sexta-feira, 10 de julho de 2009

1° Curso sobre Montagem e Manutenção de Lagos Ornamentais


Ministrado pelos profissionais Lescano Junior, Eiti Yamazaki e o Doutor Rodrigo Mabília especialista em alimentação, nutrição e sanidade de animais aquáticos.

Aberto a todos os profissionais do ramo e hobbystas:
Data: 17 de Outubro de 2009(Sábado)
Horário: 9:00 às 18:00 hrs

Local Hotel Premiun Norte, maiores informações clique aqui!

Valor do ingresso- R$ 45,00
Vagas super limitadas.
Incluindo um delicioso Coffe Break, sorteio de vários produtos e distribuição de brindes para todos os participantes.



Grade Completa de Assuntos a serem ministrados :
  • Definição
  • Tipos de Lagos
  • Aspectos e Materiais Construtivos
  • Liners
  • Escolha de rochas e outros materiais
  • Materiais para Revestimentos e Impermeabilizações
  • Lagos Pré fabricados
  • Hidráulicas em Lagos Ornamentais
  • Sistemas de Drenagem
  • Aspectos Geológicos
  • Fatores Externos que podem influenciar na construção e manutenção de lagos ornamentais
  • Otimização de Capacidade
  • Sistemas de Filtragem
  • Tipos de Filtros (industrializados)
  • Algas e Cianobactérias(Prevenção e Combate)
  • Mitos e Realidades sobre a Filtragem Mecânica
  • Mitos e Realidades sobre a Filtragem Biológica
  • Mitos e Realidades sobre a Filtragem Química
  • Mitos e Realidades sobre a Esterelização Ultra Violeta
  • Estações de Tratamento de Água e Efluentes
  • Cinética da Nitrificação - Sistemas de Desnitrifição
  • Dimensionamento de Filtragem
  • Química da Água
  • Importância dos Testes de Água
  • Apresentação de Orçamentos e Projetos ao Cliente
  • Sugestões de Projetos para Pequenos e Médios Espaços
  • Noções de Desenho Técnico em Lagos Ornamentais
  • Emprego de Plantas Aquáticas e não Aquáticas em Lagos Ornamentais
  • Lagos com Plantas & Lagos Plantados
  • Espelhos d'água - Cortinas d'água
  • Dimensionamento e construção de cascatas
  • Peixes para Lagos
  • Peixes de Água Fria (Carpas e Kinguios)
  • Introdução aos Nishikigois
  • Alimentação e Nutrição de Peixes Ornamentais
  • Principais Doenças dos Peixes Ornamentais
  • Prevenção e Tratamento de Doenças em Peixes Ornamentais
  • Slides com trabalhos realizados
  • Programação:
  • 09:00hs - Apresentação
  • 09:20hs - Palestrante Lescano Junior.
  • 12:00hs - Intervalo para almoço.
  • 13:00hs - Palestrante Eiti Yamazaki.
  • 15:30hs - Intervalo para Coffe Break(Incluido como cortesia)
  • 16:00hs - Palestrante Doutor Rodrigo Mabília.
  • 18:00hs - Sorteios e encerramento.

    Apoio :
  • Aquarium Group - http://www.aquariumgroup.com.br/ - site em reformulação
  • Revista Aquamagazine - http://www.aquamagazine.com.br/
  • Associação Brasileira de Nishikigoi - site em construção
Realização :


  • Aquários Sol Nascente - http://www.aquasn.com.br/
  • Maiores informações : contato@aquasn.com.br ou pelo telefone 019-3278-2510
  • Caso você queira participar deste curso e fazer sua inscrição é só passar as seguintes informações para o email da empresa, contato@aquasn.com.br.
    Nome completo-
    Endereço-
    Telefone de contato(fixo e celular)-
    Email-
Dados para depósito:
  • BANCO DO BRASIL
    Agência: 3553-X
    Conta corrente: 20872-8
    Favorecido: LUCI MITIKO KUWABATA ME
    CNPJ: 08.606.310/0001-66
  • BRADESCO
    Agência: 2646-8
    Conta corrente 13698-0
    Favorecido: LUCI MITIKO KUWABATA ME
    CNPJ: 08.606.310/0001-66
  • ITAU
    Agência: 4458
    Conta corrente: 01333-3
    Favorecido: PAULO YUGO KAI e/ou LUCI MITIKO KUWABATA
  • Após a efetuação do depósito ou transferência solicitamos que entre em contato com a nossa empresa através do telefone 19-3201.6937 ou pelo e-mail financeiro@aquasn.com.br informando o nome, telefone, o banco, a data e o valor depositados para que possamos confirmar o pagamento.
  • Link para dúvidas e esclarecimentos,
    Clique AQUI!!
Contamos com sua presença.

Seu Editor Aquablog



O RESULTADO :

Unindo profissionais do ramo e hobbystas de diversas partes do País, o 1º Curso sobre Montagem e Manutenção de Lagos Ornamentais em Campinas-SP, foi um sucesso absoluto.


O auditório ficou totalmente lotado e muita gente que deixou para reservar ingresso para os últimos dias, ficou sem lugar, infelizmente.

Agradecemos o apoio de todos e em breve estaremos agendando um segundo Curso, num auditório bem maior (que comporte pelo menos umas 300 pessoas).

