sábado, 16 de agosto de 2008

II - Biótopos Riograndenses - por Dr. Rodrigo Mabilia

EQUILÍBRIO AMBIENTAL E CADEIA ALIMENTAR
A Estação Ecológica do Taim é estratégica para o equilibrio ambiental em todo o continente. Os seus banhados são utilizados para alimentação e reprodução de aves tanto do Hemisfério Norte quanto do extremo-sul da América.
Veja por que aves de vários pontos do continente procuram o Taim: o lôdo, limo e algas dos banhados e lagoas, servem de alimentação para um caramujo conhecido como pomácea. Este caramujo, por sua vez, serve de alimento para diversas aves, como o marrecão, que vem, a exemplo do cisne-do-pescoço-preto, dos lagos gelados da Patagônia. E também a alguns mamíferos. As aves, que também se alimentam de pequenos peixes das lagoas e até dos filhotes de capivaras e ratões do banhado (caso do gavião carcará), servem, por sua vez, de alimento para outros animais, entre os quais o gato palheiro, graxaim, mão-pelada, que disputam o mesmo espectro de animais com outros carnívoros, como o furão, zurrilho, jacaré-do-papo-amarelo, os gaviões cara-cara, chimango do mangue e com o corujão e a coruja branca de igreja, entre outros. Fonte: http://www.riogrande.com.br


O período de retirada desta foto correspondeu ao de grande estiagem. A vegetação é bem característica a que ocorre durante toda rodovia. Fonte: Rodrigo G. Mabilia

A FLORA DO BANHADO DO TAIM
A vegetação em terra firme é abundante. Ao norte da reserva há uma floresta de Ioha que é composta predominantemente por árvores como Figueiras e Corticeiras, sendo estas últimas encontradas com orquídeas e barbas-de-pau, conferindo um aspecto magnífico. No banhado a vegetação predominante é o Junco (Sairpus ca/ifornicus). A secagem e posterior inundação pelas águas das chuvas permite a constante germinação de vegetação intensa no substrato fértil acumulado durante o período de cheia.
Alguns banhados do Taim estão sujeitos a ciclos de 5 a 20 anos.
Macrófitas Flutuantes: Eichornia crasnpes, Salvinia herzogii, Azolla caroliniana, Lema valdiviana, Pistia stratiotes, Wolffella oblonga, Alternanthera philoxeroides, Spirodela intermédia e Limnobium laevigatum.
Macrófitas Emergentes: Scirpus californicus, Zizaniopsis bonariensis e Scirpus giganteus. Gramíneas: diversas são encontradas com destaque especial para a Paspalum e a Spartina que ocupam grandes áreas do banhado e oferecem refúgio para aves e mamíferos.
Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fundação Universidade federal de Rio Grande e Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

A FAUNA DO BANHADO DO TAIM - ICTIOFAUNA DO TAIM
As principais espécies de peixes que compõe a Ictiofauna do Taim são o Peixe-Rei, o Jundiá, a Traíra, a Viola e um tipo de Tainha que somente ocorre na lagoa Mangueira e pode ser encontrada no Banhado. Como é uma região sem nascentes de águas (as águas das chuvas são escoadas para as lagoas através dos banhados e canais das fazendas), na época da piracema alguns tipos de peixes como o Curimatá, Branca ou Tambico, Lambaris e algumas Traíras, sobem os canais por onde a água das chuvas ou das lavouras de arroz é escoada para as lagoas. Estes terminam morrendo nos campos, onde os banhados acabam. A seleção natural, nesses casos, tem como instrumento o próprio instinto que procura assegurar a sobrevivência da espécie. Esses peixes fazem a piracema, subindo a correnteza até as nascentes, enquanto amadurece a ova antes de seu lançamento nas águas para o nascimento dos alevinos. Como não existem nascentes, eles ficam presos nos banhados rasos, como se estes fossem uma rede. Somente alguns conseguem voltar, e outros procriam nas próprias lagoas. Entre estas espécies citadas a traíra e a branca (Curimatá, ou Tambico), são predadores que tem um papel muito importante no controle das outras espécies. Fonte: http://www.riogrande.com.br
- Invertebrados
Foram identificadas 15 espécies de gastrópodes das famílias: Ampullaridae, Hydrobiidae, Ancylidae, Planorbidae, Physidae e Chilinidae. Nestes mesmos ambientes foram encontrados bivalves do gênero Corbicula e Neocorbicula
- Répteis e Anfíbios Foram identificadas 18 espécies de anfíbios e 21 espécies de répteis, sendo as tartarugas de água doce as mais abundantes. Um estudo verificou que o molusco Ampullaria sp. é um importante integrante da dieta de répteis como o Jacaré-do-Papo Amarelo (Caiman latirostris).

Detalhe da foto com um jacaré “Lagarteando ao sol” para se aquecer. Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Detalhe da foto de Capivara em terra firme com vegetação abundante. Fonte Rodrigo G. Mabilia

A Capivara (Hydrochoerus hydrochoeris) é o mamífero mais ilustre do Banhado do Taim. É o maior roedor do mundo e divide este ambiente junto com o ratão-do-banhado (Myocastor coypus) e a lontra (Lontra longicaudis). Há ainda outras espécies, tais como: o Graxaim, o Tuco Tuco, O Zorrilho e o Tatu peludo.
A Reserva é utilizada como descanso para muitas aves. Alí encontram um porto seguro e alimentação farta que permite se prepararem para sua rota migratória. No detalhe da foto um pequeno banhado seco disponibilizando um banquete de peixes para as Garças. Fonte: Rodrigo G. Mabilia

O Rio Grande do Sul é uma das áreas de maior diversidade de aves aquáticas do Brasil. Isto ocorre, porque é rota migratória de inúmeras espécies vindas, tanto do Norte, como do Sul.

Corydoras paleatus (Foto: José F. Pezzi da Silva). Banhado do Taim

CONSIDERAÇÕES FINAIS: São 16 km de estrada (uma única estrada de passagem pelo banhado do Taim - BR 471). acompanhados de uma bela paisagem a uma velocidade limite permitida de 60 km/h. Durante o trajeto há sinalização por toda rodovia alertando os riscos de atropelamento de animais. Uma das alternativas para minimizar os impactos da rodovia foi a construção de uma barreira de contenção lateral à rodovia.

Túneis também foram construídos em intervalos de distância regulares como forma de passagem para os animais que habitam o banhado. Quem já teve a oportunidade de presenciar esta obra de arte da natureza jamais esquece.

Espero que tenha sido interessante apresentar esta coletânea de informações a respeito do Banhado do Taim. Um abraço a todos e até o próximo biótopo.

Artigo gentilmente cedido ao Aquablog pelo amigo Dr. Rodrigo Mabilia , uma das maiores autoridades em Nutrição e Patologia de Peixes Ornamentais do Brasil.

I - Biótopos Riograndenses - por Dr. Rodrigo Mabilia

Biótopos Rio Grandenses
Por Rodrigo Mabilia

O território do Rio Grande do Sul é marcado pela existência de paisagens muito marcantes de singular beleza. A proposta deste artigo é disponibilizar uma série de matérias que caracterizem um pouco a maravilhosa geografia contemplada neste pedaço de Brasil localizado no extremo sul do país. Iremos tentar demonstrar um pouco da biodiversidade da fauna e flora gaúcha. Desde os Campos de Cima da Serra até a Região dos Pampas deparando-se com a fronteira do Uruguai e da Argentina. Serão vistos banhados, lagos e lagoas espalhados Rio Grande a fora. Veremos o inigualável complexo lagunar litorâneo. Veremos o Delta do Jacuí, o Rio Guaíba, o Taim, a Lagoa dos Patos, Lagoa do Peixe e tantas outras mais. Temos sim a maior Lagoa da América do Sul !
Contaremos com a colaboração de todos vocês para quem sabe compilarmos um banco de dados que contenha os mais variados biótopos e a riqueza de sua ictiofauna.

