domingo, 25 de outubro de 2009

As plantas aquáticas no contexto da Botânica - por Miguel Pandini


Introdução
Todo Aquarista, seja iniciante ou veterano, lidando com seus peixes ou plantas aquáticas, às vezes se depara com uma situação peculiar: a identificação precisa dos seres vivos os quais está criando ou cultivando. Quando falamos em identificação precisa, nos referimos ao seu nome científico, acompanhado de sua posição taxonômica, ou seja, sua posição dentro da grande escala de classificação dos seres vivos. Mas, o que seria isso, para nós, Aquaristas? Não seria mais conveniente, e menos trabalhoso, se conhecêssemos nossos peixes e plantas apenas pelos seus nomes vulgares?
Histórico
Chamamos Sistemática ou Taxonomia a área da Biologia que cuida da identificação dos indivíduos e de seus respectivos agrupamentos, sendo estes os mais conhecidos o gênero e a espécie. Mas, esse ramo da ciência é praticamente recente.
Desde a antiguidade até fins do século XVII, os seres vivos eram classificados arbitrariamente, pois não havia um critério de consenso que determinasse qualquer característica em comum entre eles. Cada cientista empregava seu método, resultando em algo bem pior do que listagens de nomes vulgares.
Somente no século XVIII, o naturalista sueco Carl Von Linné, que depois ficou mundialmente conhecido como Linnaeus, elaborou um criterioso sistema de classificação, baseado no conceito de espécie formulado pelo inglês John Ray no final do século anterior, que classificava os seres vivos de acordo com a sua semelhança a diversos tipos preestabelecidos. Em meados do século XIX, com a descoberta dos cromossomos e dos genes, e conseqüente confirmação da Teoria Evolucionista de Charles Darwin, o sistema foi definitivamente aperfeiçoado, sendo que o agrupamento dos seres vivos passou a ser feito segundo uma ordenação filogenética (do grego phile = ordem, série; genesis = criação), ou seja, de acordo com o grau de parentesco entre eles.
A Sistemática de Linnaeus
Considera-se, para efeito de classificação, que a afinidade entre os diversos organismos é tanto maior quanto mais próximos estiverem de um mesmo ancestral, evolutivamente. Assim, espécies de um mesmo gênero possuem mais características comuns, assim como os gêneros de uma mesma família, e assim por diante. Esse sistema natural utiliza o maior número possível de dados, obtidos, entre outros, da morfologia externa e interna, fisiologia, ecologia e análise dos cromossomos, levando-se em conta, também, os eventuais resultados de estudos de fósseis.
Assim, podemos definir espécie – unidade básica do sistema de classificação – como sendo um agrupamento de indivíduos semelhantes e procedentes de um ancestral comum que, pela seleção natural, sob a influência do meio ambiente, adquiriu características próprias que o diferenciam de todos os demais seres vivos, sendo que tal conceito de espécie é confirmado na prática pela possibilidade de reprodução sexuada entre os indivíduos que dela fazem parte.
Na nomenclatura dos seres vivos, escolheu-se utilizar uma língua já extinta – o latim– tanto para escrita como para a pronúncia, sendo que para cada categoria sistemática entre Divisão (Filo) e Família há um sufixo latino característico (havendo exceções). Categorias intermediárias também são utilizadas para indicar com maior exatidão a filogenia.
Para a designação da espécie, ficou convencionado o uso de nome binário, em caracteres grifados – negrito ou itálico – se impresso, ou sublinhado, se manuscrito, o primeiro relativo ao gênero – palavra única, no nominativo singular, com a primeira letra maiúscula e as demais minúsculas – e o segundo a espécie propriamente dita – palavra simples ou composta, gramaticalmente concordante com o nome genérico, e com todas as letras minúsculas – havendo, ainda a possibilidade da existência de um terceiro nome, precedido de um termo às vezes abreviado, que poderá indicar variações intra-especificais, que em Botânica recebem o nome de subespécie (ssp.), variedade (var.) e forma. Exemplificando: Rorippa nasturtium-aquaticum;
Sagittaria subulata
var. kurziana; Vallisneria spiralis forma nana.
Quando se quer referir a uma espécie ainda não totalmente classificada ou simplesmente desconhecida, da qual só se conhecesse o gênero, usa-se o primeiro nome seguido de "sp.": Echinodorus sp.; de maneira semelhante, refere-se ao nome de subespécie desconhecida, acrescentando-se "ssp.".
Muitas vezes, os nomes referem-se a alguma característica marcante (morfológica, fisiológica, ou ecológica), região ou localidade onde a espécie foi encontrada, ou pessoa que se queira homenagear. E tudo isso em latim, é claro.
Em trabalhos científicos e folhas de herbário é obrigatória indicação do nome – inteiro ou abreviado – da pessoa que fez a classificação pela primeira vez. Quando são duas, usa-se a conjunção latina "et" entre seus nomes. Caso a espécie seja reclassificada, passando de um gênero para outro, coloca-se o nome do autor ou autores da primeira classificação entre parênteses, seguido do nome da pessoa (ou pessoas) que fez a reclassificação. Por exemplo: Schott classificou certa espécie de planta como sendo Cryptocoryne gomezzi, sendo que, futuramente, Bogner e Jacobsen a reclassificaram como Lagenandra gomezzi; assim, de acordo com as convenções científicas, Cryptocoryne gomezzi Schott passou a se chamar Lagenandra gomezzi (Schott) Bogner et Jacobsen. Há ainda outras regras para alterações de nomes, que devido a pouca utilidade para nós, amadores, serão omitidas. Por comodidade, usaremos os nomes científicos de forma mais simplificada.
Em Botânica, são as seguintes as categorias sistemáticas, em escala descendente, com os respectivos sufixos mais usados, para o caso das algas e cormófitas (vegetais com raízes, caule e folhas):
Categoria
Sistemática
Sufixos
Algas
Cormófitas
Divisão
-phyta
-phyta
Subdivisão
-phytina
-phytina
Classe
-phyceae
-opsida
Subclasse
-phycidae
-idae
Ordem
-ales
-ales
Subordem
-inae
-inae
Família
-aceae
-aceae
Subfamília
-oidea
-oidea
Tribo
-eae
-eae
Subtribo
-ineae
-ineae
A seguir, apresentamos uma tabela com a classificação simplificada das principais plantas de aquário (ou melhor dizendo: plantas hidrófilas) conhecidas, com as divisões, famílias e os principais gêneros, lembrando que as condições de pH, dureza, luz, temperatura, exigências quanto ao substrato, etc., via de regra costumam ser semelhantes entre as mais próximas na hierarquia de parentesco:
DIVISÃO
FAMÍLIA
GÊNERO
Tipo predominante das espécies (*)
CHAROPHYTA

