segunda-feira, 25 de agosto de 2008

III - Opções Caseiras de Cultivo de Plantas Aquáticas

Dando sequência ao artigo que aborda opções caseiras de cultivo de plantas aquáticas, acho importante salientar que no meu quintal pratico quatro formas difentes de cultivo de plantas aquáticas :

1 - Em hidroponia química (através do uso de bandejas com fluxo de água fertilizada, num processo que levanta água com uma bomba e passa essa água de uma bandeja para outra por gravidade ) , com substrato inorgânico (espuma fenólica) e a céu aberto.
2 - Em estufas fechadas (aquários de vidro de diversos tamanhos) com substrato orgânico e cobertos com tampas de vidro ou plástico transparente.
3 - Em aquários com substratos diversos, cheios de água, contendo em geral, plantas que não toleram emersão ou que estão submetidas a um processo de aflorar à superfície de forma mais lenta.
4 - Em vasos tradicionais para plantas de jardim .

Vista geral do sistema - com destaque para o cultivo hidroponico.
Hemianthus calitrichoides var. cuba - em hidroponia
Essa planta é realmente uma das mais fortes que existem para esse tipo de cultivo a céu aberto. Praticamente não se ressente com o frio, chuva, sol, etc...uma verdadeira e maravilhosa praga .
Eleocharis minima em hidroponia
Essa é também uma planta extremamente resistente e bela. Aguenta bem as interpéries aquí de SP, tem crescimento rápido e produz uma grande quantidade de mudas nesse sistema.

Utilização de aquários com plantas submersas para pronto uso (sem necessidade de adaptação) .

Essas aquí eu costumo utlizar quando tenho que fazer alguma montagem que necessite de resultado imediato e contínuo . Foram plantadas a poucos dias, estã recebendo CO2 e contam com a melhor e mais barata iluminação existente no Mercado : a luz do sol !

Vista geral - bateria de plantas submersas ou em fase de emersão (Echinodorus diversas)

A principal finalidade dessa bateria é fazer com que as Echinorus desenvolvam-se, aflorem à superfície e possam ser transplantadas para um cultivo emerso(na medida em que o nível da água baixar) . O bom disso tudo é que elas demandam uma alta carga de nutrientes e isso acaba ajudando o controle de algas e favorecendo às outras plantas (em geral aquáticas legítimas) no que se refere ao controle de algas .

Outra vista da bateria de plantas submersas.


Blyxas se desenvolvendo a pleno vapor, junto com Echinodorus e Lemnas (para dar uma pequena sombreada) e ajudar no controle de nutrientes .
Destaque para Echinodorus e algumas valisnérias mais raras .
Hydrocotile e trevo plantados em vasos . Essas em geral eu utilizo para enfeitar beira de lagos, junto com as Miriophilums .

Nimphaea doada pelo amigo Vladimir. Não sei qual é a espécie, mas vai de vento em popa e deve florir nesse verão, mesmo estando em um balde com algusn guppies .
Obs : Todos os aquas que estão com água possuem alguns guppies selvagens para o controle de mosquitos.
Detalhe - Taí uma planta que o Amano gosta de utilizar em suas montagens e que na verdade trata-se de um tipo de capim (por sinal muito bonito) : Cyperus helferi . Aquí na foto, ela está emersa numa estufa aquário, com uma boa altura para que possa desenvolver-se .
Estufa da Cyperus Helferi - no chão dessa estufa tem um carpetinho de tenelus amano - para aproveitar o espaço .
E por falar em aproveitar espaço, adivinhem onde eu guardo as rochas que utilizo em minhas montagens ?
Taí um belo lugar para guarda-las - as famosas "pedras do mato de Atibaia-sp" - aquí podemos ver algumas em detalhe . Tem também uns tronquinhos e uns galhos mais finos que não apareceram nas fotos .
E por falar em guardar - a nossa fiel cão de guarda - a Dott - que está conosco há muitos anos, já faz parte da família e adora dar uma "molhadinha" nas minhas plantas de vez em quando...
Aliás, Dott e seu hábito de sempre querer "aguar" minhas às plantas, foi uma das grandes inspiradoras do início do processo hidroponico e os diversos outos sistemas que ficam sempre acima do nível do solo . Ainda bem que a Dott, pelo tamanho, fica bem perto do nível do solo .
Espero que tenham apreciado a matéria !
No final da semana teremos mais novidades . Aguardem !!!




II - Opções Caseiras de Cultivo de Plantas Aquáticas

Dando continuidade ao artigo, apresentamos abaixo outra forma de estufa (essa é mini mesmo), na qual utilizo vidros de palmito com tampa para a criação de plantas aquáticas. O resultado tem sido muito bom, além de ocupar pouco espaço.

Micro estufas de 1 litro - em vidros de palmito.
A planta da foto acima (que não consigo distinguir bem dentro do vidro e por isso não arriscarei palpite para não errar) foi plantada ontem e já mostra considerável vitalidade .
A forte presença de CO2 dentro das estufas aliada à umidade, ajuda muito nesse processo de transição . Reparem como o vido fica embaçado devido ao oxigênio liberado dentro do vidro pela fotosintese das plantas, durante o dia . Um detalhe interessante é que de noite os vidros tendem a ficar bem menos embaçados, tendo em vista que as plantas realizam o processo inverso - consomem oxigenio e liberam CO2.
Nada como poder constatar essas maravilhas da Natureza, ao vivo e a cores, em seu próprio quintal.
Outra planta que foi ontem para a micro estufa . Me parece uma Mayaca e já está respondendo muito bem ao processo de emersão .

Essa foi plantada ontem também e já veio no estado emerso. Reparem como isso ajuda e como seu aspecto é muito mais forte e viçoso.

Esse é um aquário estufa de porte bem maior (110 litros) que abriga algumas glossostigmas. Para manter o ambiente de estufa foi tampado com plástico transparente e devidamente preso com elástico .
Isso porque, devido ao frio que vinha fazendo em SP nos últimos tempos, o cultivo de glosssos em hidroponia a céu aberto (reparei que elas sentem muito o frio) estava prejudicado, pois as mudas estavam fracas e pouco vistosas . Dessa forma, resolví garantir às gerações futuras das mudas no meu cultivo hidropônico.
O aquário estufa acima - com cerca de 40 litros abriga algumas tenellus - var. amano - ainda bem pequenas, pois foram plantadas recentemente .

Detalhe do desenvolvimento das mudas de Glossostigma plantadas há poucos dias no aquário estufa de 110 litros .

continua em : III - Opções Caseiras de Cultivo de Plantas Aquáticas








domingo, 24 de agosto de 2008

I - Opções Caseiras de Cultivo de Plantas Aquáticas:

Quem é adepto dos Aquários densamente plantados, sabe bem o quanto se faz necessária a manutenção de uma reserva estratégica de plantas, caso alguma coisa “crítica” venha a acontecer com um dos nossos aquários. Dentre essas coisas críticas, podemos citar :
1 - surtos absurdos de algas,
2 - doenças ou parasitas no aquário, onde seja necessária a aplicação de remédios dentro do mesmo (argulose, por exemplo) ;
3 - algum “acidente” que infelizmente venha a acontecer com nossos aquários, entre outras coisas...