 











Agradeço de coração a todos que participaram e também aos que não puderam vir.

Abraço do seu Editor Aquablog

domingo, 1 de março de 2009

Coletando Plantas Aquáticas na Natureza

Coletando plantas aquáticas na Natureza - por Miguel Pandini
A paixão por plantas aquáticas muitas vezes faz extrapolar o comportamento "normal" de um aquarista em busca de espécies novas, seja por falta de opções nas lojas, ou mesmo por puro espírito de aventura. A oportunidade de coletar plantas em seu habitat natural, mesmo as já conhecidas, é uma experiência gratificante, haja visto o grande número de espécies nativas de nosso país, mas deve-se atentar para alguns detalhes, tanto para o sucesso da empreitada, como para a segurança do próprio aquarista.
Os possíveis locais devem ser bem escolhidos: rios de cidades grandes, extremamente poluídos, dão poucas chances de se encontrar alguma coisa a mais do que aguapés, por exemplo. Em visitas a sítios no interior, excursões ecológicas, e em demais eventos do gênero, as possibilidades crescem bastante. Margens de riachos, lagoas, brejos ou pequenas represas podem trazer boas surpresas. Mas é preciso tomar alguns cuidados no que se refere à qualidade da água e, também, em relação à fauna local: águas malcheirosas e insalubres podem trazer problemas de saúde para quem as frequenta; e mais: locais próximos a cursos d’água são pontos prediletos de animais perigosos, como cobras e sapos venenosos, por exemplo (quanto mais colorido for um sapo ou uma salamandra, mais longe você deve ficar deles!).






















Exemplo de local com grandes possibilidades de "bons achados"
Alertado dos perigos naturais, basta agora usar o bom senso, presumivelmente presente nas mentes de boa parte dos aquaristas.
O primeiro item a ser observado é a questão da compatibilidade entre a espécie achada e o espaço a ela destinado em seu aquário: a menos que você possua um tanque externo ou um grande aquário aberto, não compensa arrancar do habitat natural uma planta enorme para ser colocada num pequeno aquário de poucos centímetros, apenas por curiosidade. Isso, além de um contra-senso, é anti-ecológico.
Consciente disso, passemos, então, a um pequeno roteiro que irá ajudá-lo bastante a cultivar a(s) nova(s) espécie(s) em aquário:
A água
Conhecer bem as características da água do local é extremamente importante. Turbidez, cor, temperatura, pH e, se possível, dureza, concentração dos compostos nitrogenados (amônia, nitrito e nitrato) e fosfatados irão determinar o tipo de água que você irá usar no aquário. Por isso, vá prevenido: leve um termômetro confiável e um kit de teste dos mais completos, e anote tudo.
Observar, também, os tipos de rochas e de cascalho presentes no local ajuda muito na avaliação das condições: rochas calcárias, por exemplo, podem indicar água neutra ou alcalina, e ligeiramente dura. E se você é do tipo detalhista, que não se contenta com poucas informações, poderá ainda coletar amostra da água e enviá-la para análise: algumas companhias fornecedoras de água potável mantém um serviço permanente de análise de amostras de água de poços artesianos, para comprovar a sua condição de consumo ou não.
A análise, nesses casos, é bastante completa, principalmente no que tange aos compostos nitrogenados e fosfatados. Utilizando o famoso "jeitinho brasileiro", talvez você consiga excelentes dados!
O fluxo da água
É um item importante, que muitas vezes é desprezado pela maioria. Algumas plantas não se dão bem em correnteza, preferindo os remansos, ou vice-versa. Para outras, aparentemente não faz muita diferença, mas as condições devem ser anotadas, para prevenir problemas futuros. Assim, temos, por exemplo, as Cabomba que não se dão muito bem em aquários com correnteza exagerada, por serem plantas de lagoa, ao contrário da maioria das Echinodorus, que tem preferência por uma boa movimentação na água, como nos riachos de onde elas vem.
O substrato
Algumas plantas, verdadeiramente aquáticas, por extraírem da água a maioria do que precisam em matéria de nutrientes, não são muito exigentes em relação à qualidade do substrato. Porém as plantas anfíbias e algumas palustres adaptáveis ao meio aquático dependem enormemente dos nutrientes do solo. Por isso, principalmente nesses casos, avalie bem o cascalho ou argila onde a planta está fixada quanto ao seu aspecto, granulação e possível composição. Cascalho médio, areia fina ou argila orgânica indicam condições muito diferentes entre si.
Se quiser ir mais fundo, colha amostras e encaminhe-as para um bom laboratório para análise: em algumas instituições públicas de apoio agrícola ou mesmo em universidades você poderá obter um boletim completo e detalhado sobre as percentagens dos nutrientes do solo que colheu.
A iluminação
Item também de grande importância, é preciso conhecer muito bem as preferências da planta quanto à luz. A posição em relação ao sol irá determinar o tipo de iluminação que ela deverá receber no aquário.
Observe se o exemplar encontrado está a céu aberto, recebendo luz solar o dia todo, ou se está parcialmente exposto, na margem de um riacho, ou, ainda, se está comodamente instalado sob a sombra de um bosque. Essa informação é extremamente importante para o sucesso ou não, a curto prazo, da planta em aquário: uma espécie que exige muita luz, plantada em aquário mal iluminado, irá definhar em poucos dias. Ao contrário, sob luz além do necessário, a planta terá seu crescimento interrompido e as folhas amareladas, também em curto espaço de tempo. Por isso, tente imitar as condições locais.
A "categoria" da planta
A identificação do tipo da planta hidrófila encontrada irá ajudá-lo, também, a decidir se vale ou não a pena levá-la para casa.
Como já vimos em outra oportunidade, classificamos as plantas aquáticas "aquaristicamente" nas seguintes categorias:
• aquáticas obrigatórias;
• aquáticas com folhas flutuantes;
• flutuantes obrigatórias;
• palustres adaptáveis ao meio aquático;
• palustres obrigatórias;
• anfíbias.
Se o aquário de destino for do tipo convencional, ou seja, embutido em móvel com tampa fechada, fica prejudicada a coleta de plantas flutuantes ou palustres obrigatórias, que necessitariam de um aquário aberto de médio ou grande porte, ou um tanque externo. Uma planta aquática com folhas flutuantes que tenha crescimento exagerado poderá sombrear demais e comprometer as já existentes em seu aquário. Vale lembrar, mais uma vez, a questão das dimensões finais da planta adulta, de qualquer dos tipos citados.
A imagem original
Se você for bom fotógrafo e dispuser de um bom equipamento fotográfico, não deixe de incluí-lo na bagagem, principalmente incluindo as lentes que tenham focalização "macro". O aspecto original da planta em seu habitat irá ajudá-lo a avaliar o desenvolvimento do exemplar colhido, depois de algum tempo no aquário. Se houver flores, melhor ainda, pois isso facilitará a identificação da espécie, se esta for desconhecida.
As companheiras de habitat
Havendo no local outras plantas aquáticas conhecidas, e sendo conhecidas também as suas exigências, fica bem mais fácil avaliar as reais necessidades da nova planta, uma vez que estas serão semelhantes. Observe, também, a presença de algas e qual o tipo: não deixe de anotar nenhum detalhe, mesmo que de início possa parecer sem importância.
Extração e transporte
Ao retirar a planta, tenha o máximo de cuidado para não danificá-la. Leve na bagagem uma pazinha do tipo usada em jardinagem para o caso de plantas com muitas raízes; neste caso evite amputar essa parte importante da planta: mesmo no caso de plantas que se reproduzem por repique do caule, formando novas raízes posteriormente, prefira levá-las com as "originais", diminuindo o "stress" do exemplar colhido.
E lembre-se: não vá promover uma "chacina" ecológica no local, destruindo tudo o que estiver em volta daquilo que lhe interessa. Seja cuidadoso, e cuide de deixar uma boa quantidade de exemplares intactos no local: a menos que só tenha um exemplar da planta encontrada, uns três indivíduos serão suficientes para você fazer as suas experiências em casa.
Para embalá-las, utilize sacos plásticos do tipo usado nas lojas para transportar peixes. Só não haverá necessidade de tanta água, que pode ser apenas em quantidade suficiente para manter as plantas hidratadas.
E finalizando, um pequeno mostruário de nossas "aventuras interioranas":