(algas pluricelulares)
Characeae
Nitella
Aquáticas obrigatórias.
BHYOPHYTA

(Musgos e hepáticas)
Ricciaceae
Riccia
Flutuantes e submersas.
Hypnaceae
Vesicularia
Anfíbias.
Pallaviciniaceae
Symphyogyna
Anfíbias
PTERIDOPHYTA

(Samambaias, avencas, licopódios)
Isoetaceae
Isoetes
Aquáticas e anfíbias.
Acrostichaceae
Acrosticum
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Azollaceae
Azolla
Flutuantes.
Ceratopteridaceae
Ceratopteris
Anfíbias.
Marsileaceae
Marsilea
Anfíbias.
Pilularia
Anfíbias.
Polypodiaceae
Bolbitis
Anfíbias.
Microsorium
Anfíbias
Salviniaceae
Salvinia
Flutuantes.
SPERMATOPHYTA

(Plantas superiores)
Acanthaceae
Hygrophila
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Alismataceae
Echinodorus
Aquáticas obrigatórias, palustres, adaptáveis ao meio
aquático e anfíbias.
Sagittaria
Aquáticas obrigatórias e aquáticas com folhas flutuantes.
Amaranthaceae
Alternanthera
Aquáticas obrigatórias e anfíbias.
Amaryllidaceae
Crinum
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Apiaceae
Hydrocotyle
Aquáticas com folhas flutuantes e anfíbias.
Lilaeopsis
Anfíbias.
Aponogetonaceae
Aponogeton
Aquáticas obrigatórias e aquáticas com folhas flutuantes.
Araceae
Anthurium
Anfíbias.
Acorus
Anfíbias
Anubias
Anfíbias.
Crytocoryne
Palustres adaptáveis ao meio aquático, aquáticas
obrigatórias e anfíbias.
Lagenandra
Palustres adaptáveis ao meio aquático e anfíbias.
Pistia
Flutuantes.
Spathiphyllum
Anfíbias.
Syngonium
Anfíbias.
Barclayaceae
Barclaya
Aquáticas obrigatórias.
Brassicaceae
Cardamine
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Rorippa
Aquáticas obrigatórias.
Cabombaceae
Cabomba
Aquáticas com folhas flutuantes.
Callitrichaceae
Callitriche
Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Ceratophyllaceae
Ceratophyllum
Aquáticas obrigatórias.
Crassulaceae
Crassula
Anfíbias.
Cyperaceae
Cyperus
Anfíbias.
Eleocharis
Anfíbias.
Eriocaulaceae
Eriocaulon
Anfíbias.
Euphorbiaceae
Phyllanthus
Flutuante.
Haloragaceae
Myriophyllum
Palustres adaptáveis ao meio aquático, e aquáticas
obrigatórias.
Proserpinaca
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Hydrocharitaceae
Blyxa
Aquáticas obrigatórias.
Egeria
Aquáticas obrigatórias.
Hydrilla
Aquáticas obrigatórias.
Lagarosiphon
Aquáticas obrigatórias.
Limnobium
Flutuantes.
Ottelia
Aquáticas obrigatórias.
Vallisneria
Aquáticas obrigatórias.
Lamiaceae
Hyptis
Anfíbias.
Lemnaceae
Lemna
Flutuantes.
Pseudowolffia
Flutuantes.
Spirodela
Flutuantes.
Wolffia
Flutuantes.
Wolffiella
Flutuantes.
Wolffiopsis
Flutuantes.
Lentibulariaceae
Utricularia
Aquáticas obrigatórias e flutuantes.
Lilaeaceae
Ophiopogon
Anfíbias.
Limnocharitaceae
Hydrocleys
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Lobeliaceae
Lobelia
Anfíbias.
Lythraceae
Ammania
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Didiplis
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Rotala
Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Mayacaceae
Mayaca
Palustres adaptáveis ao meio aquático e anfíbias.
Melastomaceae
Aciotis
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Menyanthaceae
Nymphoides
Aquáticas com folhas flutuantes.
Villarsia
Aquáticas com folhas flutuantes.
Najadaceae
Najas
Aquáticas obrigatórias.
Nymphaeaceae
Nuphar
Aquáticas obrigatórias e aquáticas com folhas flutuantes.
Nymphaea
Aquáticas com folhas flutuantes.
Onagraceae
Ludwigia
Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Plantaginaceae
Littorella
Aquáticas obrigatórias.
Podostemonaceae
Mourera
Aquáticas obrigatórias.
Polygonaceae
Polygonum
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Pontederiaceae
Eichhornia
Palustres adaptáveis ao meio aquático, anfíbias e
flutuantes.
Heteranthera
Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas com
folhas flutuantes.
Potamogetonaceae
Potamogeton
Aquáticas com folhas flutuantes.
Primulaceae
Hottonia
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Lysimachia
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Samolus
Anfíbias.
Saururaceae
Houttuynia
Anfíbias.
Saururus
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Scrophulariaceae
Bacopa
Palustres adaptáveis ao meio aquático e anfibias.
Glossostigma
Palustres adaptáveis ao meio aquático e aquáticas
obrigatórias.
Limnophila
Palustres adaptáveis ao meio aquático.
Micrantemum
Anfíbias.
Trapaceae
Trapa
Aquática com folhas flutuantes.