Vista geral do meu cultivo caseiro de plantas aquáticas
Já pensou ter que procurar e comprar tooodas aquelas plantas tão duramente obtidas de novo ? Lembramos ainda que o Aquarista que gosta de aquários plantados, assim como os que apreciam outras modalidades de aquarismo, dificilmente contentam-se em possuir um único aquário, ao contrário, estão sempre ousando, experimentando e tentando novas montagens que desafiam sua capacidade de evolução no hobby...enfim, tornam-se verdadeiros Alquimistas do Aquário (esse título daria um bom artigo, hein?).
O legal de tudo isso, é que os próprios métodos de cultivo de plantas aquáticas para uso posterior, acabam se tornando uma outra modalidade de Aquarismo e proporcionam imenso prazer para quem se aventura em tentar...algo como manter um bonsai ou descobrir um novo hobby dentro do próprio hobby.

Esse artigo portanto, não tem a ambição de ser um tutorial ultra, mega detalhado sobre formas de cultivo de plantas, ao contrário, afinal cada um tem a sua opinião a respeito e algumas vezes um método que dá certo para um não é o melhor para o outro...mostrarei apenas, através de fotos, às diversas formas possíveis (que eu conheço) de cultivo de plantas aquáticas em casa, utilizando-se processos hidropônicos, mini estufas de vidro, vasos, enfim, tudo aquilo que a criatividade permitir lançar mão para a manutenção de nossas plantas, entre outras “tralhas” que só quem é Aquarista, conhece bem ...

Outra vista geral - reparem que utilizo a lateral de um corredor que mede cerca de 15 metros de comprimento por apenas 40 centimetros de largura, totalizando uma área de apenas 6 metros quadrados . Nesse pequeno espaço produzo centenas de plantas todos os meses de diversas espécies diferentes .

Esclareço uma vez mais que não comercializo, faço doação para particulares ou troco plantas . Esse não é meu objetivo. Não tenho tempo, interesse ou disposição para isso . Trabalho no mercado aquarístico já há alguns anos como Consultor Técnico e Comercial, esse é meu ganha pão e acabo doando quase todas essas plantas para os meus clientes (lojistas), a fim de que eles possam montar aquários plantados que estimulem o hobbista a adquirir essas plantas e montar seu próprio plantado. Dessa forma, acredito estar contribuindo um pouquinho para o crescimento do hobby...enfim, acredito que estou fazendo a minha parte .

Para quem deseja adquirir plantas que nem sempre chegam às suas cidades, aconselho a procurar seu lojista de confiança e solicitar-lhe que faça contato direto com criadores de plantas competetentes, tais como o meu amigo Roberto Takeyoshi (http://www.chacaratakeyoshi.com/), ou o Sr. Wagner de Ribeirão Preto, entre outros ...aliás, acredito que toda boa loja de Aquários deva ter sua própria bateria de plantas....não aqueles aquarinhos perto do chão, mal iluminados e sujeitos à contaminações de toda a espécie (quando em sistema de sump), aquários esses que em geral ficam vazios e imundos em algumas lojas pelo Brasil afora, quer por falta de informação (e isso é compreensível) ou simplemente falta de interesse do proprietário (isso é lamentável) ...

Acho que alguma vez na vida, todo Aquarista já viu essa cena...aquarinhos sujos, apenas com algumas elódeas, rabos de raposa, valisnérias e quando muito, algumas violáceas - esssa última, o lojista mal informado compra porque acha bonita pela cor (mas infelizmente não sabe que essa não é uma planta aquática e costuma morrer após um tempo submersa, por mais que se tente oferecer-lhe boas condições) ...fora isso, um pobre betta no meio daquilo tudo...e quando pior...dois bettas machos..."porque eles brigam e divertem os clientes - hehehe" . Acreditem...eu já ví e ouví isso !!! E só posso lamentar .

Aconselho sempre aos Aquaristas que encontro por aí, cujas cidades não possuem lojas mais técnicas...que procure explicar ao lojista sobre as doenças de peixes e erros de manejo, bem como a maneira correta de se manter plantas (por exemplo) e proponha algumas espécies para dar início (plantas baixas, médias e altas de baixa, média e alta luminosidade) ...em caso de total discordância (que já deixa de ser falta de informação) boicotem esse tipo de loja, mas boicotem mesmo...pois é graças a esses péssimos profissionais que muita gente se desilude e abandona o hobby. Essa é a contra mão do aquarismo e acredito que não devamos compactuar com isso. E se não restar nenhuma boa loja em sua cidade, vá na cidade vizinha, porque das duas uma...ou o camarada abandona o ramo (e vai prestar um grande favor ao Aquarismo) ou decide rever seus conceitos e arruma a loja ( e vai prestar um grande favor ao Aquarismo também) !E abaixo a picaretagem !!!

Voltando ao assunto (me empolguei um pouco), vemos logo abaixo um sistema de mini estufas utilizando pequenos aquários de vidro (esses têm 8 litros apenas e eu os utilizava há muito tempo para criar killifishes). Dentro deles, existe substrato fértil, que pode ser uma porção de humus e laterita.... Para algumas espécies de plantas (cryptocorynes, por exemplo - mas só algumas) acrescento também alguma espécie de fibra de côco ou xaxim (uns velhos que tinham aquí em casa- porque agora é proibido e com toda razão) a fim de acidificar o substrato. Por cima disso tudo uma camada de areia inerte (ou mesmo misturada a isso) e pronto . A estufa está preparada para receber a maioria das plantas aquáticas- exceto àquelas verdadeiramente aquáticas que não toleram nenhum tipo de emersão (ficar fora d'água) .

Visão geral - mini estufas em pequenos aquários

Conforme já dito anteriormente, esses aquários ficam no corredor da minha casa e não recebem sol direto o dia inteiro, pois ficam entre dois sobrados altos, recebendo luz direta apenas quando o sol está no seu ápice (entre 11 horas da manhã e uma hora da tarde) . O resto do dia ficam mais sombreados - a claridade existe sim- e muita - mas não a luz direta do sol (o tempo todo) .

Vista mais aproximada das mini estufas em pequenos aquários

O objetivo principal desse sistema de "estufas" é conservar a umidade no interior das mesmas, pois as plantas, embora com a maior parte das folhas e caule fora d'água, necessitam dessa umidade para que não fiquem desidratadas e morram. Lembrem-se que num ambiente aquático natural (beira de lagoa ou rio) predominam altas taxas de umidade e a copa das árvores e/ou vegetação arbórea das margens acabam contribuindo para evitar a incidência de luz solar direta. Essa alternativa de estufas, vale principalmente para plantas que possuem folhas delicadas (exs : rotala walichii, miriophilum, tenelus, etc...) .

Outro ponto a ser destacado é que a capacidade de adaptação das plantas que são retiradas do aquário por ocasião de podas, por exemplo - em sua forma submersa - devem obrigatoria e/ou preferencialmente passar para a adaptação em sua forma emersa (fora d'água) dentro de estufas, pois a conservação da alta taxa de umidade na estufa é vital para que não morra.