1 – Espécie palustre não identificada, emergindo entre salvínias e alfaces-d’água, cultivada sob luz intensa, com as folhas de aspecto coriáceo. Produz pequenas flores brancas com cinco pétalas bem abertas. Nada parecido com ela na literatura;
2 – Exemplar da mesma espécie, cultivada também emersa, mas em ambiente de luz moderada – observa-se a diferença de consistência das folhas nos dois casos. O cultivo submerso ainda está em fase experimental, mas já dá bons resultados. (Espécie coletada em riacho no interior do município de Ipatinga – MG);
3 – Hygrophila sp. (família Acanthaceae) emergindo de tanque externo, em plena floração. Espécie muito parecida com a nomáfila (H. corymbosa) porém muito maior, com folhas mais largas que chegam a atingir 20 cm de comprimento por 8 cm de largura na parte submersa. Um fato curioso é que debaixo d’água a folhas são maiores e de um verde-claro muito vivo, ao passo que ao emergirem tornam-se menores e com uma belíssima coloração vermelho-vinho. Adaptou-se espetacularmente em aquário sob iluminação moderada a intensa, tanto que veio para o tanque externo por estar escurecendo metade de meu aquário de 95 litros. Batizei-a de "nomáfila gigante". (Espécie proveniente do interior do Estado de Goiás);
4 – Espécie palustre não identificada, emergindo de tanque externo. Infelizmente, não há nada parecido com ela na literatura aquarística, e sua identificação talvez seja difícil. Produz pequeninas flores brancas dispostas em cacho na haste floral. As folhas lembram o formato das espécies do gênero Hygrophila, mas, ao contrário destas, só nasce uma folha em cada nó. Cultivada submersa sob luz intensa, definhou. Submersa em local mais sombreado, porém, está se desenvolvendo bem, até o momento. Possui muitas raízes adventícias de cor vermelho vivo nos nós submersos. (Espécie coletada às margens do Rio Santa Maria, no interior do município de Colatina – ES);
5 – Haste floral de espécie palustre obrigatória, que não se adaptou ao estado submerso. (Espécie coletada em riacho no Vale do Canaã, município de Santa Teresa – ES);