sexta-feira, 10 de julho de 2009

1° Curso sobre Montagem e Manutenção de Lagos Ornamentais


Ministrado pelos profissionais Lescano Junior, Eiti Yamazaki e o Doutor Rodrigo Mabília especialista em alimentação, nutrição e sanidade de animais aquáticos.

Aberto a todos os profissionais do ramo e hobbystas:
Data: 17 de Outubro de 2009(Sábado)
Horário: 9:00 às 18:00 hrs

Local Hotel Premiun Norte, maiores informações clique aqui!

Valor do ingresso- R$ 45,00
Vagas super limitadas.
Incluindo um delicioso Coffe Break, sorteio de vários produtos e distribuição de brindes para todos os participantes.



Grade Completa de Assuntos a serem ministrados :
  • Definição
  • Tipos de Lagos
  • Aspectos e Materiais Construtivos
  • Liners
  • Escolha de rochas e outros materiais
  • Materiais para Revestimentos e Impermeabilizações
  • Lagos Pré fabricados
  • Hidráulicas em Lagos Ornamentais
  • Sistemas de Drenagem
  • Aspectos Geológicos
  • Fatores Externos que podem influenciar na construção e manutenção de lagos ornamentais
  • Otimização de Capacidade
  • Sistemas de Filtragem
  • Tipos de Filtros (industrializados)
  • Algas e Cianobactérias(Prevenção e Combate)
  • Mitos e Realidades sobre a Filtragem Mecânica
  • Mitos e Realidades sobre a Filtragem Biológica
  • Mitos e Realidades sobre a Filtragem Química
  • Mitos e Realidades sobre a Esterelização Ultra Violeta
  • Estações de Tratamento de Água e Efluentes
  • Cinética da Nitrificação - Sistemas de Desnitrifição
  • Dimensionamento de Filtragem
  • Química da Água
  • Importância dos Testes de Água
  • Apresentação de Orçamentos e Projetos ao Cliente
  • Sugestões de Projetos para Pequenos e Médios Espaços
  • Noções de Desenho Técnico em Lagos Ornamentais
  • Emprego de Plantas Aquáticas e não Aquáticas em Lagos Ornamentais
  • Lagos com Plantas & Lagos Plantados
  • Espelhos d'água - Cortinas d'água
  • Dimensionamento e construção de cascatas
  • Peixes para Lagos
  • Peixes de Água Fria (Carpas e Kinguios)
  • Introdução aos Nishikigois
  • Alimentação e Nutrição de Peixes Ornamentais
  • Principais Doenças dos Peixes Ornamentais
  • Prevenção e Tratamento de Doenças em Peixes Ornamentais
  • Slides com trabalhos realizados
  • Programação:
  • 09:00hs - Apresentação
  • 09:20hs - Palestrante Lescano Junior.
  • 12:00hs - Intervalo para almoço.
  • 13:00hs - Palestrante Eiti Yamazaki.
  • 15:30hs - Intervalo para Coffe Break(Incluido como cortesia)
  • 16:00hs - Palestrante Doutor Rodrigo Mabília.
  • 18:00hs - Sorteios e encerramento.