É verdade também que para algumas outras plantas - echinodorus, por exemplo, quando provenientes de cultura submersa, o ideal é colocá-las dentro de aquários com pouca água (apenas o suficiente para cobrir às folhas) e a medida em que essa água evapora (ou é retirada pouco a pouco, dia após dia) pelo Aquarista, passa a produzir novas folhas, já adaptadas para a forma emersa. Após isso, acaba vencendo a coluna d'água e emergindo, sendo que algumas espécies de maior porte soltam rebentos adventíceos em sua própria haste floral.

Na foto abaixo, vemos um exempo de planta retirada do aquário e colocada em forma submersa. Reparem que existe uma fina lâmina d'água (nesse caso) logo acima do substrato e que a planta encontra-se em processo de adaptação . A planta aquí apresentada é uma Microsorium windelov .

Detalhe : interior da estufa contendo muda de Microsorium windelov. Esee tipo de planta reproduz-se de forma um tanto curiosa. Costuma soltar rebentos em suas axilas, ou seja, aderidos na parte de baixo (próxima da extremidade) de suas próprias folhas. Com o tempo esses rebentos se soltam e multiplicam-se . Também pode ser reproduzida pela divisão do caule .

continua em II - Opções Caseiras de Cultivo de Plantas Aquáticas

II - Lerneose (Verme Âncora) e Argulose (Piolho de Peixe) - por Dr. Rodrigo Mabilia

O que é a argulose, ou o piolho de peixe ?

A argulose é uma doença ectoparasitária que ocorre com certa freqüência em pisciculturas ornamentais, pincipalmente na criação de kingyos e carpas. Causada pelo Argulus sp., vulgarmente conhecido como piolho de peixe, a argulose já foi diagnosticada em diversos lagos ornamentais. A sua ocorrência em lagos é muito maior do que em aquários. Isto serve de alerta para proprietários de lagos ornamentais, pois o Argulus sp. deve constar na lista de doenças que merecem cuidados preventivos para evitar a sua introdução no ambiente aquático do lago.
Phylum Arthropoda
• Subphylum Crustacea
•Class Maxillopoda
•Subclass Branchiura
•Order Argulidea
•Argulus sp.

Considerações gerais sobre a doença e o parasita:
A argulose acomete todas as espécies de peixes de água doce. Ciprinideos como carpas e kinguios são peixes com uma notável predisposição. Espécies nativas como alguns carás, joaninhas e traíras freqüentemente são encontrados em seus ambientes naturais apresentando também este parasita. O Argulus sp. apresenta adulto apresenta entre 5 a 8mm podendo ser visualizado macroscopicamente (sem auxilio de lupa, ou microscópico). Isto facilita o diagnóstico e triagem de peixes durante a comercialização.
Argulus sp. parasitando peixe
fonte : http://www.cbu.edu/~seisen



Ilustração de Argulus sp. e suas respectivas estruturas anatômicas.
fonte : www.living-jewels.co.uk/


Uma característica particular do Argulus é a modificação de sua segunda maxila em duas estruturas circulares na porção ventral de seu corpo capazes de realizar sucção. Esta sucção torna-se essencial para a fixação do parasita em seu hospedeiro. A sobrevivência do parasita depende de sua habilidade em obter alimento.
O Argulus alimenta-se de células da epiderme e fluidos contendo células sanguineas. Para isso possui uma estrutura em forma de estilete que auxilia na desfoliação da pele e penetração para injetar uma toxina que impede a cicatrização do local. O local de fixação é uma área que sofre de irritação e avermelhamento da pele. As lesões nestes locais consistem em portas de entradas para infecções bacterianas.
Ciclo de vida:
O ciclo de vida do Argulus é muito interessante. As áreas preferências de fixação da fêmea parasita são as regiões onde a pele é mais tenra e possui menor quantidade de escamas. A nadadeiras caudal e o a região anterior-dorsal são áreas que atendem estas condições.
A duração do ciclo entre o desde o ovo e a forma parasitária é de aproximadamente 3 a 4 semanas. O tempo de duração do ciclo varia de acordo com a temperatura da água. Em geral, o parasitismo é detectado em temperatutas acima de 18°C. A fêmea no momento da postura abandona o hospedeiro e nada a procura de plantas aquáticas para depositar seus ovos. As larvas infectantes são capazes de nadar e infectar novos peixes dando continuidade ao ciclo de vida. Podemos perceber que o ambiente de lagos ornamentais pode ser muito propenso a perpetuação do ciclo de vida do Argulus sp.
Sinais clínicos: Os sinais clínicos incluem uma severa irritação cutânea com avermelhamento e descamação nos locais de fixação dos parasitas. Infestações mais intensas apresentam inclusive ulcerações na pele que podem ser seguidas de infecção fúngica, ou bacteriana.
Visualização de infestação intensa causada por Argulus sp.
O diagnóstico da argulose é realizado clinicamente pela simples visualização dos parasitas adultos, ou laboratorialmente por um profissional para o caso de formas jovens que não podem ser muito bem visualizadas no exame a olho nu.

Vista ventral de Argulus sp.


Vista dorsal de Argulus sp.
Prevenção da Lerneose e Argulose:
A prevenção da argulose e da lerneose deve ser realizada desde o processo de criação dos peixes nas pisciculturas. Ainda na criação uma orientação técnica capacitada pode elaborar um programa sanitário de manejo preventivo para estas doenças ectoparasitárias.
Lojistas/Comerciantes:
No comércio, os lojistas devem observar muito bem os peixes que adquire. Os fornecedores de peixes ornamentais, principalmente de kinguios e carpas coloridas devem fornecer garantias de que seus peixes não contenham estes parasitas. Se ele não oferece esta garantia então devemos cobrar.
Quarentena:
Muito falada, mas pouco colocada em prática seria a realização de quarentena para estes peixes. Ela é fundamental quando houver dúvidas sobre a idoneidade dos fornecedores. Não tenho dúvidas que estas medidas citadas acima contribuem para a melhoria da qualidade dos peixes ornamentais comercializados. Se cada um de nós fizer a sua parte bem feita o aquarismo só tem a ganhar.

Aquaristas:
Medidas preventivas podem ser adotadas pelo aquarista no momento da compra dos peixes. Inicialmente deve certificar-se da ausência de parasitas adultos no corpo dos peixes. Faça isto junto com o vendedor. Se perceber que o vendedor não é qualificado procure o lojista. Se o lojista não atender as tuas expectativas... Bom dae fica difícil.
Os aquários de kinguios e carpas são onde o aquarista deve tomar mais cuidado. Pergunte ao lojista se já teve problemas com lerneose. Depois pergunte de onde vem os peixes que você quer comprar. Isso para kinguios e carpas é fundamental !!! Faça partir de você a sinceridade e honestidade. Não vamos logo de saída achar que o lojista irá mentir. Troque idéias sobre a lerneose com ele. Estas relações constituem a essência do aquarismo !!! Existem excelentes lojistas... Precisamos descobrí-los. E quando descobrir recomendar para outros aquaristas.