6 – Espécie palustre não identificada, submersa em aquário, sob luz intensa. Produz muitas raízes adventícias nos nós, de maneira semelhante às plantas do gênero Hygrophila, bem como gera novas plantas que brotam de folhas soltas na água. No aquário, mostrou-se extremamente exigente com relação às boas condições da água e em relação à iluminação;
7 – Exemplar da mesma espécie, emergindo e em plena floração. É pouco provável que seja uma Acantácea, pelas pequenas flores brancas dispostas em cacho, mas, mesmo assim, batizei-a de "higrófila branca". (Espécie enviada por colega aquarista do município de Governador Valadares – MG);
8 – Heteranthera reniformes (família Pontederiaceae), uma típica planta aquática com folhas flutuantes, em plena floração em aquário aberto;
9 – Detalhe das flores da mesma planta;
10 – A mesma espécie, submersa em aquário, onde tem que ser constantemente podada e replantada, por causa da forte tendência em emergir. Mas, vale o sacrifício, pelo belíssimo efeito decorativo que produz. (Espécie coletada em remanso no interior do município de Colatina – ES).
Artigo gentilmente cedido ao Aquablog por :
Miguel Angelo Pandini
Breve Histórico: Um dos pioneiros do Aquarismo Brasileiro, autor de inúmeros artigos em revistas de Aquarismo no final dos anos 80, articulista da extinta Revista Acqu@, além de possuir relevantes colaborações para o Aquarismo Plantado no Brasil, tendo material publicado em revistas estrangeiras.
Foi um dos grandes fundadores do “Aquarismo na Internet”.
Para saber mais sobre Miguel Pandini acesse : http://lescanjr.blogspot.com/2008/08/entrevista-com-miguel-pandini-nessa.html

Os Andares do Aquário

Os Andares do Aquário - por Miguel Angelo Pandini

Quando montamos nosso aquário comunitário (aquele com espécies diversas, e de diversas procedências, vivendo em harmonia), perceberemos, observando de maneira mais atenta que cada espécie manifesta uma certa preferência por determinados locais do tanque. Nem todos nadam por todo o aquário: alguns ficam quase o tempo todo "fuçando" o fundo, outros gostam mais do terço médio, e há os que preferem nadar mais junto à superfície. E há, ainda, os que não fazem a menor cerimônia: nadam por toda a parte, sem distinção.
Tal fato talvez não seja tão notado em aquários pequenos, de pouca altura, mas, quando temos uma lâmina d’água acima da cama com uns 35~40 cm ou mais já poderemos perceber as espécies ocupando seus espaços prediletos. Por isso, ao montarmos nosso aquário comunitário de porte médio ou grande devemos observar, além dos critérios da compatibilidade de tamanho, hábitos alimentares, pH, dureza e sociabilidade, também o de hábitos de natação, na hora da escolha dos nossos peixes. Mas, porque nos preocuparmos com esse assunto, a ponto de ser motivo desta matéria?
Em primeiro lugar, pelo aspecto visual: ficaria muito estranho um aquário bem plantado e bem equipado onde os peixes, em sua grande maioria e, na maior parte do tempo, permanecessem nadando quase que no mesmo local. Todo aquarista deseja que seu aquário seja um destaque, onde quer que ele esteja instalado. E o preenchimento de todos os espaços tem um peso grande nesse aspecto.
Em segundo lugar, e o mais importante, temos a questão dos hábitos alimentares: a grande maioria das rações que encontramos nas lojas é do tipo flutuante. Isto tende a criar uma certa dificuldade para algumas espécies que tem preferência pelo fundo do aquário, como o peixe-cobra (Acantophtalmus sp.) e a maioria dos loricarídeos (cascudos): com certeza, eles chagariam mesmo a passar fome se a ração permanecesse boiando, até se estragar. Por outro lado, a presença exclusiva de peixes de superfície acarretaria sérios problemas de equilíbrio biológico: apesar de se alimentarem com facilidade, provocariam a queda de pedacinhos de ração para os níveis mais baixos do aquário, com seus movimentos natatórios e com o boqueamento junto à superfície, que, sem quem os coma, apodreceriam no fundo, causando todos os problemas que já nos são conhecidos.
Daí a necessidade de selecionarmos grupos de espécies par

a todos os níveis do tanque. Além do mais, existem peixes que não fazem qualquer distinção de local para nadar, e devem ser sempre lembrados e cogitados para habitarem nosso aquário comunitário: é o caso da família Poecilidae, onde destacamos os guppies, espadas, platys e molinésias, em primeiro lugar no ranking "Os Grandes Xeretas do Aquários".
Portanto, ao adquirir seus peixes nas lojas, observe-os nos aquários de exposição e identifique seus hábitos natatórios, principalmente se se tratar de espécies desconhecidas. E, para ajudá-lo, faremos uma divisão imaginária do aquário em quatro níveis, como mostra a figura abaixo:

No nível 0 (zero) teríamos aqueles peixes que se arrastam pelo piso do aquário ou se elevam a poucos centímetros dele. No nível 1, os que preferem o terço inferior; e, consequentemente, nos níveis 2 e 3, os que nadam nos terços médio e superior (junto à superfície), respectivamente.
A seguir, uma pequena listagem de peixes bem conhecidos com seus níveis preferenciais, para que você, iniciante, possa ter seu aquário bonito, funcional e "bem freqüentado"!