    Apoio :
  • Aquarium Group - http://www.aquariumgroup.com.br/ - site em reformulação
  • Revista Aquamagazine - http://www.aquamagazine.com.br/
  • Associação Brasileira de Nishikigoi - site em construção
Realização :


  • Aquários Sol Nascente - http://www.aquasn.com.br/
  • Maiores informações : contato@aquasn.com.br ou pelo telefone 019-3278-2510
  • Caso você queira participar deste curso e fazer sua inscrição é só passar as seguintes informações para o email da empresa, contato@aquasn.com.br.
    Nome completo-
    Endereço-
    Telefone de contato(fixo e celular)-
    Email-
Dados para depósito:
  • BANCO DO BRASIL
    Agência: 3553-X
    Conta corrente: 20872-8
    Favorecido: LUCI MITIKO KUWABATA ME
    CNPJ: 08.606.310/0001-66
  • BRADESCO
    Agência: 2646-8
    Conta corrente 13698-0
    Favorecido: LUCI MITIKO KUWABATA ME
    CNPJ: 08.606.310/0001-66
  • ITAU
    Agência: 4458
    Conta corrente: 01333-3
    Favorecido: PAULO YUGO KAI e/ou LUCI MITIKO KUWABATA
  • Após a efetuação do depósito ou transferência solicitamos que entre em contato com a nossa empresa através do telefone 19-3201.6937 ou pelo e-mail financeiro@aquasn.com.br informando o nome, telefone, o banco, a data e o valor depositados para que possamos confirmar o pagamento.
  • Link para dúvidas e esclarecimentos,
    Clique AQUI!!
Contamos com sua presença.

Seu Editor Aquablog



O RESULTADO :

Unindo profissionais do ramo e hobbystas de diversas partes do País, o 1º Curso sobre Montagem e Manutenção de Lagos Ornamentais em Campinas-SP, foi um sucesso absoluto.


O auditório ficou totalmente lotado e muita gente que deixou para reservar ingresso para os últimos dias, ficou sem lugar, infelizmente.

Agradecemos o apoio de todos e em breve estaremos agendando um segundo Curso, num auditório bem maior (que comporte pelo menos umas 300 pessoas).

 











Agradeço de coração a todos que participaram e também aos que não puderam vir.

Abraço do seu Editor Aquablog

domingo, 1 de março de 2009

Coletando Plantas Aquáticas na Natureza

Coletando plantas aquáticas na Natureza - por Miguel Pandini
A paixão por plantas aquáticas muitas vezes faz extrapolar o comportamento "normal" de um aquarista em busca de espécies novas, seja por falta de opções nas lojas, ou mesmo por puro espírito de aventura. A oportunidade de coletar plantas em seu habitat natural, mesmo as já conhecidas, é uma experiência gratificante, haja visto o grande número de espécies nativas de nosso país, mas deve-se atentar para alguns detalhes, tanto para o sucesso da empreitada, como para a segurança do próprio aquarista.
Os possíveis locais devem ser bem escolhidos: rios de cidades grandes, extremamente poluídos, dão poucas chances de se encontrar alguma coisa a mais do que aguapés, por exemplo. Em visitas a sítios no interior, excursões ecológicas, e em demais eventos do gênero, as possibilidades crescem bastante. Margens de riachos, lagoas, brejos ou pequenas represas podem trazer boas surpresas. Mas é preciso tomar alguns cuidados no que se refere à qualidade da água e, também, em relação à fauna local: águas malcheirosas e insalubres podem trazer problemas de saúde para quem as frequenta; e mais: locais próximos a cursos d’água são pontos prediletos de animais perigosos, como cobras e sapos venenosos, por exemplo (quanto mais colorido for um sapo ou uma salamandra, mais longe você deve ficar deles!).






