Certificação sanitária:
É um documento emitido exclusivamente por um Médico Veterinário. É a garantia de que o peixe comercializado não possue alguma enfermidade. É um atestado de saúde que certifica um peixe isento de doença. Infelizmente é pouco aplicado na comercialização de peixes ornamentais. Na piscicultura de corte, e transações de importação de peixes e reprodutores já está ganhando força. Em algumas pisciculturas ornamentais, e pequenas criações já há profissionais que monitoram os lotes de peixes quanto ao estado sanitário durante todo o processo de criação. Realiza-se exames clínicos e laboratoriais rotineiramente para constatar a presença, ou ausência tanto do parasita adulto, como de suas formas intermediárias do ciclo de vida.
Vamos ser otimistas quanto a isso. Todos saem ganhando no final das contas... Sendo um profissional Médico Veterinário eu não posso me contentar com pouco: a baixa qualidade de muitos peixes ornamentais comercializados. Há bastante tempo preconizo a necessidade de um aquário de uma loja de peixes ornamentais possuir um selo de qualidade. Um selo que informe a procedência do peixe ornamental e garanta a sua saúde.

Tratamento da Lerneose e Argulose:
Os tratamentos existentes para a lerneose e argulose são bastante eficazes, tanto para o combate do parasita adulto como para formas intermediárias do ciclo de vida. Recomendamos, inicialmente, a remoção manual dos parasitas adultos com um auxílio de uma pinça. O gotejamento de uma solução hipersalina de cloreto de sódio sobre os parasitas facilita a remoção.
Não recomendamos o tratamento em aquário hospital e sim diretamente no aquário, ou lago ornamental. Isto, porque é necessário combater tanto a forma de vida parasitária, como as formas de vida livre. Se não respeitar estas recomendações é muito provável que possa ocorrer no futuro uma reinfestação dos peixes.
Os medicamentos para o combate da lerneose e a argulose na maioria são administrados na forma de banhos de imersão. Existem importantes marcas disponíveis no mercado que possuem ectoparasiticidas para uso específico em peixes ornamentais tais como: SERA (Cyprinopur), Aquarium Pharmaceuticals (Pond Care Dimilin), Azôo (Ectoparasiticide). Entre os princípios ativos largamente utilizados estão o diflubenzuron e alguns organofosforados como o Trichlorfon e Malation.
Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Breve Histórico:
2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda.;
2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul);
2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS);
2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos
* Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.

Nota do Aquablog: Existe um novo produto no Mercado denominado Sera Argulol, importado da Alemanha, da linha Sera Med Professional, que apresenta excelentes resultados no tratamento de lernia e argulus, bastando para isso duas aplicações . Esse produto pode ser encontrado nas boas lojas de aquarismo do Brasil e sua eficiência não se compara a nenhum outro produto.






I - Lerneose (Verme Âncora) e Argulose (Piolho de Peixe) - por Dr. Rodrigo Mabilia

O Que é a Lerneose ?
A lernea, ou “verme âncora”, como é conhecida no aquarismo, é uma doença muito comum na piscicultura de corte, mas que tem alta ocorrência também em peixes ornamentais. A Lernea é um importante ectoparasita que acomete a maioria das espécies de peixes, ou seja não tem especificidade pelo seu hospedeiro. É verdade que peixes de couro como os catfishes e ciprinideos como as carpas koi e os kinguios são mais susceptíveis.
Atualmente a Lernea encontra-se disseminada por todo o país, sendo responsável por sérios prejuízos econômicos, tanto para piscicultura de corte como de ornamento. Acredita-se inclusive que este parasita foi introduzido no Brasil através da importação de carpas da Hungria. Encontrando as condições favoráveis para o seu ciclo de vida disseminou-se rapidamente pelos rios, açudes e pisciculturas do Brasil.
Em lagos ornamentais são inúmeros os casos relatados de carpas coloridas e kinguios infestados por este parasita. As infestações ocorrem, na maioria das vezes, em épocas mais quentes do ano entre a primavera e o verão. Os aquaristas, ou proprietários de lagos ornamentais costumam relatar A Lernea como pequenos filamentos, ou fios aderidos na superfície do corpo dos peixes. Quando isto ocorrer fiquem espertos ! Pode ser lerneose !

Considerações gerais sobre a doença e o parasita.
Phylum Arthropoda
•Subphylum Crustacea
•Class Maxillopoda
•Subclass Copepoda
•Order Cyclopoida
•Lernaea sp. ("anchor worms, ou verme âncora")

A Lernea, ao contrário do que algumas pessoas divulgam inadvertidamente, não é um verme. É um crustáceo. No Brasil muitos aquaristas acreditam que seja um verme, porque vem da tradução em inglês para: “Anchor Worm”, verme âncora. Existem mais de 3000 espécies de crustáceos parasitas de peixes dos mais diferentes tamanhos e formas. O gênero Lernaea tem entre os parasitas mais populares a Lernaea cyprinacea.
Fêmea Adulta de Lernaea cyprinacea removida de um goldfish (Carassius auratus) proveniente de um lago ornamental

Este crustáceo é classificado comum copepoda. Existem ainda crustáceos parasitas branquiúros e isopodas, como o caso do Argulus “Piolho de Peixe” e Ergasilideos, respectivamente. Facilmente visível a olho nu, tem o seu corpo alongado. Na porção anterior uma âncora fixadora e na extremidade oposta dupla bolsa ovígera. A porção fixadora penetra na pele e musculatura do peixe causando lesões ulcerosas com pontos hemorrágicos e necrose da pele. Esta lesão predispõe o peixe a infecções bacterianas secundarias. Os peixes acometidos sofrem perda de peso e redução da taxa de crescimento. O quadro clínico é de maior gravidade em espécies de peixes pequenas e alevinos. Os prejuízos a saúde dos peixes são proporcionais a quantidade de parasitas fixados ao corpo. Condições especiais causam um aumento na taxa de mortalidade.

Ciclo de vida:
Apenas a fêmea adulta de lernea é parasita, sendo nesta fase hematófaga e por esta razão causa a já citada anemia no peixe hospedeiro. A grande maioria dos peixes infestados por estágios adultos de lernea (visível macroscopicamente) apresentaram também as formas infectantes (copepoditos) na pele e, principalmente nas brânquias. Estes resultados alertam para cuidados na aquisição de peixes ornamentais sem controle sanitário para lerneose. O cilco de vida da Lernaea sp. é complexo, pois envolve uma série de formas intermediárias que antecedem o estágio de adulto. A cópula e fecundação ocorrem na água durante a fase de vida livre do ciclo. Esta fecundação culmina com a morte do macho. A fêmea fecundada remanescente passa por um processo de metamorfose dando inicio a fase de vida parasitária.

Visualização dos ovos de Lernaea sp. em bolsa ovígera.

A temperatura da água é um fator importante para a reprodução do parasita e início do parasitismo. Temperaturas na faixa entre 18 a 25°C são ótimas para a perpetuação do ciclo de vida. Desde da ovopostura da fêmea até o surgimento da forma infectante do ciclo de vida pode transcorrer algo próximo de 7 dias. As fases de vida passam dos estágios de náuplios e metanáuplios até copepoditos primário, secundário e copepodito infectante. A visualização das primeiras vesículas na superfície do corpo do peixe logo após a fixação da fêmea podem surgir a partir de 10 dias. A fêmea adulta fixada ao corpo pode levar entre 14 a 18 dias de acordo com a temperatura da água.