Introdução
As Unidades de Conservação (Ucs) do Rio Grande do Sul
Fonte: SEMA – Secretaria Estadual do Meio Ambiente
Uma Unidade de Conservação) é uma porção do território com características naturais de relevante valor, legalmente instituída pelo poder público, com objetivos de preservação e conservação ambiental, segundo o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC). Em 1992, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul criou o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), regulamentado em 1998. O SEUC vem sendo implementado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), por meio do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (DEFAP). A Divisão de Unidades de Conservação (DUC) do DEFAP administra essas áreas.
Unidades de Proteção Integral do Rio Grande do Sul
Fonte: SEMA – Secretaria Estadual do Meio Ambiente
São as áreas cujo objetivo básico é a preservação ambiental, sendo permitido apenas o uso indireto do ambiente. Estas compreendem as seguintes categorias:
Parque Estadual - áreas de domínio público com os objetivos básicos de preservação de ecossistemas naturais; realização de pesquisas científicas, de atividades de educação ambiental, de recreação, de contato com a natureza e de turismo ecológico.
Reserva Biológica - áreas de domínio público destinadas à preservação integral da biota, sem interferência humana direta, cuja superfície varia em função do ecossistema ou das espécies a serem preservadas. O acesso público é restrito à pesquisa científica e à educação ambiental. Estação Ecológica - área representativa de um ecossistema, destinada a pesquisas, à proteção do ambiente natural e à educação ambiental. É permitido alteração antrópica para realização de pesquisa científica em até 5% da área. As áreas compreendidas em seus limites devem ter domínio público.
Refúgio de Vida Silvestre - área de domínio público ou privado com o objetivo de proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.

Ilustração demonstrando as Unidades de Conservação Estaduais do Rio Grande do Sul. Fonte: SEMA – Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Visualização do Sul do Brasil, Uruguai (embaixo), Argentina (esquerda), e Paraguai (em cima, à esquerda). Vê-se a Lagoa dos Patos (embaixo, à direita), o maior lago do Brasil, junto com a Lagoa Mirim (NASA - novembro 2002). Fonte: http://www.imagens-terra.com/brasil-uruguai.htm


Foto B de satélite indicando a zona (círculo branco) correspondente ao Banhado do Taim. Fonte: http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br/rs/index.htm

BIÓTOPOS RIO GRANDENSES
I Banhado do Taim
Por Rodrigo G. Mabilia
A Reserva Ecológica do Taim é a mais importante do estado do Rio Grande do Sul. Fica a 120 Km da sede do município de Santa Vitória do Palmar. O Taim fica 200km ao sul da cidade de Pelotas e antes do Chuí (extremo sul do Brasil e divisa com o Uruguai). Com acesso direto pela BR 471. São cerca de 33.000 hectares, sendo que 70% dessa área fica em Santa Vitória e os restante 30% no município do Rio Grande. É um ecossistema predominantemente pantanoso, com vegetação e fauna típicas. Belos bosques circundam os banhados em anéis de figueiras e corticeiras, além de dunas na extensão intermediária com as praias litorâneas.
Além de inúmeras espécies de peixes e animais silvestres (jacarés, lontras, capivaras, ratões-do-banhado) existem aves aquáticas de numerosas espécies habitam o banhado ou migram, fazendo dali um ponto de parada obrigatório, destacando-se entre elas o cisne-do-pescoço-preto. Fonte: http://www.visitesantavitoria.com.br

Foto A de satélite indicando a zona (círculo branco) correspondente ao Banhado do Taim. Fonte: http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br/rs/index.htm

Confira a animação que demonstra o Cenário Hidrológico do Banhado do Taim desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH-UFRGS) clicando no link abaixo :
http://www.iph.ufrgs.br/peld/slides/taim/animacao.htm

No Banhado do Taim por sua larga extensão (33.000 hectares) somam-se uma diversidade de biótopos com características muito semelhantes. Particularmente, fica muito difícil avaliar macroscopicamente cada um deles. Por esta razão iremos abordar o Banhado do Taim como um único grande biótopo. Quanto as espécies de peixes (a ictiofauna do Banhado do Taim), iremos descrevê-la no decorrer desta matéria.

continua em : II - Biótopos Riograndenses por Dr. Rodrigo Mabilia

Ajuste da densidade correta de peixes no aquário por Dr. Rodrigo Mabilia

fonte da foto : http://olhares.aeiou.pt de Adir Luis Ferreira

Ajuste da Densidade correta de Peixes em Aquários
Rodrigo G. Mabilia
Na hora de montarmos um aquário sempre devemos pensar nas espécies de peixes que gostaríamos de criar. Nosso aquário deve ser dimensionado de tal forma que não restrinja as condições de bem estar animal. Pense sempre nisso ! Bem estar animal.
O Alerta - Aquários do tipo bola, ou seja lá o sinônimo que for, não são adequados para criarmos nossos peixes. Da mesma forma, devemos ter muito cuidado na escolha de uma Beteira muito pequena para o peixe betta. A restrição de espaço sempre torna instável um ambiente aquático e acarreta problemas aos peixes.
No caso do peixe Betta, na maioria das vezes, só percebe-se quando há doença, mas devemos saber que os problemas surgem muito antes disso através dos efeitos crônicos do estresse.
Outro exemplo de um erro freqüente é a criação de Caudas-de-véus e Carpas coloridas em aquários sem estimarmos o tamanho adulto desses peixes. Quando filhotes (alevinos) é fácil sua criação em aquários, mas com o passar do tempo o aquário torna-se insuficiente. Na maioria das vezes essa limitação do espaço acaba por não permitir que esses peixes atinjam a idade adulta.
Como criar kingyos e carpas num aquário ?
- Há uma possibilidade real de criarmos kingyos num aquário com um bom sistema de filtragem instalado e um grande volume de água por unidade de peixe. Essa possibilidade é plenamente viável para kingyos, mas não se repete para as carpas. As carpas ornamentais devem, obrigatoriamente, ser criadas num lago de jardim, salvo a existência de um aquário tanque.
Consulta ao Lojista - Existem muitos meios de buscar informações para um correto dimensionamento de um aquário: desde a orientação de um lojista especializado até o acesso a livros e internet.
O mais adequado, ao menos como orientação primária, é buscar a orientação de um lojista especializado. Essa orientação pode ser obtida já no momento da compra do aquário, acertando detalhes do dimensionamento, iluminação e o sistema de filtragem mais adequado.
Determinação da densidade de peixes de um aquário
- Nesse breve artigo procuramos disponibilizar uma regra básica generalista, para que você possa determinar a quantidade de peixes que seu aquário suporta. Essa regra oferece uma boa precisão, sendo uma compilação e revisão de uma série de outras regras que já foram disponibilizadas ao longo dos anos para os aquaristas e criadores. É atualmente uma regra colocada em prática na criação de peixes ornamentais existente na Estação de Piscicultura da ULBRA/RS (Universidade Luterana do Brasil).
Cálculo da Densidade de Peixes para Aquários Unidade de medida: comprimento de peixe/L Peixes de pequeno porte (2 a 5cm).......................0,5 a 1 litro de água para cada cm de peixe. Peixes de pequeno porte (5,1 a 9,9 cm)................1,1 a 2 litros de água para cada cm de peixe. Peixes de médio porte (10 a 13,9 cm)...................2,1 a 3 litros de água para cada cm de peixe. Peixes de grande porte (acima de 14 cm)..............3,1 a 4 litros de água para cada cm de peixe.
Flexibilidade da Regra
- Quanto mais eficaz o sistema de filtragem mais peixes podemos colocar num aquário.
- Quanto menor o intervalo de trocas parciais de água mais peixes podemos colocar num aquário. - Quanto maior o percentual de renovação de água mais peixes podemos colocar no aquário.
Considerações Finais
- Pelo fato de existir uma flexibilidade explícita sobre essa regra, há muita margem para que o aquarista faça ajustes sem comprometer a estabilidade do equilíbrio aquático e bem estar de seus peixes. Nisso, deve prevalecer o bom senso e uma boa técnica sempre respeitando as exigências e preferências de cada espécie de peixe que pretendemos criar.
Consulte sempre lojistas especializados e uma boa leitura para te ajudar a tomar a decisão correta.
Use a regra !
Faça uma avaliação sobre a densidade de peixes que você possui no seu aquário !
Use o bom senso, revise sua técnica, e interprete os resultados.
Artigo gentilmente cedido ao Aquablog pelo amigo Dr. Rodrigo Mabilia, uma das maiores autoridades em Nutrição e Patologia de Peixes Ornamentais do Brasil.
Nota do Aquablog : Essa regra de povoamento, evidentemente não se aplica aos aquários densamente plantados, estilo nature aquarium ou holandês, cuja atração principal são as plantas e os peixes adquirem papel secundário. Nesse tipo de aquário o controle de nutrientes em excesso (sobras e dejetos) devem ser reduzidos ao máximo e ter um controle rigoroso.