Exemplo de local com grandes possibilidades de "bons achados"
Alertado dos perigos naturais, basta agora usar o bom senso, presumivelmente presente nas mentes de boa parte dos aquaristas.
O primeiro item a ser observado é a questão da compatibilidade entre a espécie achada e o espaço a ela destinado em seu aquário: a menos que você possua um tanque externo ou um grande aquário aberto, não compensa arrancar do habitat natural uma planta enorme para ser colocada num pequeno aquário de poucos centímetros, apenas por curiosidade. Isso, além de um contra-senso, é anti-ecológico.
Consciente disso, passemos, então, a um pequeno roteiro que irá ajudá-lo bastante a cultivar a(s) nova(s) espécie(s) em aquário:
A água
Conhecer bem as características da água do local é extremamente importante. Turbidez, cor, temperatura, pH e, se possível, dureza, concentração dos compostos nitrogenados (amônia, nitrito e nitrato) e fosfatados irão determinar o tipo de água que você irá usar no aquário. Por isso, vá prevenido: leve um termômetro confiável e um kit de teste dos mais completos, e anote tudo.
Observar, também, os tipos de rochas e de cascalho presentes no local ajuda muito na avaliação das condições: rochas calcárias, por exemplo, podem indicar água neutra ou alcalina, e ligeiramente dura. E se você é do tipo detalhista, que não se contenta com poucas informações, poderá ainda coletar amostra da água e enviá-la para análise: algumas companhias fornecedoras de água potável mantém um serviço permanente de análise de amostras de água de poços artesianos, para comprovar a sua condição de consumo ou não.
A análise, nesses casos, é bastante completa, principalmente no que tange aos compostos nitrogenados e fosfatados. Utilizando o famoso "jeitinho brasileiro", talvez você consiga excelentes dados!
O fluxo da água
É um item importante, que muitas vezes é desprezado pela maioria. Algumas plantas não se dão bem em correnteza, preferindo os remansos, ou vice-versa. Para outras, aparentemente não faz muita diferença, mas as condições devem ser anotadas, para prevenir problemas futuros. Assim, temos, por exemplo, as Cabomba que não se dão muito bem em aquários com correnteza exagerada, por serem plantas de lagoa, ao contrário da maioria das Echinodorus, que tem preferência por uma boa movimentação na água, como nos riachos de onde elas vem.
O substrato
Algumas plantas, verdadeiramente aquáticas, por extraírem da água a maioria do que precisam em matéria de nutrientes, não são muito exigentes em relação à qualidade do substrato. Porém as plantas anfíbias e algumas palustres adaptáveis ao meio aquático dependem enormemente dos nutrientes do solo. Por isso, principalmente nesses casos, avalie bem o cascalho ou argila onde a planta está fixada quanto ao seu aspecto, granulação e possível composição. Cascalho médio, areia fina ou argila orgânica indicam condições muito diferentes entre si.
Se quiser ir mais fundo, colha amostras e encaminhe-as para um bom laboratório para análise: em algumas instituições públicas de apoio agrícola ou mesmo em universidades você poderá obter um boletim completo e detalhado sobre as percentagens dos nutrientes do solo que colheu.
A iluminação
Item também de grande importância, é preciso conhecer muito bem as preferências da planta quanto à luz. A posição em relação ao sol irá determinar o tipo de iluminação que ela deverá receber no aquário.
Observe se o exemplar encontrado está a céu aberto, recebendo luz solar o dia todo, ou se está parcialmente exposto, na margem de um riacho, ou, ainda, se está comodamente instalado sob a sombra de um bosque. Essa informação é extremamente importante para o sucesso ou não, a curto prazo, da planta em aquário: uma espécie que exige muita luz, plantada em aquário mal iluminado, irá definhar em poucos dias. Ao contrário, sob luz além do necessário, a planta terá seu crescimento interrompido e as folhas amareladas, também em curto espaço de tempo. Por isso, tente imitar as condições locais.
A "categoria" da planta
A identificação do tipo da planta hidrófila encontrada irá ajudá-lo, também, a decidir se vale ou não a pena levá-la para casa.
Como já vimos em outra oportunidade, classificamos as plantas aquáticas "aquaristicamente" nas seguintes categorias:
• aquáticas obrigatórias;
• aquáticas com folhas flutuantes;
• flutuantes obrigatórias;
• palustres adaptáveis ao meio aquático;
• palustres obrigatórias;
• anfíbias.
Se o aquário de destino for do tipo convencional, ou seja, embutido em móvel com tampa fechada, fica prejudicada a coleta de plantas flutuantes ou palustres obrigatórias, que necessitariam de um aquário aberto de médio ou grande porte, ou um tanque externo. Uma planta aquática com folhas flutuantes que tenha crescimento exagerado poderá sombrear demais e comprometer as já existentes em seu aquário. Vale lembrar, mais uma vez, a questão das dimensões finais da planta adulta, de qualquer dos tipos citados.
A imagem original
Se você for bom fotógrafo e dispuser de um bom equipamento fotográfico, não deixe de incluí-lo na bagagem, principalmente incluindo as lentes que tenham focalização "macro". O aspecto original da planta em seu habitat irá ajudá-lo a avaliar o desenvolvimento do exemplar colhido, depois de algum tempo no aquário. Se houver flores, melhor ainda, pois isso facilitará a identificação da espécie, se esta for desconhecida.
As companheiras de habitat
Havendo no local outras plantas aquáticas conhecidas, e sendo conhecidas também as suas exigências, fica bem mais fácil avaliar as reais necessidades da nova planta, uma vez que estas serão semelhantes. Observe, também, a presença de algas e qual o tipo: não deixe de anotar nenhum detalhe, mesmo que de início possa parecer sem importância.
Extração e transporte
Ao retirar a planta, tenha o máximo de cuidado para não danificá-la. Leve na bagagem uma pazinha do tipo usada em jardinagem para o caso de plantas com muitas raízes; neste caso evite amputar essa parte importante da planta: mesmo no caso de plantas que se reproduzem por repique do caule, formando novas raízes posteriormente, prefira levá-las com as "originais", diminuindo o "stress" do exemplar colhido.
E lembre-se: não vá promover uma "chacina" ecológica no local, destruindo tudo o que estiver em volta daquilo que lhe interessa. Seja cuidadoso, e cuide de deixar uma boa quantidade de exemplares intactos no local: a menos que só tenha um exemplar da planta encontrada, uns três indivíduos serão suficientes para você fazer as suas experiências em casa.
Para embalá-las, utilize sacos plásticos do tipo usado nas lojas para transportar peixes. Só não haverá necessidade de tanta água, que pode ser apenas em quantidade suficiente para manter as plantas hidratadas.
E finalizando, um pequeno mostruário de nossas "aventuras interioranas":




