeitos à contaminações de toda a espécie (quando em sistema de sump), aquários esses que em geral ficam vazios e imundos em algumas lojas pelo Brasil afora, quer por falta de informação (e isso é compreensível) ou simplemente falta de interesse do proprietário (isso é lamentável) ...
Acho que alguma vez na vida, todo Aquarista já viu essa cena...aquarinhos sujos, apenas com algumas elódeas, rabos de raposa, valisnérias e quando muito, algumas violáceas - esssa última, o lojista mal informado compra porque acha bonita pela cor (mas infelizmente não sabe que essa não é uma planta aquática e costuma morrer após um tempo submersa, por mais que se tente oferecer-lhe boas condições) ...fora isso, um pobre betta no meio daquilo tudo...e quando pior...dois bettas machos..."porque eles brigam e divertem os clientes - hehehe" . Acreditem...eu já ví e ouví isso !!! E só posso lamentar .
Aconselho sempre aos Aquaristas que encontro por aí, cujas cidades não possuem lojas mais técnicas...que procure explicar ao lojista sobre as doenças de peixes e erros de manejo, bem como a maneira correta de se manter plantas (por exemplo) e proponha algumas espécies para dar início (plantas baixas, médias e altas de baixa, média e alta luminosidade) ...em caso de total discordância (que já deixa de ser falta de informação) boicotem esse tipo de loja, mas boicotem mesmo...pois é graças a esses péssimos profissionais que muita gente se desilude e abandona o hobby. Essa é a contra mão do aquarismo e acredito que não devamos compactuar com isso. E se não restar nenhuma boa loja em sua cidade, vá na cidade vizinha, porque das duas uma...ou o camarada abandona o ramo (e vai prestar um grande favor ao Aquarismo) ou decide rever seus conceitos e arruma a loja ( e vai prestar um grande favor ao Aquarismo também) !E abaixo a picaretagem !!!
Voltando ao assunto (me empolguei um pouco), vemos logo abaixo um sistema de mini estufas utilizando pequenos aquários de vidro (esses têm 8 litros apenas e eu os utilizava há muito tempo para criar killifishes). Dentro deles, existe substrato fértil, que pode ser uma porção de humus e laterita.... Para algumas espécies de plantas (cryptocorynes, por exemplo - mas só algumas) acrescento também alguma espécie de fibra de côco ou xaxim (uns velhos que tinham aquí em casa- porque agora é proibido e com toda razão) a fim de acidificar o substrato. Por cima disso tudo uma camada de areia inerte (ou mesmo misturada a isso) e pronto . A estufa está preparada para receber a maioria das plantas aquáticas- exceto àquelas verdadeiramente aquáticas que não toleram nenhum tipo de emersão (ficar fora d'água) .
Visão geral - mini estufas em pequenos aquários
Conforme já dito anteriormente, esses aquários ficam no corredor da minha casa e não recebem sol direto o dia inteiro, pois ficam entre dois sobrados altos, recebendo luz direta apenas quando o sol está no seu ápice (entre 11 horas da manhã e uma hora da tarde) . O resto do dia ficam mais sombreados - a claridade existe sim- e muita - mas não a luz direta do sol (o tempo todo) .
Vista mais aproximada das mini estufas em pequenos aquários
O objetivo principal desse sistema de "estufas" é conservar a umidade no interior das mesmas, pois as plantas, embora com a maior parte das folhas e caule fora d'água, necessitam dessa umidade para que não fiquem desidratadas e morram. Lembrem-se que num ambiente aquático natural (beira de lagoa ou rio) predominam altas taxas de umidade e a copa das árvores e/ou vegetação arbórea das margens acabam contribuindo para evitar a incidência de luz solar direta. Essa alternativa de estufas, vale principalmente para plantas que possuem folhas delicadas (exs : rotala walichii, miriophilum, tenelus, etc...) .
Outro ponto a ser destacado é que a capacidade de adaptação das plantas que são retiradas do aquário por ocasião de podas, por exemplo - em sua forma submersa - devem obrigatoria e/ou preferencialmente passar para a adaptação em sua forma emersa (fora d'água) dentro de estufas, pois a conservação da alta taxa de umidade na estufa é vital para que não morra.
É verdade também que para algumas outras plantas - echinodorus, por exemplo, quando provenientes de cultura submersa, o ideal é colocá-las dentro de aquários com pouca água (apenas o suficiente para cobrir às folhas) e a medida em que essa água evapora (ou é retirada pouco a pouco, dia após dia) pelo Aquarista, passa a produzir novas folhas, já adaptadas para a forma emersa. Após isso, acaba vencendo a coluna d'água e emergindo, sendo que algumas espécies de maior porte soltam rebentos adventíceos em sua própria haste floral.
Na foto abaixo, vemos um exempo de planta retirada do aquário e colocada em forma submersa. Reparem que existe uma fina lâmina d'água (nesse caso) logo acima do substrato e que a planta encontra-se em processo de adaptação . A planta aquí apresentada é uma Microsorium windelov .
Detalhe : interior da estufa contendo muda de Microsorium windelov. Esee tipo de planta reproduz-se de forma um tanto curiosa. Costuma soltar rebentos em suas axilas, ou seja, aderidos na parte de baixo (próxima da extremidade) de suas próprias folhas. Com o tempo esses rebentos se soltam e multiplicam-se . Também pode ser reproduzida pela divisão do caule .
continua em II - Opções Caseiras de Cultivo de Plantas Aquáticas