The Night Pearl – O PEIXE TRANSGÊNICO - por Dr. Rodrigo Mabilia

O Danio rerio, é um ciprinídeo de origem asiática muito comercializado e conhecido pelos aquaristas brasileiros com o nome de paulistinha. Internacionalmente é conhecido como “Zebra Fish”, sendo provavelmente uma das espécies de peixes mais estudadas quanto a sua fisiologia, genética, e comportamento. O que talvez muitos aquaristas não sabem é que o D. rerio é muito utilizado no mundo todo para pesquisas na área de biologia molecular e ensaios de toxicidade que avaliam a qualidade da água de efluentes. No ano de 2003 uma versão transgênica deste peixe foi disponibilizada comercialmente. Batizado de “Night Pearl” (Pérola Noturna), pela empresa Taikong Corporation, despertou rapidamente atenção da mídia e foi alvo de muitas críticas que fizeram pesquisadores reverem conceitos de bioética. Neste peixe foi inserido genes de um tipo de água viva fosforescente que confere ao peixe uma capacidade singular de brilhar no escuro. A empresa garante que seu produto não representa perigo ao meio ambiente, uma vez que todos exemplares são estéreis. O “Night Pearl” já foi exportado para diversos países adquirindo diferentes apelidos. Nos Estados Unidos batizado de “GloFishTM” custa aproximadamente 5 dólares e já gerou muita polêmica. A Califórnia chegou a proibir sua comercialização.

Visualização do GloFish™ expostos a condições de luz do dia promovidas por lâmpadas fluorescentes. Os peixes tem a capacidade de absorver a luz e emitir uma coloração bem mais brilhante.

- Os Benefícios do Paulistinha Transgênico para a Ciência. Fonte: Vox Sciantiae - Produto do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP - São Paulo - Maio/Junho de 2004 - Ano 4 - Nº20 Textos escritos e editados pelos alunos do Curso de Especialização em Divulgação Científica, do NJR-ECA/USP

Em Cingapura, mais precisamente no departamento de ciências biológicas da NUS (National University of Singapore), pesquisadores estão trabalhando em um projeto de desenvolvimento de paulistinhas transgênicos. A idéia é produzir peixes modificados geneticamente capazes de indicar se a água em que estão está ou não contaminada por poluentes. Este tipo de peixe, produzido através de técnicas de engenharia genética e biologia molecular, seria uma ótima alternativa ao uso dos complicados testes para a identificação de poluentes na água. A técnica consiste em extrair genes de medusas fluorescentes e injetá-los em ovos de paulistinhas. Com estes genes, o corpo dos peixes é capaz de produzir uma coloração florescente vermelha ou verde. E, para provocar o funcionamento destes genes, os cientistas utilizam promotores que induzem estes genes funcionando como interruptores que ativam ou não a coloração fluorescente dos peixes. Com isso os cientistas já produziram peixes capazes de identificar dois tipos de substâncias químicas na água, estrógenos e metais pesados. Os peixes começam a indicar a presença das substâncias, imediatamente após serem colocados em água contaminada, através da mudança de sua cor. Embora atualmente somente cores vermelhas e verdes possam ser utilizadas, os cientistas revelaram que poderiam adicionar até cinco cores a cada peixe, cada uma para indicar um tipo diferente de poluente. A grande vantagem do uso destes peixes transgênicos está na sua fácil utilização, onde apenas com um rápido olhar é capaz de se descobrir a presença de um poluente na água. Além disso estes peixes possuem algumas vantagens em relação aos outros indicadores para poluentes, pois eles são biodegradáveis, baratos e de fácil produção. Futuramente esta tecnologia também poderá estar disponível para outros peixes projetados geneticamente, marinhos ou não. Atualmente os cientistas estão pesquisando peixes que mudam de cor de acordo com a temperatura da água, o que pode levar ao uso de peixes fluorescentes como indicadores de temperatura. Aspecto incandescente obtido em Paulistinhas D. rerio transgênicos em ambientes completamente escuros. Este efeito é otimizado com auxilio de uma luz negra.

- Revisão dos Conceitos de Bioética
A polêmica gerada sobre o uso da biotecnologia, mais precisamente a transgenia é mais do que atual. Neste cenário obrigatoriamente precisa ser deixado de lado correntes idealistas sem embasamento científico para, somente então, dar início a um processo de discussão. Os benefícios da transgenia são muito claros e quando somados a pesquisas sérias enquadradas nos conceitos de bioética são potencialidados. A manipulação e desconhecimento desta ciência por alguns idealistas, ao contrário, podem gerar incertezas e medo na sociedade. Na questão do paulistinha transgênico estamos diante de duas aplicações distintas sobre o uso da transgenia.
A primeira possui objetivos claros que visam a utilização de um organismo geneticamente modificado para identificação de contaminantes ambientais na água.
A segunda, para criar um produto e disponibiliza-lo no mercado comercialmente. Iremos nos deter a segunda, pois esta é alvo de severas críticas repletas de adjetivos tais como: curiosidade, futilidade e modismo. Críticas estas onde o aquarista tem papel fundamental na formação do conceito de bioética. Talvez seja possível fazer uma analogia aos donos de “Pets” que estão dispostos a desembolsar fortunas para clonar seu animal preferido de estimação. Quero dizer que a clonagem como ciência tem objetivos claros e muito bem fundamentados, no entanto fazer uso da clonagem para clonar seu animal de estimação por mera vaidade é uma tremenda futilidade.

Neste peixe foi inserido genes de um tipo de água viva fosforescente que confere ao peixe uma capacidade singular de brilhar no escuro. fonte : http://www.ecologyasia.com/
Esse artigo foi gentilmente cedido ao Aquablog pelo amigo Dr. Rodrigo Mabilia, uma das maiores autoridades em alimentação, nutrição e patologia de peixes ornamentais do Brasil.
Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Breve Histórico:
2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda.;
2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul);
2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS);
2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos
* Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.
- Considerações Finais Procurei neste artigo colocar em evidencia a questão do desenvolvimento de peixes transgênicos com finalidade de ornamentação. Este é um tema atual onde todos nós aquaristas estamos envolvidos. Ser contra, ou a favor do paulistinha transgênico que brilha no escuro não implica em certo, ou errado. É uma decisão particular de cada aquarista. É a decisão da maioria que irá dizer se é ético, ou não comercializa-lo. Até mesmo, porque não existindo mercado para o paulistinha que brilha no escuro não há razão em produzí-lo. Deixo uma pergunta para refletirmos: será que é este o papel da transgenia ?
Nota do Aquablog : Pessoalmente, (Lescanjr), como idealizador e roteirista do Aquablog, sou contrário a todo e qualquer tipo de manipulação de vidas para satisfação da vaidade pessoal do ser humano . O Homem precisa evoluir muito ainda para perceber que um animal, qualquer que seja, é seu irmão e provém do mesmo Criador. O fato de ser mais fraco e indefeso que o Homem não dá o direito á esse último de brincar com sua vida . Conclamo a todos os Aquaristas conscientes que jamais comprem peixes desse tipo, pois estarão ajudando uma indústria "podre e milionária" que não respeita à Vida em seus direitos fundamentais . Não discuto aquí pesquisas científicas que visem o bem da Humanidade, mas sim a bestialidade de um ser que se diz racional e tem a coragem de manipular uma vida dessa maneira . Nessas horas tenho até vergonha de "ser humano" e me curvo respeitosamente ante à pureza de espírito e inocência de todos os outros animais !