Artigo gentilmente cedido ao Aquablog por : Miguel Angelo Pandini


Breve Histórico: Um dos pioneiros do Aquarismo Brasileiro, autor de inúmeros artigos em revistas de Aquarismo no final dos anos 80, articulista da extinta Revista Acqu@, além de possuir relevantes colaborações para o Aquarismo Plantado no Brasil, tendo material publicado em revistas estrangeiras. É também um dos grandes fundadores do “Aquarismo na Internet”.
Para saber mais sobre Miguel Pandini acesse : http://lescanjr.blogspot.com/2008/08/entrevista-com-miguel-pandini-nessa.html































segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Plantadão de 900 litros - 2,50x0,60x0,60m.


Faz um tempão que não atualizo o blog e aproveito a oportunidade para mostrar-lhes um plantadão que foi uma das minhas últimas montagens. Esse Aquário possui 2,5 metros de comprimento por 0,60 m. de largura e 0,60 m. de profundidade totalizando 900 litros brutos. Este aquário, quando cheio, ultrapassa facilmente 1,7 tonelada de peso.
Aquí está uma foto antes da montagem. Nessas alturas eu já havia colocado o substrato constituído por 10 baldes de Sera Floredepot de 4,700 kgs. cada (totalizando quase 48 quilos) e mais 180 quilos de areião de rio com granulometria entre 3 e 4 mm (grãos arredondados). A linha azul que vemos logo acima (no fundo do aquário) trata-se de um cano de pvc. de 3/4 pintado e todo perfurado para atuar como saída de água vinda do filtro (estilo flauta de canister) preso ao vidro por ventosas de aquecedor.
Fora isso não podemos deixar de destacar o tronco constituído por uma enorme raiz de aroeira pesando cerca de 30 quilos e tendo uma envergadura de cerca de 1,20 mts. de comprimento com altura média de 60 cm e que por pouco quase que não coube no aquário...
Nesse etapa demos início ao plantio do carpete, constituído por centenas de mudas de Eleocharis minima, plantadas uma a uma com o auxílio de uma pinça.A água foi sendo introduzida pouco a pouco a fim de que o solo se acomodasse e facilitasse o plantio, conforme podem ver na foto acima. Esse trabalho consumiu cerca de 4 horas, mas a maior dificuldade foi mesmo a de ficar debruçado sobre o aquário em cima de cadeiras realizando o trabalho...não preciso nem dizer que minha coluna foi para o espaço, né ? Mas fazer o que ? São ossos do ofício e algo que eu faria quantas vezes pudesse, pois me considero um privilegiado por conseguir aliar trabalho e prazer !
As iluminação utilizada na montagem são 4 hqis. de 150 watts cada e 6400 k de temperatura de cor. Os spots foram previamente instalados na parede, antes da colocação do aquário, bem como, o móvel foi feito todo em granito, para suportar tamanho peso.
Aquí vemos o aquário já plantado, pronto para receber outros equipamentos, tais como a injeção do CO2 e o sistema de filtragem. Aquí dá para perceber que a água ainda está turva.


Esse é o aquário já plantado, cerca de 30 dias depois, em processo de estabilização. No início eram feitas trocas de água diárias de cerca de 50% (pasmem...) pois as algas insistiam em dominar...no entanto, com muito custo e uma tremenda força de vontade do proprietário (a quem tiro o meu chapéu) esses problemas foram contornados e hoje as trocas de água resumem-se em 25% a cada 20 dias e o aquário está totalmente estabilizado, constituindo-se em um verdadeiro jardim aquático em plena sala de jantar.

O sistema de filtragem utilizado foi um filtro pressurizado (para lagos) do tipo T-11 - da Sera que conta com um sistemaUV embutido. Achamos mais viável a instalação de um filtro para lagos, ao invés de dois canisters e mantivemos o fluxo baixo (2.300 l/) para o tamanho do aquário, tendo em vista tratar-se de um plantado, tomando o devido cuidado para que não houvesse um grande turbilhonamento da água e consequente desprendimento do CO2 nela dissolvido.

Para optimizar ainda mais o desprendimento do CO2, fizemos duas saídas do cilindro, através de um bico apropriado, comprado nessas lojas de mangueiras de alta pressão e dividimos o CO2 que sai do cilindro de 6 litros para dois pontos distintos do aquário, a fim de que houvesse uma melhor distribuição do mesmo em todos os pontos.

Nesses pontos instalamos dois Sera CO2 Reactor que é um cilindro plástico próprio para fazer a mistura do CO2 com a água evitando as perdas causadas pelo arrebentamento de bolhas na superfície. Nesse pricípio o gás entra dentro do tubo e sobe, encontrando um fluxo de água descendente que faz com que ele se mantenha no centro do tubo até sua completa dissolução. Reparem que existem duas mangueiras que entram nos reatores - uma deles traz o CO2 e outra ligada a uma bomba Via Aqua de 280 l/h promove a descida da água que dissolve o gás. A injeção dentro de cada reator ficou na casa de uma bolha por segundo.