1 – Espécie palustre não identificada, emergindo entre salvínias e alfaces-d’água, cultivada sob luz intensa, com as folhas de aspecto coriáceo. Produz pequenas flores brancas com cinco pétalas bem abertas. Nada parecido com ela na literatura;
2 – Exemplar da mesma espécie, cultivada também emersa, mas em ambiente de luz moderada – observa-se a diferença de consistência das folhas nos dois casos. O cultivo submerso ainda está em fase experimental, mas já dá bons resultados. (Espécie coletada em riacho no interior do município de Ipatinga – MG);
3 – Hygrophila sp. (família Acanthaceae) emergindo de tanque externo, em plena floração. Espécie muito parecida com a nomáfila (H. corymbosa) porém muito maior, com folhas mais largas que chegam a atingir 20 cm de comprimento por 8 cm de largura na parte submersa. Um fato curioso é que debaixo d’água a folhas são maiores e de um verde-claro muito vivo, ao passo que ao emergirem tornam-se menores e com uma belíssima coloração vermelho-vinho. Adaptou-se espetacularmente em aquário sob iluminação moderada a intensa, tanto que veio para o tanque externo por estar escurecendo metade de meu aquário de 95 litros. Batizei-a de "nomáfila gigante". (Espécie proveniente do interior do Estado de Goiás);
4 – Espécie palustre não identificada, emergindo de tanque externo. Infelizmente, não há nada parecido com ela na literatura aquarística, e sua identificação talvez seja difícil. Produz pequeninas flores brancas dispostas em cacho na haste floral. As folhas lembram o formato das espécies do gênero Hygrophila, mas, ao contrário destas, só nasce uma folha em cada nó. Cultivada submersa sob luz intensa, definhou. Submersa em local mais sombreado, porém, está se desenvolvendo bem, até o momento. Possui muitas raízes adventícias de cor vermelho vivo nos nós submersos. (Espécie coletada às margens do Rio Santa Maria, no interior do município de Colatina – ES);
5 – Haste floral de espécie palustre obrigatória, que não se adaptou ao estado submerso. (Espécie coletada em riacho no Vale do Canaã, município de Santa Teresa – ES);



6 – Espécie palustre não identificada, submersa em aquário, sob luz intensa. Produz muitas raízes adventícias nos nós, de maneira semelhante às plantas do gênero Hygrophila, bem como gera novas plantas que brotam de folhas soltas na água. No aquário, mostrou-se extremamente exigente com relação às boas condições da água e em relação à iluminação;
7 – Exemplar da mesma espécie, emergindo e em plena floração. É pouco provável que seja uma Acantácea, pelas pequenas flores brancas dispostas em cacho, mas, mesmo assim, batizei-a de "higrófila branca". (Espécie enviada por colega aquarista do município de Governador Valadares – MG);
8 – Heteranthera reniformes (família Pontederiaceae), uma típica planta aquática com folhas flutuantes, em plena floração em aquário aberto;
9 – Detalhe das flores da mesma planta;
10 – A mesma espécie, submersa em aquário, onde tem que ser constantemente podada e replantada, por causa da forte tendência em emergir. Mas, vale o sacrifício, pelo belíssimo efeito decorativo que produz. (Espécie coletada em remanso no interior do município de Colatina – ES).
Artigo gentilmente cedido ao Aquablog por :
Miguel Angelo Pandini
Breve Histórico: Um dos pioneiros do Aquarismo Brasileiro, autor de inúmeros artigos em revistas de Aquarismo no final dos anos 80, articulista da extinta Revista Acqu@, além de possuir relevantes colaborações para o Aquarismo Plantado no Brasil, tendo material publicado em revistas estrangeiras.
Foi um dos grandes fundadores do “Aquarismo na Internet”.
Para saber mais sobre Miguel Pandini acesse : http://lescanjr.blogspot.com/2008/08/entrevista-com-miguel-pandini-nessa.html

Os Andares do Aquário

Os Andares do Aquário - por Miguel Angelo Pandini

Quando montamos nosso aquário comunitário (aquele com espécies diversas, e de diversas procedências, vivendo em harmonia), perceberemos, observando de maneira mais atenta que cada espécie manifesta uma certa preferência por determinados locais do tanque. Nem todos nadam por todo o aquário: alguns ficam quase o tempo todo "fuçando" o fundo, outros gostam mais do terço médio, e há os que preferem nadar mais junto à superfície. E há, ainda, os que não fazem a menor cerimônia: nadam por toda a parte, sem distinção.
Tal fato talvez não seja tão notado em aquários pequenos, de pouca altura, mas, quando temos uma lâmina d’água acima da cama com uns 35~40 cm ou mais já poderemos perceber as espécies ocupando seus espaços prediletos. Por isso, ao montarmos nosso aquário comunitário de porte médio ou grande devemos observar, além dos critérios da compatibilidade de tamanho, hábitos alimentares, pH, dureza e sociabilidade, também o de hábitos de natação, na hora da escolha dos nossos peixes. Mas, porque nos preocuparmos com esse assunto, a ponto de ser motivo desta matéria?
Em primeiro lugar, pelo aspecto visual: ficaria muito estranho um aquário bem plantado e bem equipado onde os peixes, em sua grande maioria e, na maior parte do tempo, permanecessem nadando quase que no mesmo local. Todo aquarista deseja que seu aquário seja um destaque, onde quer que ele esteja instalado. E o preenchimento de todos os espaços tem um peso grande nesse aspecto.
Em segundo lugar, e o mais importante, temos a questão dos hábitos alimentares: a grande maioria das rações que encontramos nas lojas é do tipo flutuante. Isto tende a criar uma certa dificuldade para algumas espécies que tem preferência pelo fundo do aquário, como o peixe-cobra (Acantophtalmus sp.) e a maioria dos loricarídeos (cascudos): com certeza, eles chagariam mesmo a passar fome se a ração permanecesse boiando, até se estragar. Por outro lado, a presença exclusiva de peixes de superfície acarretaria sérios problemas de equilíbrio biológico: apesar de se alimentarem com facilidade, provocariam a queda de pedacinhos de ração para os níveis mais baixos do aquário, com seus movimentos natatórios e com o boqueamento junto à superfície, que, sem quem os coma, apodreceriam no fundo, causando todos os problemas que já nos são conhecidos.
Daí a necessidade de selecionarmos grupos de espécies par