A doença do Neon : Pleistophora - por Dr. Rodrigo Mabilia

Pleistophora: a doença do Neon Por Rodrigo G. Mabilia

1.0 Introdução – Considerações gerais sobre a Doença do Neon
A doença do Neon tem uma grande repercussão sob o ponto de vista sanitário em peixes ornamentais devido a sua alta patogenicidade (capacidade e severidade dos danos causados ao organismo).
A alta taxa de mortalidade e frustradas tentativas de tratamentos são duas características muito marcantes dessa enfermidade no meio aquarístico.
Outro aspecto muito importante é o desconhecimento de alguns aquaristas e criadores sobre a real causa dessa enfermidade e, por essa razão, não associam os sinais clínicos com o correto agente causador do problema.
Agente Causador: o agente causador da Doença do Neon é um protozoário interno da ordem Microsporida. O Pleistophora, é um parasita obrigatório intracelular, ou seja, é encontrado dentro do organismo (tecidos) do peixe. Essa é uma diferença muito marcante desse protozoário em relação aos demais, comumente estudados. Enquanto o Pleistophora é um parasita interno, a grande maioria dos protozoários parasitas de peixes são externos (Ictio, Oodinium, Chilodonella, Trichodina, entre outros).
O Pleistophora só acomete o Neon ? Não. O gênero Pleistophora acomete uma diversidade de espécies de caracídeos: Neons (Paracheirodon sp.), Rodóstomos (Hemigrammus rhodostomus), Rosáceos e uma série de outras espécies com menor freqüência. Há casos dessa doença também em paulistinhas (Danio rerio) demonstrando que não é uma doença exclusiva dos neons, embora, seja popularmente conhecida como tal. Esta nomenclatura se repete no exterior onde é denominada de Neon Tetra Disease (NTD), sendo essa a forma de encontrar muitas informações em sites de busca.
2.0 Considerações sobre o Ciclo de Vida e a Transmissão O Pleistophora, assim como muitos outros protozoários microsporídeos (Guglea e Ichthyosporidium), são capazes de formar cistos em diversos órgãos do peixe. O início do ciclo de vida ocorre quando os peixes ingerem os esporos presentes no ambiente. No trato intestinal, os esporos liberam formas embrionárias do parasita que ultrapassam o epitélio intestinal e via sanguínea atingem diversos órgãos, incluso a musculatura onde há formação de cistos. Os tecidos atingidos passam por uma severa reação inflamatória seguida de necrose e liquefação (uma verdadeira morte do tecido). A doença tem caráter agudo e em poucas horas (12 a 18 horas) já verifica-se os primeiros peixes moribundos. É possível a perda de um cardume em menos de 48 horas.
Transmissão: a transmissão desse microsporídeo é direta por via oral. A ingestão de esporos pelo peixe determina a continuidade do ciclo. Peixes mortos são uma importante fonte de infecção, pois liberam os esporos no ambiente, ou ainda podem ser devorados por outros peixes.
Sinais Clínicos: os sinais clínicos são marcados pela presença das lesões causadas por múltiplos cistos na musculatura. Os cistos causam colapso das fibras musculares e uma intensa reação inflamatória ao seu redor.
Neons acometidos de NTD - Neon tetra disease, ou simplesmente, Doença do Neon. Fonte: http://www.erdingtonaquatics.com
Neon acometido por NTD. Fonte: http://www.adventureangling.com
Forma com que os cistos de microsporídeos são observados durante a histopatologia. Visualização miscroscópica de um cisto em tecido muscular. Fonte: http://www.afsc.noaa.gov
Rodóstomo infestado por Pleistophora já com a marcação pálida-esbranquiçada na região do pedúnculo caudal. Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Iinicialmente os peixes ficam hiperativos, com os movimentos operculares de respiração muito acelerados mesmo durante o apagar das luzes. Após algumas horas, já é possível perceber perda da coloração (porções esbranquiçadas que contrastam com a região do corpo não afetada). Muitas vezes essa região é bem demarcada e permanece pálida-esbranquiçada no pedúnculo caudal. Essa alteração de coloração precede a dificuldade de nado. O nado dos peixes fica prejudicado progressivamente até que o peixe perde o controle, entrando na fase agônica. O curvamento da coluna vertebral ocorre em alguns casos. A presença de infecções secundárias na pele, nadadeiras e vesícula gasosa (bexiga natatória) ocorre com grande freqüência, no entanto não resta muito tempo para sua constatação, nem evolução, pois os peixes não resistem por período suficiente.


Visualização dos esporos livres de Pleistophora. Forma com que o peixe ingere e se infecta. Fonte: http://o-fish.com

3.0 Fatores predisponentes para ocorrência do Pleistophora

Estresse pós-transporte: O estresse pós-transporte é, sem dúvida, o fator de maior predisposição para manifestação clínica do Pleistophora. O parasita encontra-se sob a forma de cistos (encapsulados e protegidos) no tecido muscular e/ou órgãos, mas a sua liberação para o meio externo de seus esporos ocorre mediante a morte do hospedeiro na maioria das vezes. Esse parece ser um ponto crucial, pois caso ocorra a morte de um, ou mais peixes portadores desses esporos durante o transporte (situação muito comum visto as condições adversas a que são expostos) haverá a disseminação desse protozoário microsporídeo para a água. O fato dos peixes sobreviventes enfrentarem um estresse agudo torna-os mais susceptíveis a uma infestação (ou até mesmo uma reinfestação). Sem defesas imunes competentes, os peixes adoecem abruptamente e manifestam os sinais clínicos já descritos após ingestão dos esporos (via oral) presentes no ambiente aquático. Esses sinais ocorrem durante o transporte, ou logo depois de chegar a sua origem.

Altas temperaturas e mudança brusca de pH: A associação de altas temperaturas com variações do pH (alcalinização) são também fatores que podem desencadear a manifestação clínica do Pleistophora. Neons e outros caracídeos adaptados naturalmente a pH ácido, quando submetidos a uma mudança brusca de pH (até uma faixa básica) podem ter a liberação de esporos a partir dos cistos superficiais na musculatura, ou cistos no tecido das brânquias. Mais uma vez, temos a condição para a continuidade do ciclo de vida do parasita e manifestação clínica da doença. O estresse pela exposição a uma faixa de pH inadequada para essas espécies é predisponente para que após a ingestão dos esporos do Pleistophora ocorra a doença aguda.

4.0 Prevenção As recomendações básicas de alimentação e manutenção da qualidade da água são de igual importância, assim como, devemos fazer para prevenir qualquer enfermidade em nossos aquários e/ou criação. O Aquarista deve evitar adquirir peixes recém chegados na loja, principalmente os considerados do grupo de risco para o Pleistophora (Neons, Rodóstomos, Rosáceos e Tetras). A quarentena nessas espécies é crucial para evitar a introdução de peixes infectados e peixes imunodeprimidos sob efeito do estresse agudo. É fundamental também cuidar para que não ocorram mudanças de pH (de ácido para básico), principalmente para neons e rodostomos já sob efeito do estresse do transporte. Essa mudança de pH, pode proporcionar reinfestações.

5.0 Tratamento Alguns criadores e aquaristas afirmar ter “segredos” para a cura dessa doença, mas a grande verdade é que não há tratamento específico. Qualquer tratamento executado, até o momento, é sintomático, mas nem por isso, desprezíveis. Entre os princípios ativos mais associados e indicados temos os nitrofuranos e a eritromicina. A utilização do SERA Baktopur Direct logo no início dos primeiros sinais clínicos pode garantir uma diminuição da taxa de mortalidade, favorecendo os indivíduos mais resistentes. Formulações a base de azul de metileno, permanganato de potássio, formalina, acriflavina não são eficazes.

Artigo gentilmente cedido ao Aquablog pelo amigo Dr. Rodrigo Mabilia, uma das maiores autoridades em alimentação, nutrição e patologia de peixes ornamentais do Brasil.

Alimentação e Nutrição de Peixes Ornamentais Por Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Breve Histórico: 2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda.; 2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul); 2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS); 2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos * Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.