A flora, conforme podem ver, traz diversas plantas, destacando-se o carpete de Eleocharis minima, Echinodorus Paul Klochner, Cyperus Helferi, Mayacas, Rotalas, Didiplis, Microssorium, etc...
O fotoperíodo é de dez horas com lâmpadas controladas através de timer e as fertilizações líquidas são feitas a cada 20 dias com Green & Grow da Mydor, que em minha modesta opinião é um dos melhores e mais baratos fertilizantes líquidos a venda no Brasil.
O carpete teve um crescimento muito rápido, assim como todas as demais plantas. Hoje o aquário já está bem mais bonito, decorridos quase 3 meses dessas fotos, já tendo recebido diversas podas e em breve colocarei mais fotos para acompanharmos a evolução do mesmo




Fiquei realmente impressionado com a beleza desse tronco...simplesmente magnifico, tanto é que, até quando o aquário ainda estava sem plantas ele se destacava imensamente.

Espero que tenham gostado !

Abraço a todos,

do seu editor Aquablog.

sábado, 25 de outubro de 2008

Um pouco sobre Jack Wattley

O dia em que conhecí o Sr. Jack Wattley

O Mundo está cheio de sonhadores... graças a Deus! E para o progresso do Mundo nasceram estes Inconformistas !Onde estaríamos se não houvessem existido um Thomas Edson, um Alexander Graham Bells e um Jack Wattley ?
Jack Wattley? Quem é Jack Wattley? Se você não sabe quem é Jack Wattley, então não deve estar familiarizado com o Fabulosos Discos.
Disco ?
O que é um Disco ?
Bom, se você não sabe o que é um disco, então, com certeza não conhece o Mundo Aquarístico!
Disco variedade Red Melon
O Disco é um peixe redondo, achatado, encontrado no Rio Amazonas e sistemas fluviais do norte da América do Sul, principalmente no Brasil.Um dos peixes mais caros dos aquários comuns (de água doce), um dos mais cobiçados e durante muitos anos um dos mais dofíceis de se reproduzir em cativeiro.
A maioria dos criadores contentavam-se apenas em serem capazes de obter a reprodução desses peixes bastante sensíveis, mas um homem, um dia sonhou em estuda-los a fundo, conhecer sua genética e reproduzir linhagens de discos coloridos nunca antes vistos,o que causou profunda admiração e inveja em todo o Mundo Aquarístico. Seus olhos procuraram uma beleza que somente ele poderia imaginar e borboletas e orquídeas serviram de inspiração para alcançar às cores de seus sonhos em um peixe e através de um trabalho de mais de 20 anos, seu sonho tornou-se em realidade.

Disco variedade Siam Yellow Master
Jack Wattley não só coletou diversas variedades de Discos na América do Sul, mas conseguiu também fixar padrões de cores e tonalidades incríveis através da obtenção e aprimoramento de "machos dominantes".
Wattley manipulou seus genes da mesma forma que um Artista manipula um pincel e sua recompensa, além da realização de seu grande sonho foi a de ter se tornado o mais famoso e renomado criador de Acará Disco de todo o Mundo.
Disco variedade Brilliant Blue Diamond
Quem pesquisou um pouco sobre o Disco, certamente já ouviu falar de Jack Wattley e suas inúmeras palestras, livros, concursos em que participou como jurado e artigos técnicos publicados em todo o Mundo.
Através de brilhantes participações em eventos e trabalhos significativos realizados nos EUA, Japão, Canadá, Nova Zelandia, Singapura, América do Sul, etc..este Mestre dos Discos esteve sempre na vanguarda do Aquarismo Mundial quando o assunto é Acará Disco.
Para se ter uma idéia de sua influência no assunto, a enorme febre e crescimento das criações do Acará Disco no Japão, deve-se às suas visitas em 1980 e 1997, onde conquistou o respeito e a admiração do povo japonês pelo seu excelente trabalho.
Sr. Jack Wattley e Lescanjr -Brasil - agosto de 2008
Suas sábias palavras sobre os métodos de criação desse peixe vêm sempre permeadas de cativante mistério, assim como a inigualável beleza do peixe que ele conseguiu tão bem reproduzir.
Esse é Jack Wattley!
Texto de autoria de Mitsuru Hirose
traduzido e adaptado por Lescanjr - Editor Aquablog

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Lagos Ornamentais Pré Fabricados

Sucesso absoluto na última Fiaflora, o última novidade do Mercado é a nova linha de lagos pré fabricados Aquarium Group, que unem beleza, praticidade e conveniência em um único ítem.

Produzidos em fibra ou composto leve, esses laguinhos oferecem tudo o que você sempre esperou de um produto de rara beleza, ecologicamente correto, sem complicações de mão de obra, manutenção ou instalação demorada.Possuem diversos tamanhos e formas atendendo a todas as necessidades e trazendo diversas vantagens em relação aos lagos convencionais, tais como: Oferecem praticidade e total tranquilidade ao proprietário, que poderá remove-lo quantas vezes quiser, conforme sua conveniência.
Dispensam o uso adicional de cimento, areia, pedra, ferro, enfim, quaisquer tipos de materiais adicionais que envolvam mão de obra, custos e sujeira.
Podem ser montados sobre quaisquer superfícies planas, dispensando a necessidade de escavação (mesmo sobre pisos frios ou em apartamentos, salas de visita, pátios internos, etc.)não estragando o piso ou descaracterizando o imóvel.
Possuem baixo peso em relação aos lagos convencionais de alvenaria e rochas, oferecendo facilidade de transporte, manuseio e armazenamento.