Náuplio

Visualização das fases de vida livre da Lernaea sp.

Copepodito primário

Visualização das fases de vida livre da Lernaea sp.

Sinais clínicos:

Clinicamente visualize o parasita invadindo a pele com sua porção anterior fixadora. Os locais mais propensos são as bases das nadadeiras e locais desprovidos de escamas. Os peixes parasitados pela lernea apresentam grande desconforto e irritação. Nas regiões de fixação do parasita há avermelhamento devido a hemorragias. Somente a fêmea adulta é parasita. Por ser hematófaga quando ocorre infestações intensas, ou acomete peixes de pequeno tamanho corporal causam um quadro de letargia. Os peixes ficam enfraquecidos devido a anemia. Formas intermediárias do cilco de vida (copepoditos infectantes) também são parasitas. Estes também causam ligeira irritação na pele e nas brânquias.

O surgimento de infecções bacterianas decorrente das lesões causadas pelo parasita e o quadro de anemia agravam o quadro clínico e aumentam as taxas de mortalidade.

Resumo dos sinais clínicos da lerneose:

  1. Presença de lesões avermelhadas e ulcerosas;
  2. Pontos hemorrágicos e necrose de pele com áreas de difícil cicatrização (porta de entrada para bactérias oportunistas);
  3. Perda de peso;
  4. Redução da taxa de crescimento;
  5. Alta taxa de mortalidade quando ocorre em alevinos;
  6. Anemia;
  7. Aspecto repugnante em infestações intensas

Diagnóstico: O diagnóstico de lerneose é muito fácil, podendo ser realizado macroscopicamente através da visualização da fêmea adulta fixada no corpo do peixe.

Visualização de Lernaea sp. em um jundiá (Rhamdia quelen)
Um dos grandes problemas relacionados ao diagnóstico da lerneose é a não visualização de sua forma infectante imediatamente anterior ao estágio adulto. Os copepoditos infectantes, como são denominados, só podem ser detectados através de exame parasitológico laboratorial executado por um profissional.
Assim, peixes são comercializados com grande risco de serem portadores deste parasita em suas formas intermediárias. Sem este controle, muitos kinguios e carpas kois são comerciazaliadas e disseminam a lerneose para aquários, lagos ornamentais e tanques de criação. Lojistas e aquaristas precisam estar conscientes sobre este problema. Quantos aquaristas já não compraram kinguios e carpinhas coloridas e passado algum tempo percebem a projeção de inúmeros filamentos no corpo de seus peixes?
É lernea !
E tarde demais !
Já está disseminada em seu lago, ou aquário.
Nota do Aquablog : continua em : II - Lerneose (Verme Âncora) e Argulose (Piolho de Peixe) - por Dr. Rodrigo Mabilia - na 2ª parte desse artigo veremos uma matéria sobre o Argulus (o popular piolho de peixe)
Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Breve Histórico:
2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda.;
2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul);
2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS);
2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos
* Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.
Sugestão do Aquablog : Já existe no Mercado um produto extremamente eficaz, de origem alemã (encontrado em lojas de aquarismo) para o tratamento de Lernia e Argulus . Trata-se do Argulol - um produto da linha Sera Med Professional . Com duas únicas aplicações ele extermina qualquer sinal de lernia/argulus do seu lago, sendo que na primeira aplicação ele mata todos os parasitas que por ventura existam e na segunda ele destrói os parasitas novos, tendo em vista que existe um prazo para que os ovos alí existentes eclodam, gerando outros parasitas.

domingo, 17 de agosto de 2008

III - Plantado 375 litros Iwagumi - passo a passo

Enfim, conseguí fazer fechar o carpete (quatro meses e dez dias após a montagem inicial) e agora já posso colocar peixes. Colocarei pequenos peixes de cardume (neons, rodostomus, tetrinhas,...ainda não decidí bem) . Sei que as garrafas estão meio feias em cima do aqua, mas é que acabou o CO2 dos cilindros e não tive tempo de recarregar. Seguem as fotos atualizadas da montagem :
Percebam que com uma simples "erguida" de uma pedra que demarca o início do rio (lado esquerdo) conseguí estreita-lo fazendo uma curva para a direita, conferindo uma melhor fluidez ao layout :
Pedra utilizada para "estreitar o rio" na montagem - close :
É incrível o poder que essa planta tem de simplesmente "andar entre as pedras" :
Este é o aquário visto de cima - do alto de uma escada na sala .
Vejam a importancia de ter isolado a camada fértil no início da montagem. Do contrário as plantas já teriam invadido totalmente a areia branca que caracteriza o rio na montagem :
Algumas pedras já foram literalmente cobertas pela vegetação rasteira :
Ampulárias são sempre bem vindas nesse tipo de montagem, pois evitam o aparecimento de algas nas pedras . É sempre melhor prevenir do remediar, não é mesmo ?
Reparem nos níveis (topografia) da montagem em uma perspectiva longitudinal :

É isso aí pessoal . Espero que tenham gostado da montagem.Quem tiver alguma dúvida ou observação é só deixar um comentário, ok ?








II - Plantado 375 litros Iwagumi - passo a passo

Vista geral da montagem :
Vista parcial da montagem :
Resolví fazer esta montagem inspirado nesse belíssimo aquário de Peter Kirwan - Irlanda :
Sei que ainda tá muito longe da perfeição técnica do original, mas vou continuar tentando...ajeitando uma pedrinha aquí, outra alí...elevando o substrato, etc...aliás, depois dessas fotos já retirei três pedras que estão ao fundo do lado direito do aquário apontadas para a esquerda que estavam me incomodando...achei que melhorou bem o layout . Meu consolo é que até mesmo o aquário do Peter Kirwan passou por isso :
Peter Kirwan - Irlanda
Quatro dias depois e com algumas pequenas modificações, seguem fotos atualizadas do meu novo plantado :

Além disso coloquei alguns seixos no "rio" a fim de dar um pouco mais de movimento a montagem . As plantas estão se desenvolvendo bem...
Conforme podem ver (15 dias depois da montagem inicial) dei uma pequena remodelada no layout (disposição das pedras e altura do substrato na lateral direita) .
continua em III - Plantado 375 litros - Iwagumi - passo a passo





















I - Plantado 375 litros Iwagumi - passo a passo

Olá Pessoal

Com esse tópico resolví mostrar a evolução do meu aquário plantado montado há cerca de 4 meses atrás . Hoje (20/03/2008) resolví colocar a mão na massa e remontar meu aquário plantado. Ainda não está pronto...talvez eu mude algumas rochas, terei que colocar mais plantas e vou colocar uma areia bem mais branca para encher o riozinho delineado pelas rochas . Por fim, percebí que neste tipo de montagem, só podemos ter uma noção exata do resultado, após o fechamento total do carpete .