II- Guia Ilustrado - Doenças Fungicas dos Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia




Caso clínico grave de doença fúngica associada com doença bacteriana. Visualização de da presença de ulcerações e hemorragias no tegumento. Fonte: Rodrigo G. Mabilia Outro caso de infecção fúngica externa com visualização bem característica com aspecto de tufos de algodão. Fonte: www.aquariumpharm.com


Exame Laboratorial – a coleta de material através de “claps”, ou raspados suaves que não prejudiquem os peixes é suficiente para a montagem de lâminas para visualização na microscopia. É possível identificar desde hifas até esporos ainda aderidos conforme segue as imagens abaixo.


Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Fonte: www.protist.i.hosei.ac.jp
Prevenção: medidas preventivas correspondem basicamente com os cuidados da qualidade da água e uma dieta balanceada que contenha um rico complexo vitamínico. Termostato/Aquecedor: um bom sistema de controle da temperatura da água é essencial para previnir o aparecimento de doença fúngica, pois como já vimos anteriormente, quedas bruscas de temperatura causam uma baixa de imunidade.
Ultravioleta: o sistema de irradiação ultravioleta é apontado como a forma mais indicada para o controle e prevenção de fungos no ambiente aquático, pois impedem sua proliferação e transmissão de forma segura com altíssima eficácia.

Tratamento: o tratamento das doenças fúngicas consiste na melhoria das condições de qualidade de água, nutrição e medicação apropriada.
Artigo gentilmente cedido ao Aquablog pelo amigo Dr. Rodrigo Mabilia - uma das maiores autoridades em alimentação, nutrição e patologia de Peixes Ornamentais do Brasil.
Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Breve Histórico:
2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda.;
2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul);
2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS);
2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos
* Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.


I- Guia Ilustrado - Doenças Fúngicas dos Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia

Destaque especial (círculo) para a família Saprolegniaceae onde encontram-se os 3 gêneros de fungos externos de maior significância: Saprolegnia, Achlya e Aphanomyces. Fonte: D. W. Bruno & B. P. Wood

Guia Ilustrado das Principais Enfermidades Fúngicas dos Peixes Ornamentais
Por Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário


As doenças fúngicas que acometem os peixes ornamentais apresentam grande relevância. Os fungos podem ser causa primária de uma doença, assim como podem fazer o papel de agentes oportunistas. A segunda situação (agente oportunista) é sem dúvidas a mais freqüentemente observada no aquarismo. Ocorre sempre quando os peixes estão debilitados enfrentando uma situação de estresse mediada por uma inadequada qualidade de água e alimentação deficiente. No aquarismo, há ainda uma idéia predominante de que as doenças fúngicas tem um aspecto de tufos de algodão e que estes ocorrem na superfície do corpo dos peixes. É uma verdade incompleta ! Existem sim doenças fúngicas que podem ser diagnosticadas no exame visual por esta interessante característica de tufos de algodão, mas há também infecções fúngicas sistêmicas. As infecções fúngicas sistêmicas possuem alta atogenicidade e apresentam uma maior taxa de mortalidade.


Há ainda uma confusão frente uma outra doença: as infestações por protozoários Sessilidas, tendo o Epystilis um dos principais representantes. A Epistiliose (doença causada por este protozoário) é muito freqüente no aquarismo e seus sinais clínicos (tufos esbranquiçados na superfície do corpo) diversas vezes são interpretados erroneamente como doença fúngica.


Espero poder trazer informações novas neste modesto artigo. Acredito que seria possível, aqui neste espaço, expor novos conceitos teóricos e práticos sobre as doenças fúngicas que ainda não vejo serem empregados no aquarismo. Vamos lá...

Considerações sobre os Fungos
Os fungos são classificados basicamente em saprófitas e parasitas. Os saprófitas correspondem aos fungos de vida livre que alimentam-se da matéria orgânica existente no ambiente. Já os parasitas são aqueles que se alimentam as custas de um hospedeito. Há exceções. Existem fungos parasitas facultativos, assim como existem fungos saprófitas facultativos.
Existem 3 considerações genéricas importantes a fazer relacionadas as doenças fúngicas:
1a as doenças fúngicas acometem todas as espécies de peixes ornamentais sem diferenças no grau de especificidade.
2a os peixes debilitados e imunodeprimidos são o maior alvo.
3a representam um grande problema para ovos incubados.

Na figura acima, relacionamos as principais doenças fúngicas, seus agentes causadores e o local de infecção.
Agente: Saprolegnia...............Doença: Saprolegniose...............Local Infecção: Tegumento, Nadadeiras, olhos e Brânquias
Agente: Achlya...............Doença: sem denominação técnica...............Local Infecção: Tegumento, Nadadeiras, olhos e Brânquias
Agente: Aphanomyces...............Doença: Afanomicose...............Local Infecção: Tegumento, Nadadeiras, olhos e Brânquias
Agente: Branchiomyces...............Doença: Branquiomicose...............Local Infecção: Brânquias Agente: Exophiala...............Doença: Exofialose...............Local Infecção: Sistêmico
Agente: Ichthyophonus...............Doença: Ictiofonose...............Local Infecção: Sistêmico

Transmissão: a transmissão das doenças fúngicas ocorre de forma direta entre peixes e ovos contaminados. A liberação de zoosporos na água permitem uma rápida disseminação da doença num cardume. A temperatura e a quantidade de matéria orgânica também contribuem para a reprodução e rápida disseminação dos fungos no ambiente aquático.
Fatores Predisponentes: sabemos que os peixes estão continuamente expostos aos fungos presentes no ambiente aquático. A presença de matéria orgânica mais uma vez é apontada como um dos fatores predisponentes. Há ainda influência da temperatura da água. Existem espécies de fungos que causam doença em águas quentes, enquanto outras causam doença em águas mais frias.
No gênero saprolegnia, por exemplo temos a S. diclina mais evidente no inverno, enquanto a S. ferax ocorre predominantemente no outono e primavera.
Sinais Clínicos: os sinais clínicos das doenças fúngicas externas correspondem aos tão referenciados tufos de algodão. Estes tufos podem ser localizados na pele, nas nadadeiras, na cabeça e boca. Não há desta forma uma região de preferência significativa para o parasitismo. As lesões na pele são inicialmente acinzentadas e/ou brancas. No caso de infecções mais severas o fungo pode atingir até 80% da superfície do corpo dos peixes. Muitas vezes ocorrem erosões graves que atravessam a epiderme até atingirem a derme. Assim, temos muito freqüentemente infecções fúngicas e infecções bacterianas simultâneas. Os peixes infectados apresentam letargia e perda do equilíbrio durante o nado. É muito importante tomar os devidos cuidados com lesões decorrentes de brigas e/ou captura, pois estas consistem em verdadeiros locais de fixação e constituição da colônia fúngica.
Disfunção Osmorregulatória: um dos primeiros transtornos fisiológicos causados pelas doenças fúngicas é o desbalanço osmótico do organismo. Este ocorre pela perda da integridade da pele e destruição tecidual em virtude da penetração das hifas dos fungos. A morte do hospedeiro ocorre pela alteração da pressão osmótica com a perda de íons e hemorragias.
Atividade Enzimática: os fungos da família Saprolegniaceae (Achlya, Saprolegnia e Aphanomyces) possuem enzimas proteolíticas ativas que contribuem com a patogenicidade destes agentes. Estas enzimas promovem a destruição do epítelio para permitir a penetração e fixação das hifas dos fungos.
Imunologia: a manifestação de doença fúngica nos peixes está relacionada ao estado de imunodepressão. Imunodepressão esta mediada uma condição fisiológica de estresse. É muito comum o surgimento de infecção fúngica em´após períodos de queda de temperatura, ou que ocorram grandes oscilações. Condição ambiental esta que ocorre, muito frequentemente na prática, com o Beta Splendens. Diversos estudos, sob condições controladas, demonstraram uma alta relação entre a baixa imunidade e os decréscimos da temperatura da água como resultantes na manifestação de doença causada por fungos.

Visualização de regiões delineadas (círculos) e seta indicando a presença de colônias de fungos. Aspecto bem característico de tufos de algodão ainda em fase inicial.