Seu processo de instalção do tipo "faça você mesmo", oferece uma opção a mais de diversão e entretenimento ao proprietário.
Por não utilizar rochas extraídas da Natureza, trata-se de produto "ecologicamente correto", possuindo um aspecto bastante atraente, imitando rochas naturais com extrema fidelidade, inclusive, no que se refere à coloração, textura e temperatura das mesmas, principalmente pela ação do sol e outros agentes naturais.
Não liberam compostos nocivos que alteram à química da água e comprometam a saúde dos peixes. Mesmo as unidades feitas em composto leve, com apenas alguns enxagues estará pronta para o uso em tempo recorde.
Oferecem concavidades em pontos estratégicos, que podem ser utilizadas como vasos de plantas , conferindo um aspecto estético natural ao produto . Podem receber acessórios adicionais tais como vasos, floreiras, camuflagem em pedra para bombas e filtros, skimmers de superfície para a captação de folhas flutuantes e outras sujeiras superficiais, rochas com iluminação embutida externa ou submersa, etc...Também possuímos cortinas d'água para destacar o nome da sua Empresa.

Possuem interior ôco, servindo de compartimento para a instalação de todo o sistema elétrico e hidráulico (que já vem montado), ocultando totalmente quaisquer tipos de canos, mangueiras ou fios.
Possuem concavidades para ocultar a bomba d'água submersa, que serve para elevar a água até a cascata, sendo que nos lagos maiores essas vombas servem para conduzir água ao sistema de filtragem, retornando-a totalmente limpa pela cascata .
Oferecem também (em sua grande maioria) e conforme opção do cliente, diversos tipos de cascatas, com uma ou mais quedas de água, que auxiliam no processo de oxigenação e captação de água para a filtragem, além de constituírem um ítem de extremo bom gosto em qualquer montagem do gênero. Essas cascatas, em sua grande maioria apresentam interior vazado, a fim de que possam ocultar filtros mecanicos/biológicos do tipo pressurizado, com ou sem sistema ultra violeta embutido (para controle de algas verdes), proporcionando água sempre saudável e cristalina aos peixes.
Como ítens acessórios podemos encontrar também pontes com capacidade de carga superior a 200 quilos, além de esferas e rochas ornamentais extremamente leves.
Finalizando, graças ao empenho, pesquisa e investimento da Aquarium Group, temos um produto genuinamente brasileiro, inédito e exclusivo no Mercado Mundial, que reúne características nunca antes vistas em lagos convencionais, com linha bastante ampla para atender todas as necessidades de consumo.

Se você ficou interessado em adquirir qualquer um desses produtos, entre em contato com a Aquarium Group através do telefone 011-3660-3500 e solicite um represente mais próximo de você em qualquer lugar do Brasil. Possuímos também outros produtos para lagos, tais como bombas, filtros, chafarizes, rações, condicionadores, medicamentos, etc...

Caso seja paisagista e possuidor de empresa relacionada a área solicite um catàlogo completo e a visita de um representante que poderá auxiliá-lo na montagem do seu show room.

Espero que tenham gostado!



domingo, 28 de setembro de 2008

Nos Jardins Submersos da Bodoquena

Todos aqueles que se dedicam em manter aquários plantados com densos carpetes de vegetação luxuriante, sabem que tal tarefa, embora imensamente prazerosa não á lá tão fácil e requer bastante dedicação por parte do Aquarista. Afinal, proporcionamos condições para a existência de um pequeno mundo, onde a temperatura de cor e a intensidade de luz é calculada de maneira exagerada e proposital , onde as trocas d’água são constantes, com substratos repletos de nutrientes somados a outros fertilizantes que costumeiramente adicionamos ao aquário, além da própria injeção de CO2...tudo isso a fim de otimizar o processo de fotossíntese, que nos proporciona verdadeiros jardins subaquáticos (nosso eterno objetivo).

Resumidamente falando, o fator sucesso ou desastre num aquário plantado caminha por uma linha muito tênue, quase como um fio de uma navalha e está diretamente relacionado à dedicação, disciplina e olhar clínico do Aquarista ante a qualquer sinal que possa denotar algum desequilíbrio que conduza ao desastre.

Enfim, buscamos tanto à intervenção mecânica e tecnológica para atingirmos o equilíbrio perfeito em nossos aquários, que muitas vezes somos levados a acreditar que na Natureza não devem existir lugares assim, com imensos carpetes de vegetação rasteira, plantas médias e grandes de forma e colorido intenso, vivendo em harmonia e total equilíbrio com algas, peixes e crustáceos, além de outros seres diminutos, sem nenhuma intervenção humana.
Rio Cristalino - Bonito - MS

É bem verdade que existem bem poucos lugares assim em todo o Mundo, no entanto, somos brasileiros e fomos amplamente agraciados pela Mãe Natureza que nos presenteou com eco-sistemas maravilhosos nunca antes vistos em nenhum outro lugar . Esse é o caso dos rios da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul, que abrange as cidades de Bonito e Jardim e se estendem por uma ampla região denominada de Planalto da Bodoquena.