Set Up : Aquário Via Aqua 1,53x56x46 vidro curvo . Luminária e transformadores Atman 110 V. c/ 2 Hqi Coralife 10.000 k e 4 PL 18 watts 7.500 k. Canister Sera - Serafill 1300 l/h contendo mídias filtrantes + Sera Siporax e removedor de nitrato Coralife . UV Supreme Submersible 10 watts Surface Atman (desnatador de superfície) C02 Fertilization System Sera - (sistema completo) com teste permanente de CO2 e reator/difusor interligado ao Canister Termometro Digital Coralife Alimentador Automático Sera Limpador magnético Mag Float Reator de Fosfato Phosban - Two Little Fishes Mídia para reator - Phosban - Two Little Fishes Substrato : Sera Floredepot (4 baldes de 4.700 kgs.) misturado com um pouco de eco complete + humus e laterita e 70 kgs. de areia de filtro de piscina - granulação média Rochas : pedras de mato adquiridas em Atibaia - SP Flora : Carpete : Hemianthus calitrichoides - cuba Fauna : pretendo colocar pequenos peixes de cardume Vejam as fotos :


Este é o riozinho . Tomei o cuidado de fazer uma proteção para ele com uma garrafa pet devidamente cortada, a fim de que o substrato fertil não se misturasse coma areia inerte - vejam :


Nessa foto eu estava colocando e ajeitando o substrato :
Colocando água para a areia ficar mais firme :
Aquí estou fazendo as declividades do substrato para depois iniciar o pedragismo :
Rochas "mais ou menos no lugar" ...iniciando o plantio :


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sábado, 16 de agosto de 2008

MALAWI BLOAT - A doença dos Ciclídeos Africanos por Rodrigo Mabilia

foto : peixe com Malawi Bloat - fonte : aquahealth.sitemynet.com/.../bloat_3.jpg
Enfermidades dos Peixes Ornamentais - Malawi Bloat
Por Rodrigo G. Mabilia

1.0 Introdução – Considerações gerais sobre o Malawi Bloat

O Malawi bloat é uma condição patológica de ocorrência esporádica em Ciclídeos Africanos ornamentais. Esta condição patológica não é restrita aos Ciclídeos Africanos do Lago Malawi, estendendo-se também para membros de outras famílias com a denominação genérica de bloat, ou dropsy.

Compreendendo o significado destas palavras temos o sinal clínico mais característica desta doença: Bloat = significa inchar, ou inchaço. Dropsy – significa edema, ou acúmulo de líquido. Desta forma, tecnicamente em português, podemos denominar o bloat de: hidropsia, ascite, ou barriga da água. Para diferenciar o bloat que ocorre em outros grupos de peixes do bloat que ocorre nos Ciclídeos Africanos é mais didático aceitarmos o termo Malawii bloat.


Na existência de uma série de informações disponíveis no meio aquarístico sobre a Malawi bloat deparamos com três dilemas em discussão sobre esta doença:

Controvérsias:

Não há motivos para polêmica, nem controvérsias. Não existem causas obscuras para a manifestação do bloat em ciclídeos africanos. As causas são conhecidas e muitas delas inclusive já publicadas cientificamente. O que ocorre é a existência de mais de um agente causador desta doença e, talvez por esta razão, surjam incertezas entre os mais leigos. Outra importante causa destas incertezas é a falta de diagnóstico laboratorial confirmativo. Isto não é rotina no aquarismo, salvo algumas raras exceções, ou quando há investigações de cunho científico. Os Ciclídeos Africanos acometidos pelo bloat não costumam ser levados ao Veterinário. É bloat e ponto final !

Para discutirmos o bloat e suas causas devemos fixar dois aspectos importantíssimos:

- (1)Primeiramente, é relevante a determinação do fator predisponente, ou seja, a condição que permitiu a manifestação do bloat.

- (2)Segundo, a determinação propriamente dita, do agente causador do bloat. Se conseguirmos deixar aqui a mensagem compreendida de que estes dois aspectos (Fator Predisponente X Agente Causador) devem obrigatoriamente receber igual atenção pelos criadores e aquaristas, já teremos nossa missão cumprida.

Qual a causa do Malawi bloat ?

Como resposta apresentamos aqui, após uma breve revisão e comunicações pessoais de alguns pesquisadores, que o Malawi bloat é um sinal clínico (já citada no primeiro parágrafo deste artigo: condição patológica em ciclídeos africanos do Lago Malawi). Não há uma única causa para a ocorrência do Malawi bloat, mas sim diversas causas e fatores predisponentes que aqui discutiremos. O conhecimento das possíveis causas do Malawi bloat permitirá executarmos medidas de prevenção e tratamentos específicos com maiores chances de sucesso. As principais argumentações (difundidas no aquarismo) indicam que o bloat seja de origem parasitária, excesso de proteína na alimentação, bactérias, sal na água, etc... Vamos aqui procurar trazer a tona o que realmente é relevante na ausência de especulações e de palpites.

O Malawi bloat só acomete ciclídeos africanos do Lago Malawi ? Não.

O Malawi bloat acomete todas as espécies de ciclídeos africanos, mas PREFERENCIALMENTE, ciclídeos africanos de hábito alimentar herbívoro, ou onívoros com alta demanda de vegetais na dieta. Entre os gêneros de Ciclídeos Africanos (CAS) mais susceptíveis ao bloat destacamos para o Lago Malawi: Cynotilapia, Aulonocara, Labidochromis, Nimbochromis, Pseudotropheus, Maylandia e Melanochromis; e para o Lago Tanganika os Tropheus.


2.0 Condição/Fator predisponente para manifestação do Malawi Bloat

a) Altos níveis de amônia não ionizada NH3 presentes na água do aquário. Os elevados níveis de amônia total e, principalmente de amônia não ionizada presentes na água dos aquários de ciclídeos africanos são umas das principais condições necessárias que predispõem a manifestação clínica do malawi bloat. Lembrem que os aquários de ciclídeos africanos são caracterizados por alta dureza (18 a 22°GH) , alta alcalinidade, alto pH (7,7 a 9,0) e temperaturas médias que variam entre 26 a 30°C . Isto significa que há uma combinação perfeita entre estes parâmetros de qualidade de água para ocasionar um alto de percentual de amônia não ionizada dissolvida na água do aquário.

A combinação de altas temperaturas e alto pH (condição peculiar existente nos aquários de ciclídeos africanos) exige um monitoramento diferenciado dos níveis de amônia na água. Em uma temperatura de 28°C e um pH entre 8,0 a 9,0, por exemplo, teremos uma acentuadíssima variação do percentual de amônia não ionizada sobre a amônia total que pode variar entre 6,5 até 41% de amônia não ionizada. É muita amônia não ionizada para um aquário só... Esta condição de altíssimo percentual de amônia não ionizada, não será reproduzida em nenhum outro aquário de peixes de água doce. É peculiar aos aquários de ciclídeos africanos. Fiquem espertos para este imporantíssimo detalhe !

Mas quais as implicações destes altos níveis de amônia ?

A amônia presente na água é causa direta de estresse fisiológico. Com o estresse surge o comprometimento do sistema imune e há maior susceptibilidade do organismo as bactérias causadoras do bloat.