Diagnóstico: o diagnóstico de doença fúngica é relativamente fácil para os casos de doença fúngica externa. Para as doenças fúngicas sistêmicas requer exames mais apurados. É muito importante realizar um diagnóstico diferencial para protozoários Sessilidas (Epistylis, por exemplo). Fica o alerta também para os novatos que freqüentemente confundem manchas esbranquiçadas causadas por outros protozoários com doença fúngica, propriamente dita. Na dúvida é sempre melhor procurar orientação técnica, uma vez que, os tratamentos para doença fúngica são diferenciados sobre os tratamentos de doenças causadas por protozoários. Exame Clínico - no exame clínico (visualização a olho nu) observa-se tufos de algodão bem característicos e manchas esbranquiçadas com um aspecto gelatinoso em alto relevo. Abaixo uma coletânea de imagens e suas respectivas referências: Visualização de Saprolegnia na região lateral do corpo sob um aspecto esbranquiçado, gelatinoso em alto relevo. Fonte: www.fishdoc.co.u
Visualização das hifas de Achlya (aspecto espetado) no interior do circulo na região caudal e pedúnculo caudal. Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Visualização de uma enorme infecção fúngica com sinal bem característico de infecções externas (Saprolegnia/Achlya/Aphanomyes) que pode também ser confundido com Epistylis. Fonte: www.elacuarista.com

Continua em II- Guia Ilustrado - Doenças Fúngicas dos Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia

V - Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais por Dr. Rodrigo Mabilia

Exemplar de neon integrante de um cardume de mais de 3 anos e meio com sinais de micobacteriose presente já a 3 meses. Os exemplares no estágio final da doença começam a sofrer infestações parasitárias secundárias por protozoários ciliados, entre eles, o Ichthyophthirius (ictio). É evidente a imunodepressão presente entre os peixes de idade avançada. Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Eritrodermatite, ou Furunculose A eritrodermatite é uma doença bacteriana causada pela bactéria Aeromonas salmonicida. Como o próprio nome científico sugere, esta doença tem alta especificidade para salmonídeos onde a sua manifestação clínica recebe o nome de Furunculose. Contudo, existem subespécies de relevância para não salmonídeos como o caso de peixes de couro e ciprinídeos ornamentais (carpas e os kingyos). A espécie associada em espécies de peixes que não sejam salmonídeos é a Aeromonas salmonicida subsp. Nova.
Um fator predisponente ao aparecimento desta doença são as lesões causadas por ectoparasitas como o Argulus e a Lernea. Os locais de fixação destes parasitas são propícios a desenvolverem uma eritrodermatite (inflamação, irritação e infecção da pele). Esta eritrodermatite tem grande importância em peixes de lago onde recebe a denominação de Eritrodermatite das Carpas, devido a grande ocorrência nesta espécie. Sinais Clínicos e Patogenia da Eritrodermatite:
A denominação de furunculose, para esta doença causada pela A. salmonicida retrata muito bem o aspecto externo do tegumento dos peixes infectados. A presença de “furúnculos” é semelhantes ao tipo de lesão causada pelas bactérias causadoras de septicemia. O diagnóstico diferencial é possível apenas mediante exame bacteriológico laboratorial seguido de identificação bioquímica. São exames triviais e já com uma metodologia definida.

Visualização de uma eritrodermatite 1. Fonte Rodrigo G. Mabilia
Cauda-de-véu com sinal clássico de furunculose causada por Aeromonas salmonicida. Fonte: www.disease-watch.com
Visualização de eritrodermatite 2. Fonte: www.petlegal.vet.br

Nota do Aquablog : Artigo gentilmente cedido pelo amigo Dr. Rodrigo Mabília, uma das maiores autoridades em Alimentação, Nutrição e Patologia de Peixes Ornamentais do Brasil .

Dr. Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Breve Histórico: 2002/2006 - execução de Projetos e Assistência Técnica em Piscicultura Ornamental e Aquarismo pela DeltaSul Aquacultura ltda. 2003/2006 - atuou no AQUAVET (Laboratório Integrado de Diagnóstico de Patologias de Animais Aquáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul); 2005-2006 - integrante da Equipe da AQUARIUM Alimentos e Acessórios para Aquarismo; 2003/2007 - Consultor, Professor e Responsável Técnico da Estação de Aqüicultura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS); 2006-2007 - Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul atuando na sanidade de Animais Aquáticos * Rodrigo Mabilia atualmente é Médico Veterinário, Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura atuando na Divisão de Pescado no Estado de Santa Catarina.

IV -Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais

Visualização de um abscesso após ulceração com exposição da musculatura. Bordos da lesão esbranquiçados (necrose). Além do problema causado pela infecção, há uma perda da integridade da barreira que isola o peixe da água. A perda desta barreira física provoca uma grave disfunção osmorregulatória. No caso de peixes de água doce, estas lesões fazem o peixe inchar, enquanto que para peixes de água salgada, fazem o peixe desidratar. A morte dá-se justamente por esta disfunção osmótica. Fonte Rodrigo G. Mabilia.

Forma aguda da septicemia causada por edwardsielas: a forma aguda é aquela que ocorre mais de imediato. É mais agressiva desde o início de seu surgimento. A bactéria (Edwardsiela) é ingerida e absorvida pelo organismo onde irá infectar diversos órgãos. A manifestação clínica desta forma aguda é mais interna do que externa. Há pouca presença de lesões e ulceras externas, mas no exame de necropsia os órgãos internos deflagram os malefícios causados pela bactéria. Órgãos como o fígado, baço e intestino são os mais afetados. Estes peixes acometidos pela forma aguda mostram-se apáticos, com perda de apetite e natação irregular. Nos estágios mais avançados da septicemia pode ocorrer exoftalmia (olhos saltados), distenção do ventre (ascite/hidropsia) e as lesões cutâneas características a exemplo das ilustrações anteriores. Forma crônica da septicemia causada por edwardsielas: a bactéria atinge o peixe pela via nervosa através do trato olfatório localizado nas duas fossas nasais (fundo cedo nos peixes). A infecção atinge as meninges e finalmente a pele onde pode ocorrer o Buraco na Cabeça. (não confundir esta patogenia do buraco na cabeça com a patogenia da doença dos discos, pois são completamente diferentes). A progressão da doença é mais lenta do que a forma aguda, mas nem por isso menos fatal.

Forma crônica de uma septicemia causada por Edwardsiella Tarda. Visualização característica do Buraco na Cabeça, posteriormente a infecção das meninges. Fonte: Rodrigo G. Mabilia

Infecções por Streptococcus As infecções bacterianas causadas por Streptococcus ganham mais destaque recentemente. Uma das bactérias mais associadas ao gênero é o Streptococcus inae. A ocorrência desta doença está associada a altas temperaturas como ocorrem no verão e sob condições controladas de aquários tropicais. Sinais Clínicos e Patogenia da infecção por Streptococcus: os sinais clínicos da infecção bacteriana causada pelo streptococcus inclui a exoftalmia (olhos saltados) entre os mais característicos. No entanto, sob exame clínico, este não é um sinal clínico exclusivo desta doença, embora muito intuitivo. É importante observar também a presença de congestão (avermelhamento) e hemorragias na base das nadadeiras peitorais, nadadeira caudal e na boca.