a todos os níveis do tanque. Além do mais, existem peixes que não fazem qualquer distinção de local para nadar, e devem ser sempre lembrados e cogitados para habitarem nosso aquário comunitário: é o caso da família Poecilidae, onde destacamos os guppies, espadas, platys e molinésias, em primeiro lugar no ranking "Os Grandes Xeretas do Aquários".
Portanto, ao adquirir seus peixes nas lojas, observe-os nos aquários de exposição e identifique seus hábitos natatórios, principalmente se se tratar de espécies desconhecidas. E, para ajudá-lo, faremos uma divisão imaginária do aquário em quatro níveis, como mostra a figura abaixo:

No nível 0 (zero) teríamos aqueles peixes que se arrastam pelo piso do aquário ou se elevam a poucos centímetros dele. No nível 1, os que preferem o terço inferior; e, consequentemente, nos níveis 2 e 3, os que nadam nos terços médio e superior (junto à superfície), respectivamente.
A seguir, uma pequena listagem de peixes bem conhecidos com seus níveis preferenciais, para que você, iniciante, possa ter seu aquário bonito, funcional e "bem freqüentado"!



Artigo gentilmente cedido ao Aquablog por : Miguel Angelo Pandini


Breve Histórico: Um dos pioneiros do Aquarismo Brasileiro, autor de inúmeros artigos em revistas de Aquarismo no final dos anos 80, articulista da extinta Revista Acqu@, além de possuir relevantes colaborações para o Aquarismo Plantado no Brasil, tendo material publicado em revistas estrangeiras. É também um dos grandes fundadores do “Aquarismo na Internet”.
Para saber mais sobre Miguel Pandini acesse : http://lescanjr.blogspot.com/2008/08/entrevista-com-miguel-pandini-nessa.html































segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Plantadão de 900 litros - 2,50x0,60x0,60m.


Faz um tempão que não atualizo o blog e aproveito a oportunidade para mostrar-lhes um plantadão que foi uma das minhas últimas montagens. Esse Aquário possui 2,5 metros de comprimento por 0,60 m. de largura e 0,60 m. de profundidade totalizando 900 litros brutos. Este aquário, quando cheio, ultrapassa facilmente 1,7 tonelada de peso.
Aquí está uma foto antes da montagem. Nessas alturas eu já havia colocado o substrato constituído por 10 baldes de Sera Floredepot de 4,700 kgs. cada (totalizando quase 48 quilos) e mais 180 quilos de areião de rio com granulometria entre 3 e 4 mm (grãos arredondados). A linha azul que vemos logo acima (no fundo do aquário) trata-se de um cano de pvc. de 3/4 pintado e todo perfurado para atuar como saída de água vinda do filtro (estilo flauta de canister) preso ao vidro por ventosas de aquecedor.
Fora isso não podemos deixar de destacar o tronco constituído por uma enorme raiz de aroeira pesando cerca de 30 quilos e tendo uma envergadura de cerca de 1,20 mts. de comprimento com altura média de 60 cm e que por pouco quase que não coube no aquário...
Nesse etapa demos início ao plantio do carpete, constituído por centenas de mudas de Eleocharis minima, plantadas uma a uma com o auxílio de uma pinça.A água foi sendo introduzida pouco a pouco a fim de que o solo se acomodasse e facilitasse o plantio, conforme podem ver na foto acima. Esse trabalho consumiu cerca de 4 horas, mas a maior dificuldade foi mesmo a de ficar debruçado sobre o aquário em cima de cadeiras realizando o trabalho...não preciso nem dizer que minha coluna foi para o espaço, né ? Mas fazer o que ? São ossos do ofício e algo que eu faria quantas vezes pudesse, pois me considero um privilegiado por conseguir aliar trabalho e prazer !
As iluminação utilizada na montagem são 4 hqis. de 150 watts cada e 6400 k de temperatura de cor. Os spots foram previamente instalados na parede, antes da colocação do aquário, bem como, o móvel foi feito todo em granito, para suportar tamanho peso.
Aquí vemos o aquário já plantado, pronto para receber outros equipamentos, tais como a injeção do CO2 e o sistema de filtragem. Aquí dá para perceber que a água ainda está turva.


Esse é o aquário já plantado, cerca de 30 dias depois, em processo de estabilização. No início eram feitas trocas de água diárias de cerca de 50% (pasmem...) pois as algas insistiam em dominar...no entanto, com muito custo e uma tremenda força de vontade do proprietário (a quem tiro o meu chapéu) esses problemas foram contornados e hoje as trocas de água resumem-se em 25% a cada 20 dias e o aquário está totalmente estabilizado, constituindo-se em um verdadeiro jardim aquático em plena sala de jantar.

O sistema de filtragem utilizado foi um filtro pressurizado (para lagos) do tipo T-11 - da Sera que conta com um sistemaUV embutido. Achamos mais viável a instalação de um filtro para lagos, ao invés de dois canisters e mantivemos o fluxo baixo (2.300 l/) para o tamanho do aquário, tendo em vista tratar-se de um plantado, tomando o devido cuidado para que não houvesse um grande turbilhonamento da água e consequente desprendimento do CO2 nela dissolvido.