- Amônia total (NH4+ e NH3) = é condição ideal para a proliferação de bactérias patogênicas, entre elas, diversas bactérias que cursam com a condição patológica característica do Malawi bloat.

- Amônia não ionizada (NH3) = é a fração extremamente tóxica da amônia. A alta taxa desta amônia na água irá causar uma grave intoxicação no peixe e danos severos nas brânquias. O excesso de amônia na água impede (por uma questão de gradiente de concentração) que a amônia endógena (metabólica) seja excretada pelas brânquias. Desta forma esta amônia acumula no organismo até níveis críticos. Nestas condições adversas há predisposição para manifestação do Malawi bloat.

b) Alimentação inadequada com alto percentual de proteínas de origem animal para ciclídeos africanos de hábito alimentar herbívoro, ou com alta demanda de vegetais na dieta. Tão relevante, quanto a questão da amônia presente na água são as falhas de manejo da alimentação em ciclídeos africanos.

A CONDIÇÃO: a condição de ciclídeos africanos herbívoros e/ou ciclídeos africanos onívoros que possuem alta demanda de vegetais na dieta alimentados com rações de peixes carnívoros, ou rações com altas taxas de proteína de origem animal pode ser catastrófica. A ocorrência do malawi bloat está muito relacionada a esta condição, portanto é muito importante acertar na escolha do cardápio de nossos ciclídeos africanos. Os CAS pertencentes aos gêneros: Labidochromis, Nimbochromis, Pseudotropheus e Tropheus são muito suceptíveis ao bloat quando alimentados exclusivamente com rações com excesso de proteína de origem animal. Da mesma forma, a sobrecarga alimentar (excesso de alimento oferecido) é prejudicial.


3.0 Agente causador do Malawi bloat

A causa direta do Malawi bloat são bactérias patogênicas. O Malawi bloat é basicamente uma infecção bacteriana sistêmica que teve origem a partir de uma proliferação desordenada de bactérias no trato intestinal mediada pelos fatores predisponentes supracitados e discutidos no item

2.0. Vale insistir e repetir que a amônia na água e a alimentação inadequada não são causas, mas sim fatores/condições que predispõem uma bactéria a causar o bloat. Entre as principais bactérias causadoras do Malawi bloat temos o gênero das Aeromonas móveis e Clostridium. Este último tem alta patogenicidade produzindo endotoxinas e beneficiando-se de condições de anaerobiose (ausência de oxigênio). Este detalhe é muito importante na hora da escolha do medicamento apropriado como veremos mais adiante. Existem outras causas para o Malawi bloat ? Na verdade o Malawi bloat restinge-se hoje a infecção bacteriana com sintomatologia do bloat (ascite, hidropsia, ou barriga da água) em ciclídeos africanos submetidos a condições de água e/ou alimentação inadequadas. Como não é rotina a realização de diagnóstico laboratorial, outras causas, tais como: parasistismo, hipoproteinemia, tumores, disfunções hepáticas e renais que causem acumulo de líquido e distensão do ventre são equivocadamente denominados de Malawi bloat.


4.0 Fisiopatogenia do Malawi bloat Fisiopatogenia da malawi bloat

I: a sobrecarga alimentar e excesso de proteína de origem animal oferecido aos ciclídeos africanos susceptíveis ao bloat tem efeitos danosos ao metabolismo. Normalmente, estes CAS possuem durante o processo de digestão uma importante dependência/auxilio da ação de uma microflora natural (comensal) presente no trato intestinal. Esta microflora, ou mais adequadamente microbiota, auxilia na boa digestão de carboidratos e proteína de origem vegetal. Estes CAS ao contrário dos demais (carnívoros e onívoros), conseguem aproveitar o carboidrato e a proteína vegetal da dieta. Feito este que é impossível de ser executado com tamanha eficácia pelos CAS carnívoros e onívoros. Fisiopatogenia da malawi bloat

II: diferenças anatômicas do TGI (Trato gastrointestinal) dos ciclídeos herbívoros e com alta demanda de vegetais na dieta são bem evidentes. Os CAS herbívoros, por exemplo possuem um tubo intestinal muito mais longo do que CAS carnívoros e onívoros. Isto porque o processo de digestão da proteína vegetal é bem mais lento e estas espécies precisaram evoluir e adaptar-se neste âmbito. Com estas considerações podemos já imaginar, ou melhor compreender o efeito deletério de uma sobrecarga alimentar e, principalmente, se a dieta não conter vegetais. CAS herbívoros, ou com demanda de vegetais não irão digerir adequadamente a proteína de origem animal quando esta estiver em excesso e também nãoe stiver acompanhada de proteína de origem vegetal. E mais... está proteína animal excessiva irá acumular e fermentar no tubo digestivo causando mortalidade da microbiota natural, beneficiando a proliferação excessiva de outros microorganismos. Entre estes microorganismo, temos bactérias anaeróbicas e alguma aeróbicas que, normalmente estão no trato intestinal sem causar problemas quando este está em equilíbrio. Havendo este desequilíbrio elas tornam-se potenciais agentes patogênicos. Algumas delas causadoras do bloat. Fisiopatogenia da malawi bloat

III: a impossibilidade de digerir a sobrecarga de proteína de origem animal é agravada pela ausência de vegetais na dieta. A fermentação desordenada no trato intestinal gera ácido láctico e comprometimento da integridade do epitélio intestinal. O ácido láctico ocasiona uma acidose metabólica grave para o peixe, enquanto há acúmulo gradual de líquido na cavidade celomática proveniente do trato intestinal que já não se encontra íntegro. Sob estas condições de perda de líquido para a cavidade há uma desidratação severa. Quando observarmos um peixe com bloat pode parecer estranho, mas ele encontra-se desidratado. Vale lembrar que normalmente peixes de água doce não ingerem água, no entanto a disfunção metabólica ocasionada pelo malawi bloat (desidratação) faz com que o peixe adote um distúrbio de comportamento: ele passa a ingerir água. Tentativa em vão, pois mais líquido sairá do trato intestinal e acumulará na cavidade. Fisiopatogenia

IV: os sinais de septicemia são evidentes. Os peixes nos estágios mais avançados tornam-se apáticos/letárgicos. O ventre fica abaulado (distensão pelo acúmulo de líquido no celoma), as escamas ficam eriçadas, pode ocorrer exoftalmia (olhos saltados), hemorragias também podem ser evidentes. A morte pode ocorrer entre 2 a 5 dias se nada for feito logo no início dos sintomas.


5.0 Sinais Clínicos

Alterações primárias: são alterações de comportamento, onde inicialmente, há perda do apetite, respiração com movimentos operculares acelerados e letargia.

Alterações secundárias: são visualizadas na inspeção visual do peixe enfermo. A distensão do ventre, bem como alteração da coloração das fezes e consistência são evidentes. As fezes podem apresentarem-se esbranquiçadas, ou marrom avermelhadas com aumento da viscosidade. Alterações terciárias: acentuada distensão do ventre, presença de escamas eriçadas em menor, ou maior grau. A região perianal permanece avermelhada com a possibilidade de presença de edema (inchaço). Manchas avermelhadas no corpo, ulcerações e hemorragias indicam septicemia. No estágio de septicemia há disfunções hepáticas, renais e/ou da vesícula gasosa (bexiga natatória).