Visualização da base de nadadeira peitoral congesta. Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Sinais clássicos de exoftalmia (Pop eye, ou olhos saltados)geralmente associado a infecção bacteriana, entre elas as causadas por Streptococcus. Fonte da Imagem: www.elacuarista.com
Espadinha infectado por Micobacterium. Muito comum encontrar entre os criadores desta espécie diversos exemplares apresentando esta condição de escoliose e retração do ventre. No entanto, é necessário fazer o diagnóstico diferencial para deficiências nutricionais tais como: o aminoácido triptofano e vitamina C. Fonte: Rodrigo G. Mabilia

Micobacteriose/Tuberculose A micobacteriose, ou tuberculose dos peixes é uma doença crônica. A severidade das infecções parecem estar relacionadas a idade dos peixes. É muito mais freqüente a ocorrência de tuberculose em peixes velhos do que peixes jovens. Esta doença é apontada com grande destaque para o aquarismo e a piscicultura ornamental à nível mundial. Há trabalhos que referenciam uma incidência entre 10 a 22% desta doença em populações de peixes. É um percentual muito alto para uma doença bacteriana, mas que na prática podemos entender melhor com a manifestação de sua patogenia. Qualquer criador que se preze precisa obrigatoriamente ter um bom programa sanitário de prevenção da tuberculose no seu plantel. Pelo fato de ser, na maioria das vezes crônica, a tuberculose pode passar de um hospedeiro para muitos outros peixes sem que o aquarista, ou criador perceba de maneira clara. Os peixes mais velhos, já enfraquecidos e com o sistema imune comprometido são os que usualmente demonstram os sinais clínicos da tuberculose. Numa população, não há uma mortalidade abrupta de muitos peixes ao mesmo tempo, ou ao menos isto não é o comum. As mortalidades ocorrem num intervalo de tempo esparso. Os sinais clínicos da tuberculose surgem aos poucos e tornam-se mais graves gradualmente com o passar dos dias. Para completar a desinformação, muitos peixes que morrem “de velhos” na verdade morrem de tuberculose sem o conhecimento de seu criador.
A micobacteriose, ou tuberculose dos peixes possui espécies de agentes patogênicos que infectam peixes marinhos, o Micobacterium marinum. Já em peixes de água doce há o Micobacterium fortuitum. Há outras sinonímias, mas estas não são consideradas oficiais sistematicamente e, portanto, são irrelevantes.
No aquarismo, a tuberculose dos peixes tem uma alta ocorrência em caracídeos como o caso dos néons e peixes da família poecilidae como o caso de lebistes, molinésias, platys e espadinhas.

Sinais Clínicos e Patogenia da tuberculose de peixes: os sinais clínicos da tuberculose são crônicos, iniciando com o tão citado emagrecimento progressivo e perda do apetite. O segundo estágio é a deformação da coluna vertebral. Os peixes costumam ficar muito debilitados com uma natação muito irregular na superfície da água, ou parados no fundo. O tratamento não é fácil, uma vez que, na maioria dos casos, são peixes velhos com o sistema imune deprimido e incapazes de desencadear uma recuperação.

continua em V -Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais

III - Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia

Lebiste com ascite atribuída a infecção causada por Aeromonas (também denominado de ascite infecciosa, hidropsia e/ou barriga d’água). Fonte: Rodrigo G. Mabilia
1 - Septicemias causadas por aeromonas
As bactérias pertencentes ao gênero aeromonas podem ser integrantes da microbiota dos peixes e encontradas em águas (ambientes aquáticos) ricos em matéria orgânica. As aeromonas causadoras de septicemias são ditas aeromonas móveis, uma vez que, são capazes de executar movimentos ativos graças a presença de flagelo. Inúmeras espécies de aeromonas são reportadas nos ambientes aquáticos, no entanto, poucas foram diagnosticadas como agentes causadoras de septicemias nos peixes.
No passado eram várias espécies, mas hoje restringem-se na nomenclatura basicamente a espécie Aeromonas hydrophila (antigamente classificada de Aeromonas punctata) e suas subespécies. As pesquisas científicas em torno da Aeromonas hyrophila e suas subespécies estão em estágios avançados tanto no Brasil como em outros países. O desenvolvimento de vacinas e o emprego da biotecnologia em favor de modernos métodos de diagnósticos avançam tamanha sua importância na aquacultura mundial. É um consenso que as infecções causadas por aeromonas móveis são consideradas oportunistas, ou seja, manifestam-se devido a existência de um desequilíbrio entre o meio ambiente aquático e o peixe. Temos que ter a consciência de que é a condição fisiológica de estresse (estado de baixa imunidade) que desencadeia esta doença.

Sinais Clínicos e Patogenia da Septicemia causada por aeromonas:
Os sinais clínicos da infecção por aeromonas móveis são vísiveis através de lesões da pele e nadadeiras. Estas podem progredir (ulcerar) e atingir a musculatura formando áreas de hemorragias e necrose. É o início da septicemia, onde a seguir surgem sinais mais graves como: olhos saltados (exoftalmia), distenção do ventre (ascite/hidrpsia/barriga de água) e presença de escamas eriçadas. É muito comum a presença de septicemia associada a viremia primaveril, portanto é necessário estar atento para diferenciá-las.
Ver artigo sobre Hidropsia/Ascite Infecciosa aquí no Aquablog .


Visualização de lebiste com dificuldade de nado e de manter-se na coluna de água devido ao avançado estágio da doença e conseqüente compressão da vesícula gasosa (bexiga natatória). Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Catfish com infecção bacteriana. Detalhe do pedúnculo e nadadeira caudal com erosões graves, hemorragias, desfiamento. Este caso mostra que as septicemias, embora muito frequentes nos ciprinídeos, não é uma condição patológica exclusiva desta família. Fonte Rodrigo G. Mabilia

2 - Septicemias causadas por pseudomonas As infecções causadas por bactérias do gênero Pseudomonas tem como principal representante a espécie Pseudomonas fluorescens. Sinais Clínicos e Patogenia da Septicemia causada por Pseudomonas: as septicemias causadas por pseudomonas são tão graves, quanto as causadas por aeromonas, porém diagnosticadas com menor freqüência. Lesões de nadadeiras e pele são muito comumente associadas a Pseudomonas e variam de severidade, desde lesões localizadas com pequenas ulcerações até grandes áreas hemorrágicas com exposição de musculatura e até mesmo do esqueleto.

Visualização da infecção interna (septicemia hemorrágica) afetando todos órgãos internos. Fonte: Rodrigo G. Mabilia

3 - Septicemias causadas por edwardsielas As septicemias causadas pelas edwardsielas (Edwardsieloses) são atribuídas as bactérias Edwardsiella tarda e E. ictaluri. São consideradas enterobactérias podendo fazer parte da microbiota intestinal dos peixes. Ao modo do que ocorre com as aeromonas, as septicemias causadas por bactérias do gênero Edwardsiella também estão associadas à condição fisiológica do estresse em peixes. Outro agravante nesta mesma linha de raciocínio é a presença de águas quentes (24 a 28°C) e excesso de matéria orgânica que contribuem para o surgimento da doença. As septicemias causadas pela E. tarda e E. ictaluri são marcadas também por duas formas distintas de aparecimento: uma forma aguda e outra forma crônica.

Sinais Clínicos e Patogenia da Septicemia causada por edwardsielas: as lesões causadas pelas edwardsielas são marcadas por iniciarem sob a forma de pequenas lesões de pele. Estas lesões logo originam abscessos maiores na lateral do corpo. Estes abscessos são muito bem delimitados nas bordas, sendo que na porção central apresentam-se pálidos, volumosos e convexos. Carpas, Kingyos e catfishes são mais susceptíveis a estes agentes.

Visualização de início de abscesso causado por Edwardsiella com detalhe da linha em preto delimitando os bordos. Fonte: Rodrigo G. Mabilia continua na parte IV - Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia

II - Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia

Manchas esbranquiçadas na pele atraibuídas a Flavobacterium columnaris. Inicialmente um foco central e logo a seguir uma expansão radial da lárea afetada. Fonte: www.adelaideaquariums.com.au Columnariose grave atingindo o tecido das bânquias. Há presença de necrose, perda da estrutura normal da brânquia. A forma branquial da columnariose é a mais grave (ver a seguir detalhes sobre a Doença Bacteriana das Brânquias). Fonte: www.fisheries.org