Para optimizar ainda mais o desprendimento do CO2, fizemos duas saídas do cilindro, através de um bico apropriado, comprado nessas lojas de mangueiras de alta pressão e dividimos o CO2 que sai do cilindro de 6 litros para dois pontos distintos do aquário, a fim de que houvesse uma melhor distribuição do mesmo em todos os pontos.

Nesses pontos instalamos dois Sera CO2 Reactor que é um cilindro plástico próprio para fazer a mistura do CO2 com a água evitando as perdas causadas pelo arrebentamento de bolhas na superfície. Nesse pricípio o gás entra dentro do tubo e sobe, encontrando um fluxo de água descendente que faz com que ele se mantenha no centro do tubo até sua completa dissolução. Reparem que existem duas mangueiras que entram nos reatores - uma deles traz o CO2 e outra ligada a uma bomba Via Aqua de 280 l/h promove a descida da água que dissolve o gás. A injeção dentro de cada reator ficou na casa de uma bolha por segundo.

A flora, conforme podem ver, traz diversas plantas, destacando-se o carpete de Eleocharis minima, Echinodorus Paul Klochner, Cyperus Helferi, Mayacas, Rotalas, Didiplis, Microssorium, etc...
O fotoperíodo é de dez horas com lâmpadas controladas através de timer e as fertilizações líquidas são feitas a cada 20 dias com Green & Grow da Mydor, que em minha modesta opinião é um dos melhores e mais baratos fertilizantes líquidos a venda no Brasil.
O carpete teve um crescimento muito rápido, assim como todas as demais plantas. Hoje o aquário já está bem mais bonito, decorridos quase 3 meses dessas fotos, já tendo recebido diversas podas e em breve colocarei mais fotos para acompanharmos a evolução do mesmo




Fiquei realmente impressionado com a beleza desse tronco...simplesmente magnifico, tanto é que, até quando o aquário ainda estava sem plantas ele se destacava imensamente.

Espero que tenham gostado !

Abraço a todos,

do seu editor Aquablog.

sábado, 25 de outubro de 2008

Um pouco sobre Jack Wattley

O dia em que conhecí o Sr. Jack Wattley

O Mundo está cheio de sonhadores... graças a Deus! E para o progresso do Mundo nasceram estes Inconformistas !Onde estaríamos se não houvessem existido um Thomas Edson, um Alexander Graham Bells e um Jack Wattley ?
Jack Wattley? Quem é Jack Wattley? Se você não sabe quem é Jack Wattley, então não deve estar familiarizado com o Fabulosos Discos.
Disco ?
O que é um Disco ?
Bom, se você não sabe o que é um disco, então, com certeza não conhece o Mundo Aquarístico!
Disco variedade Red Melon
O Disco é um peixe redondo, achatado, encontrado no Rio Amazonas e sistemas fluviais do norte da América do Sul, principalmente no Brasil.Um dos peixes mais caros dos aquários comuns (de água doce), um dos mais cobiçados e durante muitos anos um dos mais dofíceis de se reproduzir em cativeiro.
A maioria dos criadores contentavam-se apenas em serem capazes de obter a reprodução desses peixes bastante sensíveis, mas um homem, um dia sonhou em estuda-los a fundo, conhecer sua genética e reproduzir linhagens de discos coloridos nunca antes vistos,o que causou profunda admiração e inveja em todo o Mundo Aquarístico. Seus olhos procuraram uma beleza que somente ele poderia imaginar e borboletas e orquídeas serviram de inspiração para alcançar às cores de seus sonhos em um peixe e através de um trabalho de mais de 20 anos, seu sonho tornou-se em realidade.

Disco variedade Siam Yellow Master
Jack Wattley não só coletou diversas variedades de Discos na América do Sul, mas conseguiu também fixar padrões de cores e tonalidades incríveis através da obtenção e aprimoramento de "machos dominantes".
Wattley manipulou seus genes da mesma forma que um Artista manipula um pincel e sua recompensa, além da realização de seu grande sonho foi a de ter se tornado o mais famoso e renomado criador de Acará Disco de todo o Mundo.
Disco variedade Brilliant Blue Diamond
Quem pesquisou um pouco sobre o Disco, certamente já ouviu falar de Jack Wattley e suas inúmeras palestras, livros, concursos em que participou como jurado e artigos técnicos publicados em todo o Mundo.
Através de brilhantes participações em eventos e trabalhos significativos realizados nos EUA, Japão, Canadá, Nova Zelandia, Singapura, América do Sul, etc..este Mestre dos Discos esteve sempre na vanguarda do Aquarismo Mundial quando o assunto é Acará Disco.
Para se ter uma idéia de sua influência no assunto, a enorme febre e crescimento das criações do Acará Disco no Japão, deve-se às suas visitas em 1980 e 1997, onde conquistou o respeito e a admiração do povo japonês pelo seu excelente trabalho.
Sr. Jack Wattley e Lescanjr -Brasil - agosto de 2008
Suas sábias palavras sobre os métodos de criação desse peixe vêm sempre permeadas de cativante mistério, assim como a inigualável beleza do peixe que ele conseguiu tão bem reproduzir.
Esse é Jack Wattley!
Texto de autoria de Mitsuru Hirose
traduzido e adaptado por Lescanjr - Editor Aquablog