6.0 Prevenção

a) Controlar os níveis de amônia total e monitorar os níveis de amônia não ionizada: um bom manejo de trocas parciais de água e uma filtragem biológica de alta eficácia são fundamentais. Para determinar o intervalo, o percentual de água renovada deve-se adotar a medição periódica de amônia, nitrito e nitratos com bons testes colorimétricos.

Recomendamos um sistema de filtragem completo (mecânico, químico e biológico) de maior dimensionamento do que o usualmente utilizado em outros aquários. Uma vazão de 6 a 8 vezes o volume de água do aquário seria bem interessante. Lembrem que nos Aquários de Ciclídeos Africanos há uma maior dificuldade de promover o desenvolvimento inicial de forma rápida e garantida das bactérias responsáveis em executar a detoxificação da amônia e nitritos. A recomendação técnica é optar por filtros de areia fluidizada, ou canisters com cerâmica em quantidade e qualidade comprovadas. A inoculação destas bactérias (nitrossomonas e nitrobacters) disponíveis em formulações comerciais são muito úteis.


Dica: evite obrigatoriamente temperaturas de 30°C com pH entre 8,5 a 9,0 pois é onde há a maior taxa de amônia não ionizada em relação a amônia total da água. Para pH entre 8,5 a 9,0 fazer uma manutenção da temperatura da água ao redor de 26°C.


Como estimar a amônia não ionizada (NH3) ?

Etapa I

1° Medir a amônia total (NH3 e NH4+) com um teste colorimétrico confiável.

2° Medir a Temperatura da Água

3° Medir o pH da água


Etapa II

1° Usar a tabela que informa o percentual de amônia não ionizada (NH3) em solução na água.

2° Executar uma regra de 3 básica

3° Verificar se o valor encontrado representa perigo, ou não para saúde dos peixes, conforme a tabela de efeito dos níveis de amônia não ionizada (NH3) para peixes ornamentais.


Exemplo 01 – Aquário de lebistes com 28°C pH 7,0 Amônia total (NH3 e NH4+) 0,5ppm, ou 0,5mg/l

Qual percentual de amônia não ionizada (NH3) ?

R: 0,697% tabelado

Qual a quantidade de amônia não ionizadana água do aquário ?

R: 0,5ppm------------------------100% X------------------------------0,697 X = 0,5 . 0,697/100 = 0,003mg/l ou 0,003ppm de amônia não ionizada (NH3)


Este nível representa problema para os peixes do aquário ? R: não.


Exemplo 02– Aquário de ciclídeos africanos com 30°C pH 8,5 Amônia total (NH3 e NH4+) 0,5ppm, ou 0,5mg/l


Qual percentual de amônia não ionizada (NH3) ?

R: 20,3% tabelado

Qual a quantidade de amônia não ionizadana água do aquário ?

R: 0,5ppm------------------------100% X------------------------------20,3% X = 0,5 . 20,3/100 = 0,1mg/l ou 0,1ppm de amônia não ionizada (NH3)


Este nível representa problema para os peixes do aquário ?R: sim. Inclusive com efeitos subletais

Tabela Porcentagem de NH3 em solução na água para 0 – 30o C de temperatura e pH entre 6 – 10.


Percentagem de amónia não ionizada em função do pH e temperatura:Amónia NH3 (%), pH (unidade), Temperatura (ºC), Salinidade = 0.



b) Cuidados com a alimentação: executar uma boa estratégia nutricional para os ciclídeos africanos previne a manifestação do Malawi bloat. Para isso é pré-requisito conhecer um pouco mais sobre os hábitos alimentares da comunidade de CAS que temos no aquário. CAS herbívoros e onívoros com alta demanda de vegetais na dieta devem receber rações específicas devidamente balanceadas. Estas rações além do balanço de minerais e vitaminas deve agregar mais fibras, carboidratos e proteína de origem vegetal. São na maioria das vezes incrementadas com hortaliças selecionadas e spirulina.


A boa qualidade dos ingredientes é fundamental, caso contrário há enormes perdas na digestibilidade e aproveitamento dos nutrientes essenciais. A presença de tanitos, lignina e fatores antinutricionais podem estar presentes em rações comerciais de segunda linha, portanto é importante adquirir rações de qualidade comprovada.


Como fazer para alimentar meus ciclídeos herbívoros que convivem com onívoros e carnívoros ? Esta situação é muito freqüente. Num Aqua de CAS é comum a presença de uma comunidade com diversas espécies e, inevitavelmente, diferentes hábitos alimentares. A prioridade é oferecer primeiro a ração balanceada para peixes herbívoros, ou peixes com alta demanda de vegetais na dieta. A segunda ração a ser oferecida pode ser a ração para os onívoros.


Abaixo deixamos quatro “Leis” para garantir uma estratégia nutricional aceitável: 1 - É inevitável que todos os peixes comam ambos tipos de rações. 2- É obrigatório que os peixes herbívoros e os peixes com alta demanda de vegetais ingiram suas rações específicas, mesmo que depois comam a outra ração. 3- É inaceitável alimentar somente com a ração para onívoros e carnívoros. 4- É necessário oferecer quantidades suficientes para saciar o apetite, desde que não acarretem em sobras e a indesejada sobrecarga alimentar.


7.0 Tratamento


O tratamento inicial consiste em ações corretivas na água quando esta é o fator/condição que favorecer o surgimento do Malawi bloat. Trocas parciais seguidas o do uso de detoxificantes de ação imediata na inativação da amônia e nitritos são muito úteis. Ações corretivas na dieta da comunidade de CAS também são importantíssimas. Deve-se levar em consideração que dificilmente um peixe com Malawi bloat em estágio intermediário a avançado irá aceitar alimentação. Os peixes enfermos devem ser isolados num aquário hospital para receber antibióticoterapia apropriada.


Visto que há uma alta relação de bactérias anaeróbicas deve-se optar pelo uso de um antibiótico que seja eficaz contra este tipo de bactérias. Entre eles, destaca-se o metronidazol na dosagem de 10mg/litro de água a cada dois dias. É importante realizar uma troca parcial de 50% da água do aqua hospital antes da nova aplicação do antibiótico. Outro medicamento que já se mostrou muito eficaz para o tratamento do Malawi bloat é o SERA Baktopur direct. O espectro é ligeiramente maior do que o metronidazol e, portanto é eficaz tanto para bactérias anaeróbicas, quanto para bactérias aeróbicas. Deve-se aplicar 1 tablete de SERA Baktopur ditect para cada 50 litros de água. Após 3 dias realiza-se uma troca parcial de 50% e aplica-se novamente o antibiótico. Para peixes que se alimentam é interessante agregar suplemento vitamínico junto a uma ração rica em spirulina e outros vegetais.


Artigo gentilmente cedido ao Aquablog pelo amigo Dr. Rodrigo Mabilia, uma das maiores autoridades em Nutrição e Patologia de Peixes Ornamentais do Brasil


Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Breve Histórico: 2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda.; 2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul); 2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS); 2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos * Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.