Doença Bacteriana das Brânquias
A doença bacteriana das brânquias é provocada por bactérias filamentosas (Mixobactérias) dos gêneros: Flavobacterium (a mesma que causa a columnariose), Myxococcus, Chryseobacterium e a apontada como mais significativa: o Flavobacterium branquiophilum. A doença bacteriana branquial também pode ser encontrada referenciada como: Doença Proliferativa das Brânquias (DPB). É uma doença crônica que manifesta-se progressivamente em diversas espécie de peixes, sendo mais reportada em salmonídeos e na família Ciprinidae. Portanto, carpas, caudas-de-véus, paulistinhas entre outros estão inclusos nesta estatística.
Não há qualquer relação desta doença com a temperatura da água, mas sabe-se que a gravidade dos transtornos deve-se ao grau de infecção e sua relação com os danos sobre o tecido branquial. Estas lesões nas brânquias causam transtornos na osmorregulação, respiração e intoxicação pela amônia acumulada no organismo. Isto porque a brânquia excerce funções vitais para a sobrevivência dos peixes através da troca de sais com a água, trocas gasosas de CO2 e O2 e eliminação de mais de 80% da amônia por esta via de excreção nitrogenada.
A Doença bacteriana branquial, assim como a columnariose, possue uma vasta distribuição geográfica de ocorrência e merece muita atenção sob o ponto de vista sanitário.
Sinais Clínicos e Patogenia da Doença Bacteriana das Brânquias: sendo as brânquias o órgão alvo desta doença, temos os diversos sinais cínicos associados aos distúrbios causados pelo mal funcionamento desta. Há uma disfunção crônica das brânquias decorrente da doença bacteriana branquial. Está incluso nesta disfunção sinais de letargia e respiração ofegante observados pelos rápido movimentos do opérculo e abrir e fechar da boca dos peixes enfermos. Visualmente é notável um escurecimento das brânquias (hiperemia - devido a dilatação dos vasos sanguíneos na região) e grande presença de muco sobre elas. A resposta fisiológica do peixe é gradual, uma vez que a doença é crônica. Inicialmente há hipertrofia do tecido (aumento compensatório do epitélio para tentar compensar a dificuldade de trocas gasosa, sais e eliminar a amônia acumulada). Posteriormente há uma fusão das brânquias decorrente da proliferação de células do tecido afetado (ainda na mesma tentativa de compensação). A taxa de mortalidade atribuída a esta doença em criatórios pode atingir 50%. Esta alta mortalidade ocorre tanto pela infecção em estágios avançados, como pela intoxicação acumulada no organismo (hiperamonemia sistêmica).

Visualização das brânquias com aspecto brilhante refletido do excesso de muco produzido. Há avermelhamento excessivo (hiperemia devido a dilatação dos vasos sanguíneos). Fonte: Rodrigo G. Mabilia
Visualização de um arco branquial com zonas esbranquiçadas devido a necrose do tecido. Fonte: www.info.com.ph
continua - parte III - Guia Ilustrado de Doenças Bacterianas em Peixes Ornamentais - por Dr. Rodrigo Mabilia

I - Guia Ilustrado - Doenças Bacterianas dos Peixes Ornamentais por Dr. Rodrigo Mabília



Há com a progressão da doença uma perda gradual da nadadeira caudal com: erosões, perda da coloração, esbranquiçamento e, por fim, exposição dos raios da nadadeira caudal. Fonte: Rodrigo G. Mabilia

Guia Ilustrado das Principais Doenças Bacterianas dos Peixes Ornamentais

Por Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário

As enfermidades de origem bacteriana em peixes ornamentais são muito freqüentes. Existem diversos gêneros de bactérias que podem causar doença nos peixes e levá-los a morte. É importante deixar bem claro que a ocorrência de uma doença bacteriana está associada a falhas graves de manejo. Falhas estas que submetem os peixes a condições estressantes desde a captura, criação, passando pela comercialização e finalmente pelo aquarista. Um agente bacteriano, por si só, é muito improvável de causar uma doença. É preciso que o peixe de alguma forma esteja debilitado.


Sugestão : ver artigo sobre estresse e o SAG (Síndrome de Adaptação Geral) aquí no Aquablog.


Os principais fatores que predispõem a manifestação destas enfermidades, quase sempre são os mesmos: a má qualidade de água e a alimentação deficiente. Por esta razão, seria muito importante que o aquarista estivesse atento para algumas práticas de manejo relacionadas à manutenção da qualidade de água em seu aquário e durante da escolha da dieta de seus peixes ornamentais para prevenir infecções bacterianas. É preciso compreender também que diversas bactérias são encontradas normalmente na água, substrato e inclusive no trato intestinal dos peixes. Contudo, a manifestação de doença somente ocorre quando há um desequilíbrio entre o meio ambiente e o peixe.


Sugestão: ver artigo sobre a" importância da qualidade da água no aquarismo" e "nutrição e alimentação de peixes ornamentais" aquí no Aquablog.


Este artigo servirá também como um pequeno guia ilustrado das principais doenças bacterianas de peixes ornamentais. Espero que aproveitem, afinal procurei tornar este material inédito quanto ao conjunto e fidelidade das informações... Sumário: - Doença Bacteriana da Água Fria - Columnariose - Doença Bacteriana das Brânquias - Septicemias causadas por aeromonas - Septicemias causadas por pseudomonas - Septicemias causadas por edwardsielas - Infecções por Streptococcus - Micobacteriose/Tuberculose - Eritrodermatite, ou Furunculose Doença Bacteriana da Água Fria A Doença bacteriana de água fria é atribuída ao gênero de uma bactéria muito comumente associada a enfermidades de peixes ornamentais. O Flavobacterium, ou Flexibacter, possue inúmeras espécies capazes de causar doença em peixes. Estas duas nomenclaturas (Flavobacterium e Flexibacter) são equivalentes e as espécies incluídas nestes gêneros podem ser encontrados na literatura referenciadas destas duas maneiras. Uma característica marcante destas bactérias é a existência de filamentos. Sendo bactérias filamentosas estão incluídas num grupo nomeado de Mixobactérias. Para o caso em específico da doença da água fria, é o Flavobacterium psychrophilum (também referenciado na literatura como Cytophaga psychrophila). O Flavobacterium psychrophilum manifesta doença em temperaturas de água fria abaixo de 18°C. Como a maioria dos aquários são de temperaturas de água compatíveis com climas tropicais sua freqüência é baixa, no entanto, fica o alerta para criadores de peixes de águas frias. Sinais Clínicos e Patogenia da Doença Bacteriana de Água Fria: o Flavobacterium psychrophilum causa lesões externas na pele (tegumento) e também lesões um pouco mais profundas atingindo a musculatura dos peixes em condições de água fria. As lesões podem ocorrer em todo o corpo, no entanto é na região caudal (no pedúnculo caudal) a sua maior freqüência.


Columnariose

A columnariose é uma doença bacteriana freqüente em peixes ornamentais provocada pela bactéria Flavobacterium columnaris. Também é referenciada na literatura como Flexibacter columnaris e/ou Cytophaga columnari. Assim como a bactéria causadora da doença bacteriana de água fria a Columnariose é classificada como uma Mixobactéria filamentosa. Todos os peixes ornamentais de água doce estão sujeitos a ação da columnariose. Ao contrário da doença bacteriana de água fria esta ocorre em temperaturas de água bastante elevadas. A associação de altas temperaturas do aquário e o excesso de matéria orgânica (acumulada pela falta de sifonagens de fundo e trocas parciais de água) contribuem para o surgimento da columnariose. É notável a susceptibilidade de filhotes de peixes em relação aos adultos. Os mais jovens são efetivamente mais atingidos pelo Flavobacterium comumnaris.

Outro interessante aspecto desta doença é a sua maior patogenicidade em águas de baixa dureza, representando assim, um perigo a mais para as espécies de peixes que preferem condições de baixa dureza da água.

Sinais Clínicos e Patogenia da Columnariose: as primeiras manifestações clínicas da columnariose são cutâneas seguidas das branquiais, podendo por fim, tornar-se generalizadas/sistêmicas. No início da doença há necrose da pele configurando manchas esbranquiçadas na cabeça, corpo e nadadeiras. Posteriormente, nos locais destas manchas, formam-se úlceras hemorrágicas.

É comum observarmos infecções bacterianas associadas conjuntamente com doença parasitária (geralmente protozoários). Estes exemplares de lebistes apresentaram sinais marcantes de columnariose, mas no exame parasitológico foram encontrados também 3 espécies de protozoários (Ictio, Trichodina e Chilodonella). Na prática, quando os peixes estão enfermos é muito comum diagnosticar diversos agentes patogênicos. Mais complexo seria determinar qual é o agente de maior importância em cada caso, bem como quais os fatores que desencadearam a manifestação da doença. Fonte: Rodrigo G. Mabilia