Foto aérea - Serra da Bodoquena
O grande lance que dá sustentação a todo esse Paraíso está diretamente ligado à sua formação geológica. Ocorre que no período Pré-cambriano, há cerca de 550 e 570 milhões de anos atrás, surgiu ali um imenso oceano denominado Oceano Corumbá. Nesse Oceano não existiam peixes ou formas mais evoluídas de Vida. Havia apenas algas calcárias, que proporcionavam uma grande quantidade de sedimentos calcários no fundo desse Oceano, semelhantes aos Recifes de Corais que hoje conhecemos.
Ilustração - Mapa Planalto da Bodoquena
Tais sedimentos, acumulados em diversas camadas por centenas de anos proporcionaram verdadeiros paredões de rocha. Após o desaparecimento desse oceano, devido ao movimento das placas tectônicas existentes na crosta terrestre ocorreu à formação da Serra da Bodoquena que foi lentamente erodida transformando-se no Planalto da Bodoquena, como é conhecido nos dias atuais. Esses movimentos tectônicos ocasionaram a exposição das rochas calcárias que se encontravam no fundo do extinto Oceano Corumbá e essas rochas denominadas de “tufas calcárias” encontram-se em processo de dissolução (fato que comumente ocorre na presença de ácidos contidos na água).

Tufas calcárias
Dessa forma, através das “surgências ou olhos d’água”, que são condutos subterrâneos de água em forma de buracos ou fraturas do subsolo, ocasionados pela dissolução dessas rochas calcarias, grandes quantidades de carbono na forma de gás carbônico dissolvido na água (aquele mesmo CO2 que utilizamos em nossos aquários plantados) é injetado no sistema aquático e ao longo do curso desses rios (Sucuri, nascente do Rio da Prata, Córrego Azul, etc..)o Carbonato de Cálcio dissolvido passa a se precipitar formando uma espécie de “casca calcária ou carbonática” por onde passa . Por essa razão é comum encontrarmos troncos petrificados, plantas e até mesmo objetos abandonados, tais como latas e garrafas com essas incrustações. Por essa razão dizemos que o Planalto da Bodoquena é o lugar onde “as cachoeiras crescem”, devido às incrustações formadas pela deposição do carbonato de cálcio, após as quedas de água por toda a região.

Tufas calcárias na forma de cachoeiras, Rio Mimoso, Bonito-MS
A essas incrustações denominamos “tufas calcarias”. Isso também explica a limpidez das águas, pois o calcário dissolvido decanta as poucas impurezas ali existentes, fazendo com que haja visibilidade subaquática em algumas áreas com profundidades superiores a 50 metros (um verdadeiro clarificante natural).

Ancistrus formoso, cascudo albino, que só existe em rios subterrâneos e cavernas inundadas da Serra da Bodoquena. Descrito em 1997, ele figura na recente lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, publicada pelo IBAMA

Curimbatá - detalhe

Um verdadeiro jardim aquático

Conforme pudemos constatar o grande segredo da luxuriante vegetação aquática existente em diversos rios do Planalto da Bodoquena, deve-se principalmente à transparência de suas águas que permitem que a luz atue de forma plena, tal qual buscamos oferecer às plantas que habitam nossos aquários, bem como o alto teor de CO2 dissolvido na água, outro recurso que também utilizamos em nossos aquários.

Simplesmente magnífico !!!

Peixes e plantas vivendo harmoniosamente...

Estimativas levantadas por diversos Cientistas indicam que cerca de 20% das 80 a 90 espécies dos peixes da Bodoquena ainda não foram descritas pelos biólogos, ou seja, ainda são desconhecidas, sendo que a grande maioria dessas espécies constitui-se em lambaris e bagres.
Um bom exemplo disso é o lambari Moenkhausia bonita, descrito no início de 2004 por pesquisadores da USP e UNIDERP, é um exemplo do desconhecimento dos rios da região.
Reparem na intensidade do vermelho desse matogrosso!
Espero que tenham gostado da matéria . As fontes de consulta basearam-se no livro que indico abaixo e as fotos foram obtidas na Internet .

Recomendo a todos que gostaram do assunto a aquisição do livro – Nos Jardins Submersos da Bodoquena – Guia para Identificação de Plantas Aquáticas de Bonito e Região, onde encontrarão muito mais informações a respeito do assunto, incluindo um catálogo de plantas da região e dezenas de fotos coloridas . Esse livro constituiu valiosa fonte de consulta para a elaboração desse artigo. Vale a pena compra-lo!

Autores: Edna Scremin-Dias, Vali Joana Pott, Regis Catarino da Hora e Paulo Robson de Souza. Participação: Otávio Froëhlich e Paulo Boggiani
Apoio: Fundo Nacional do Meio Ambiente - MMA
Realização: Ecoa e Editora UFMS 1999
Em breve tem mais .
Sincero abraço do seu Editor Aquablog !